Uma semana após levar a Helbor, HBR vende ativos de renda por R$ 937,7 milhões
Fundo da SPX paga R$ 562,6 milhões à vista; venda ocorre uma semana após a HBR assumir a Helbor e um landbank de R$ 12 bilhões

Uma semana depois decolocar uma incorporadora residencial dentro de casa, a HBR Realty decidiu se desfazer de parte dos imóveis que pagam aluguel. Nesta quarta-feira, 4, a companhia assinou os contratos definitivos para vender participações em três shoppings e em um edifício corporativo na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, por R$ 937,7 milhões.
O comprador é o SPX Portfólio Alfa, fundo de investimento imobiliário (FII) gerido pela SPX Real Estate. O fundo foi registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em setembro e ainda consta como pré-operacional nos dados cadastrais.
Segundo a HBR, o fundo já captou os recursos necessários para a compra. A conclusão do negócio está prevista para até 11 de novembro.
A operação envolve fatias de tamanhos diferentes em cada ativo: 20% do Mogi Shopping, em Mogi das Cruzes (SP); 25% do Suzano Shopping, em Suzano (SP); 50% do Patteo Olinda Shopping, em Olinda (PE), e 90,9% do Lead Corporate Faria Lima, em São Paulo.
Os shoppings estão na origem do braço de varejo da companhia. O Mogi Shopping, comprado em 2015, foi a porta de entrada da HBR no segmento. Já o Patteo Olinda foi desenvolvido do zero pela empresa e inaugurado em 2018.
São ativos de operação madura. No quarto trimestre de 2025, a ocupação média dos shoppings da HBR chegou a 93,5%, com o Mogi em 98,9% e o Suzano em 97,8%, segundo a apresentação de resultados da companhia.
No primeiro trimestre de 2026, os aluguéis dos shoppings somaram R$ 35,1 milhões, alta de 4,8% na comparação anual. O Patteo Olinda puxou o crescimento, com avanço de 16,5%.
Do valor total, R$ 562,6 milhões serão pagos à vista, na data de fechamento. Os R$ 375,1 milhões restantes virão em quatro parcelas anuais de R$ 93,77 milhões, corrigidas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A primeira parcela vence no primeiro aniversário do fechamento. Até lá, o valor a prazo não fica apenas como promessa: o montante será depositado em uma conta escrow no dia da conclusão do negócio.
Esse tipo de conta funciona como uma garantia mantida por um terceiro. O dinheiro fica travado e só é liberado ao vendedor nas datas combinadas, o que protege a HBR caso o comprador deixe de honrar os pagamentos futuros.
Por que vender ativos que estão rendendo
A HBR afirma que a transação reforça sua estratégia de gestão ativa do portfólio, com reciclagem de ativos, disciplina financeira e otimização da estrutura de capital.
Reciclar ativos significa vender imóveis que já atingiram maturidade, com ocupação estável e renda previsível, para destravar o capital investido neles e aplicá-lo em projetos com maior potencial de valorização.
Para o comprador, a lógica é a inversa. Fundos imobiliários buscam justamente ativos prontos, com aluguel recorrente, já que precisam distribuir aos cotistas 95% do resultado em caixa a cada semestre.
Segundo a HBR, a ideia é capturar o valor de empreendimentos maduros e direcionar recursos para novas frentes de crescimento. A companhia, no entanto, não detalhou onde o dinheiro será aplicado.
A HBR depois da Helbor
A venda ocorre dias depois de a HBR concluir a compra de 83,16% da Helbor em leilão na B3, em 28 de outubro. A operação foi feita por meio de uma oferta pública de aquisição (OPA) com troca de ações. As duas empresas são controladas pela família Borenstein.
Com a incorporadora, a HBR passou a controlar um banco de terrenos, o landbank, avaliado em mais de R$ 12 bilhões. A maior parte está na capital paulista, voltada a empreendimentos de médio e alto padrão.
O valor não corresponde a dinheiro em caixa. Ele reflete o potencial dos terrenos para o desenvolvimento de futuros projetos.
Até a compra da Helbor, o portfólio da HBR era voltado a ativos de renda recorrente: shoppings e centros de conveniência, sob a marca ComVem; torres corporativas triple A, na plataforma HBR 3A; e negócios de oportunidade, como o hotel W, em São Paulo.
Agora, a empresa soma a essas frentes a incorporação residencial. A aposta é em sinergias, como o uso de fachadas ativas, com lojas no térreo voltadas para a rua, e de áreas comerciais dentro dos empreendimentos residenciais.
O fechamento da venda ao fundo da SPX deve ocorrer até o dia 11. A partir daí, as parcelas corrigidas pelo IPCA entram no caixa da HBR uma vez por ano, até 2030.
Na frente da Helbor, os acionistas que não participaram do leilão podem vender suas ações à HBR até 28 de novembro. Em seguida, a incorporadora conclui o cancelamento do registro de companhia aberta e a saída do Novo Mercado da B3.
