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Sacre Investimentos
Bolsa e dólarACS
30/10/2026
5 min

Uma semana muda tudo: BTG (BPAC11) devolve ganhos do ano e tem recomendação rebaixada — vale comprar após o tombo?

Ação acumula queda superior a 30% na semana e coloca à prova a tese de resistência aos juros altos; Itaú BBA corta recomendação para neutro e baixa preço-alvo

Uma semana muda tudo: BTG (BPAC11) devolve ganhos do ano e tem recomendação rebaixada — vale comprar após o tombo?

As ações do BTG Pactual (BPAC11) viram os ganhos de quase um ano se diluírem em poucos pregões. Depois de perder mais de 30% nesta semana, os papéis estão praticamente no zero a zero em 2026.

A mudança de direção acompanha a turbulência na bolsa brasileira após a surpreendente reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo (25).

Antes do resultado eleitoral, os papéis do BTG Pactual vinham se valorizando com a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) e de um novo governo com mais responsabilidade fiscal, o que poderia voltar a aquecer o mercado de capitais brasileiro.

Agora, a perspectiva de juros elevados por mais tempo e as incertezas sobre as contas públicas atingiram justamente um dos bancos que vinham sendo vistos como capazes de atravessar um cenário econômico adverso.

Nesta sexta-feira (30), o fim dessa visão mais positiva para o banco foi cristalizado por um relatório do Itaú BBA, rebaixando as units BPAC11 para market perform, equivalente a neutro, e cortando o preço-alvo para o fim de 2027 de R$ 70 para R$ 60.

Com isso, os papéis do BTG recuam forte no Ibovespa hoje. Por volta das 13h, BPAC11 caía 5,07%, a R$ 51,30.



Para quem tem BPAC11 na carteira, a questão agora é quanto da resiliência dos negócios do BTG pode se traduzir em proteção para a ação — e se o tombo abriu uma oportunidade de compra.

Um banco para qualquer clima?

A diversificação dos negócios era um dos argumentos que sustentavam o otimismo com o BTG antes das eleições.

Além das operações de banco de investimentos, a instituição expandiu suas atividades de crédito, gestão de recursos e gestão de patrimônio, reduzindo a dependência de uma recuperação do mercado de capitais.

Em junho, o JP Morgan elevou a recomendação dos papéis para compra com a avaliação de que o banco conseguia sustentar o crescimento mesmo com juros altos.

Os ganhos de participação de mercado e as diferentes fontes de receita ajudavam a compensar um ambiente menos favorável para ofertas de ações, fusões e aquisições.

Algumas receitas podem, inclusive, ganhar com taxas mais elevadas. Em análise após a eleição, o UBS BB apontou que a linha de receitas financeiras e outras receitas tende a se beneficiar desse cenário, amortecendo parte das dificuldades em outras áreas.

Essa proteção, porém, não impede um impacto negativo sobre o lucro total, nas simulações da casa.

O desafio para o acionista é que a resistência dos negócios não garante a mesma estabilidade na cotação. Com juros maiores, os investidores passam a exigir um retorno mais alto para manter dinheiro na bolsa, o que pode reduzir o preço que aceitam pagar pelas ações.

Ao mesmo tempo, uma economia mais fraca pode afetar tanto as receitas com operações financeiras quanto a capacidade de pagamento dos clientes do banco.

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A queda deixou BTG Pactual barato?

É nesse ponto que entra a avaliação do Itaú BBA. A casa continua considerando o BTG uma das instituições de maior qualidade entre as empresas financeiras brasileiras que acompanha. Mas entende que boa parte dessa qualidade já está refletida no preço, mesmo após a queda.

Segundo o relatório de hoje, o banco negocia a aproximadamente nove vezes o lucro estimado para 2027 e duas vezes seu valor patrimonial. Para os analistas, esses patamares deixam espaço limitado para valorização diante dos riscos para o próximo ano.

Olhando exclusivamente para o preço, o BBA afirma que voltaria a ter uma visão mais favorável sobre os papéis entre R$ 45 e R$ 50, faixa equivalente a sete a oito vezes o lucro projetado.

O que pode pesar sobre a ação daqui para a frente

O cenário traçado pela casa combina atividade econômica fraca, menor confiança para investir e juros e inflação elevados por mais tempo. Isso pode reduzir o volume de operações no mercado de capitais, a movimentação dos clientes e a expansão dos recursos sob gestão.

O crédito também merece atenção. Os empréstimos a empresas e o financiamento ao consumidor devem representar aproximadamente 38% das receitas do BTG em 2027, segundo o BBA.

Essa atividade ajudou a impulsionar os resultados recentes, mas aumenta a exposição a uma eventual deterioração da economia. Empresas podem encontrar mais dificuldades para pagar dívidas, enquanto inflação persistente e um mercado de trabalho mais fraco pressionam o orçamento das famílias.

Diante dessas perspectivas, o BBA reduziu em 5% a estimativa de lucro do BTG Pactual para 2027, para R$ 23,2 bilhões. O resultado ainda representaria crescimento de 13%, mas abaixo do avanço de 23% esperado para 2026.

Para BPAC11, portanto, o desafio é duplo: mostrar que o banco consegue continuar crescendo em um ambiente mais difícil e convencer os investidores de que vale pagar mais por esses resultados.

Na avaliação do BBA, o preço-alvo de R$ 60 pode funcionar como um teto até que a previsibilidade ou o ritmo de crescimento dos lucros melhore.

Por isso, além da desaceleração esperada no crescimento das carteiras, os analistas acompanham o risco de aumento da inadimplência e das despesas com perdas de crédito.

AutorJuliana Caveiro
FonteSeu Dinheiro
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