Universidade desembolsa R$ 4,5 milhões em nova etapa de busca por avião desaparecido de Amelia Earhart, mas encontra outra coisa
Quase 90 anos após o desaparecimento de Amelia Earhart em algum lugar do Oceano Pacífico, uma expedição milionária investigou uma nova pista e teve um desfecho surpreendente

O mistério, ou melhor, o debate sobre quem criou o avião é uma discussão histórica. Enquanto alguns argumentam que o "Pai da Aviação" é o brasileiro Alberto Santos Dumont, outros dizem que essa paternidade é compartilhada entre os irmãos Wright, dos Estados Unidos.
Embora existam outros candidatos e a discussão seja antiga, esse não é o único mistério a pairar nos ares da aviação. O destino da aviadora Amelia Mary Earhart, desaparecida há quase 90 anos, ainda hoje intriga os especialistas.
Entre outras façanhas, ela foi a primeira mulher a atravessar o Oceano Atlântico pilotando um avião. Mas cada desafio vencido levava a outro ainda maior. Aos 39 anos de idade, a pioneira norte-americana da aviação pretendia dar a volta ao mundo pela linha do Equador.
Não seria a primeira, mas seria a mais longa volta ao mundo a bordo de um avião, com 47 mil quilômetros viajados ao todo. A intenção era voar o mais perto possível da Linha do Equador.
A última viagem de Amelia Earhart
Amelia Earhart e seu companheiro de aventuras aéreas, Fred Noonan, tiraram a ideia do papel em 1937.
Em 20 de maio daquele ano, a dupla partiu de Oakland, na Califórnia, a bordo de um Lockheed 10E Electra financiado pela Purdue University.
Primeiro eles cruzaram os Estados Unidos, até chegarem a Miami. Da Flórida, desceram para o Brasil, onde fizeram escalas em Fortaleza e Natal.
Da capital potiguar, a dupla cruzou o Oceano Atlântico e parou em Dacar. Na sequência, Amelia Earhart e Fred Noonan voaram sobre o Deserto do Saara, atravessaram todo o continente africano, o Oriente Médio e a Índia antes de seguiram rumo ao sudeste da Ásia.
Tudo ia bem até a virada de junho para julho de 1937, quando a dupla parou para reabastecer e descansar em Lae, em Papua-Nova Guiné. Era a penúltima escala planejada. Cerca de 35 mil quilômetros tinham ficado para trás.
Dali eles pretendiam partir rumo à última escala, no Havaí, antes do aguardado retorno a Oakland.
Amelia Earhart e Fred Noonan decolaram de Lae em 2 de julho de 1937. Eles voaram sem problemas por pelo menos 1.300 quilômetros. A última comunicação da dupla com alguma torre de controle aéreo ocorreu perto das Ilhas Nukumanu, no Oceano Pacífico, no meio do caminho entre Papua-Nova Guiné e Nauru.
Depois disso, silêncio. Um silêncio que permanece até hoje. O avião e os tripulantes desapareceram e nunca foram encontrados. Até que um último fio de esperança veio à tona recentemente.
Um mistério prestes a ser desvendado?
Observações de imagens de satélite revelaram um objeto dentro de uma lagoa no atol de Nikumaroro, no caminho entre a Austrália e o Havaí, com formas e medidas similares às do Lockheed 10E Electra usado por Amelia Earhart e Fred Noonan.
A análise das imagens de satélite era inconclusiva, mas um aparente brilho metálico foi argumento convincente o bastante para que a Purdue University financiasse uma expedição até o atol.
Na semana passada, uma equipe de 17 pesquisadores dos Estados Unidos chegou ao atol na esperança de solucionar um mistério que talvez nem Sherlock Holmes fosse capaz de resolver.
Depois de dias viajando de navio, a expedição conseguiu chegar ao local e pretendia montar um acampamento. No entanto, os membros da expedição precisaram dormir a bordo da embarcação, ancorada nas proximidades do atol.
Isso se deveu à presença de caranguejos-dos-coqueiros, também conhecidos como “caranguejos ladrões”. Além de grandes, eles mantêm uma dieta essencialmente carnívora, alimentando-se dos pequenos mamíferos que vivem no atol.
Quem avisa, amigo é
A viagem dos pesquisadores foi cercada de grande expectativa. Interessada no assunto, a universidade que quase um século atrás financiou o avião para a viagem de Amelia Earhart e Fred Noonan empenhou US$ 900 mil (cerca de R$ 4,5 milhões) na expedição.
A frustração confirmou-se ontem (19). A Purdue University concluiu que a “anomalia visual” era “provavelmente um conjunto de grandes árvores depositadas ao longo da faixa de areia da península”, segundo apuração do jornal britânico The Guardian.
Mas não foi por falta de aviso. Antes mesmo da viagem, pesquisadores veteranos que estudam o desaparecimento de Earhart advertiram que o objeto talvez não passasse de uma árvore caída. E eles estavam certos.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.
