US$ 100 milhões para os republicanos: o apoio de Elon Musk nas eleições dos EUA
Mesmo após desavenças com Donald Trump, o bilionário ainda joga seu apoio atrás dos republicanos nas importantes eleições intermediárias em novembro

Elon Musk voltou a se aproximar do Partido Republicano um ano após ter ameaçado criar uma terceira força política nos Estados Unidos. Segundo o jornal The New York Times, o bilionário prepara uma nova ofensiva financeira para as eleições legislativas de novembro.
Com baixas taxas de aprovação, preços altos do combustível e uma guerra impopular, a administração de Trump enfrenta um teste perigoso nessas eleições, que decidirão a maior parte dos assentos no Congresso.
De acordo com pessoas informadas sobre o plano, Musk autorizou seu Comitê de Ação Política (PAC, na sigla em inglês), o America PAC, a gastar entre US$ 100 milhões e US$ 120 milhões em uma campanha de campo em pelo menos oito estados. O objetivo é ajudar candidatos republicanos ao Senado e à Câmara dos Deputados.
Inicialmente, o grupo pretende concentrar esforços nas disputas para o Senado nos estados do Alasca, Iowa, Maine, Michigan e Ohio. Também há conversas sobre o envolvimento nas corridas da Carolina do Norte, da Geórgia e do Texas, e sobre o investimento para a Câmara dos Representantes na Califórnia, no Wisconsin e em Washington.
Vantagem financeira
Apesar dos prospectos incertos, o Partido Republicano têm confortável liderança financeira no orçamento eleitoral para as eleições de meio mandato. (Miguel J. Rodriguez Carrillo/AFP) (Miguel J. Rodriguez Carrillo/AFP)
O investimento reforçaria ainda mais a vantagem republicana no financiamento externo da campanha. Embora democratas liderem a arrecadação em algumas disputas-chave ao Senado, dirigentes do partido demonstram preocupação com a possibilidade de serem amplamente superados em gastos totais.
Segundo apuração da plataforma Axios, a PAC de Musk e outras super PACs têm uma vantagem de US$ 300 milhões em orçamento eleitoral sobre seus rivais democráticos, sem contar com mais US$ 400 milhões na super PAC de Trump, MAGA, Inc.
O orçamento de nove dígitos já teria sido comunicado a outros grupos republicanos nas últimas semanas. A operação agressiva deve começar no próximo mês, segundo uma fonte com conhecimento do assunto.
Os valores exatos ainda podem mudar, mas aliados consideram o compromisso financeiro de Musk suficientemente sólido. O America PAC já teria compartilhado suas projeções com organizações conservadoras, incluindo o MAGA Inc., um super PAC ligado ao presidente Donald Trump.
Em nota, o super PAC confirmou que atuará em disputas competitivas para o Senado e a Câmara, mas evitou comentar o orçamento exato e os estados-alvo. Parte da estratégia já havia sido antecipada pelo site Axios.
O grupo de Musk também coordena ações com outras organizações conservadoras, como a Americans for Prosperity, ligada à rede política dos irmãos Koch, e o Sentinel Action Fund. A cooperação entre entidades republicanas ganhou força após uma decisão da Suprema Corte, em junho, que facilitou o trabalho conjunto entre comitês partidários e candidatos.
Para executar a operação, o America PAC negocia inclusive com empresas especializadas em bater de porta em porta para mobilizar eleitores. Ademais, Chris Young, principal conselheiro político de Musk e responsável pelos grandes gastos de 2024, voltou a comandar a estratégia.
Desavenças
Presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com o bilionário Elon Musk na Casa Branca. Os parceiros viveram uma época de tensões, mas reataram laços (ROBERTO SCHMIDT / AFP) (ROBERTO SCHMIDT / AFP)
Musk gastou cerca de US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão) na campanha presidencial de 2024 e participou ativamente de eventos públicos ao lado de Trump. Desta vez, porém, não se espera que tenha um papel tão visível quanto na eleição presidencial ou na disputa judicial de Wisconsin em abril de 2025, quando o candidato que apoiou foi derrotado.
Após essa derrota, o empresário reconheceu que sua exposição pública poderia ter prejudicado a campanha. Em maio de 2025, afirmou à Bloomberg que pretendia reduzir significativamente seus gastos políticos, dizendo que já havia feito “o suficiente”.
Poucos meses depois, houve um rompimento com Trump. Musk deixou o comando da iniciativa DOGE, voltada à redução da estrutura do governo, e passou a criticar duramente o principal projeto doméstico do presidente e o Partido Republicano.
Especificamente, Musk discordou dos gastos da "big beautiful bill" de Trump e da direção da política interna do partido. Na época, o bilionário chegou a ameaçar criar um novo partido, chamado America Party, o que causou desconforto entre aliados republicanos. O projeto, contudo, nunca saiu do papel e, segundo o New York Times, Musk e Trump retomaram a aproximação nos meses seguintes.
Mesmo com os novos planos de investimento, o comportamento político do empresário continua sendo considerado imprevisível. Em entrevista à revista The Economist, publicada na semana passada, Musk afirmou que se envolveu “demais” na política e que, em retrospectiva, acredita ter “se deixado levar”.
