Uma carta na manga da Petrobras (PETR4) pode fazer a ação subir até 40%, diz BTG

Quando se fala em Petrobras (PETR4) ou qualquer outra ação relacionada ao mercado petroleiro na bolsa, é natural que o preço do petróleo seja um fator de atenção para os investidores.
E 2026 elevou essa correlação à décima potência: a estatal alcançou recordes históricos de valor de mercado com a escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã, que levaram o preço do Brent — referência internacional — e WTI — referência para os EUA — para patamares acima de US$ 100 por barril.
Da mesma forma, quando houve correção na cotação da commodity, a Petrobras viu o valor de mercado evaporar quase R$ 100 bilhões em um único mês.
Mas na visão dos analistas do BTG Pactual, olhar somente para o preço do petróleo significa ignorar uma carta na manga da estatal. Segundo o banco, para a Petrobras, mais importante do que o preço do petróleo é o preço dos combustíveis.
Mesmo quando o petróleo perde força, a gasolina e o diesel nem sempre acompanham essa queda na mesma intensidade. E este é um fator que pode beneficiar a Petrobras, mas ainda não entrou no radar dos investidores.
Para o banco, a estatal pode aproveitar os preços dos combustíveis graças ao segmento de refinaria. Cerca de 70% do que a companhia extrai de petróleo vira matéria-prima do próprio refino.
Com os preços altos dos combustíveis, mesmo que o valor do petróleo se normalize e caia para até US$ 60 por barril, a expectativa é de que a ação ainda seja capaz de pagar dividendos de dois dígitos e se valorizar na bolsa. Vale lembrar que o barril do Brent está cotado atualmente na casa dos US$ 87.
De olho nesse cenário, o banco chegou a elevar o preço-alvo da Petrobras para R$ 56. Em relação ao último fechamento (17), o potencial de valorização chega a 40%.
Já o novo preço-alvo para o American Depositary Receipt (ADR) é US$ 22, com espaço de alta de 22,4% em comparação à cotação de US$ 17,97.
Boa notícia para PETR4?
Os analistas explicam que existem três motivos para os preços do diesel e da gasolina continuarem elevados mesmo com a eventual queda da cotação do petróleo.
O primeiro deles é que, nos últimos anos, o mundo investiu menos do que precisava na construção de novas refinarias, enquanto diversas unidades antigas foram fechadas, principalmente nos Estados Unidos e em países da Europa.
Ou seja, a transformação do petróleo em gasolina e diesel se tornou um processo mais escasso. Já os outros dois fatores passam por conflitos geopolíticos.
Com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, refinarias russas passaram a sofrer ataques de drones ucranianos, o que diminuiu capacidade de produção do país.
Além disso, a Rússia restringiu a exportação de diesel devido a uma demanda interna sazonalmente maior. Como consequência, o mercado internacional teve acesso a uma oferta menor de diesel.
As tensões no Oriente Médio também têm afetado os preços dos combustíveis. No segundo trimestre de 2026, as refinarias da região produziram 20% a menos do que a média de 2025.
Por essa conjuntura, os mercados de gasolina e diesel devem permanecer pressionados no segundo semestre deste ano e em 2027.
“Mesmo que o mercado de petróleo bruto se normalize e isso traga pressão baixista aos preços do óleo, esperamos que os preços dos combustíveis permaneçam altos. Acreditamos que a Petrobras é a companhia mais bem posicionada dentro do nosso universo de cobertura para capturar esse contexto”, afirmam os analistas.
Mais dividendos para os investidores
Com o protagonismo da Petrobras no segmento de refinarias, os analistas esperam um aumento do lucro da estatal no curto prazo, o que, para os investidores, pode significar retornos atrativos e dividendos robustos.
Segundo estimativas do banco, a empresa pode entregar dividendos de 10% em 2026 e 2027 em um cenário conservador. Em uma estimativa de preços do petróleo e margens de refino mais agressiva, o potencial de pagamento de dividendos chega a 14% no próximo ano.
O preço dos combustíveis se tornou um tema de otimismo para o BTG, que recomenda a compra das ações da Petrobras. Porém, além do diesel e gasolina, os analistas também veem o papel com bons olhos graças ao desempenho operacional.
Segundo o banco, a produção da estatal deve ficar no topo das estimativas ou até superar as projeções da própria companhia em 2026.
No dia 28 de julho, a Petrobras deve divulgar o relatório de produção e vendas do 2º trimestre deste ano. O BTG estima que a estatal tenha produzido 2,623 milhões de barris de petróleo por dia (bpd) no período, ligeiramente acima do consenso do mercado de 2,599 milhões bpd.
