US$ 10,7 bilhões em produtos brasileiros terão 37,5% de taxa dos EUA, diz Amcham

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) afirmou nesta quinta-feira, 23, que a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos ao Brasil, no âmbito da investigação sobre produtos relacionados a trabalho forçado, poderá elevar a sobretaxa aplicada a parte das exportações brasileiras para o mercado americano a 37,5%.
Segundo a entidade, a medida, que entra em vigor nesta sexta-feira, 24, afetará cerca de 3 mil produtos brasileiros, correspondentes a US$ 12,5 bilhões em exportações anuais aos Estados Unidos. Para 85,3% dessas vendas, equivalentes a US$ 10,7 bilhões, a nova tarifa será somada à cobrança adicional de 25% anunciada anteriormente pelo governo americano.
A nova taxa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e faz parte de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento usado pelo governo americano para responder a práticas estrangeiras consideradas prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos.
Segundo o órgão, as tarifas foram aplicadas de maneira a combater o trabalho forçado em economias parceiras comerciais dos EUA. A investigação envolveu duas audiências públicas, mais de 2.100 comentários enviados pela sociedade e consultas com mais de 45 governos.
O embaixadorJamieson Greer, representante comercial dos EUA, afirmou que a medida busca combater o uso de trabalho forçado nas cadeias globais de produção.
"O presidente Trump reconhece que décadas de pressão diplomática não eliminaram o trabalho forçado das cadeias de suprimentos globais. Os Estados Unidos têm uma proibição de importação de produtos feitos com trabalho forçado há quase um século e a aplicam rigorosamente; já passou da hora de nossos parceiros comerciais fazerem o mesmo", declarou.
Tarifas ao Brasil estão entre as mais elevadas aplicadas pelos EUA
Segundo a Amcham, a sobretaxa de 37,5% está entre os mais elevados níveis de tributação aplicados pelos Estados Unidos a parceiros comerciais e pode comprometer a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.
"A nova tarifa amplia os impactos negativos sobre as exportações brasileiras, com diversos setores sujeitos a sobretaxas expressivas de 37,5%. A reversão desse cenário passa necessariamente pela retomada das negociações entre os dois governos. O entendimento bilateral é o caminho mais eficaz para atender aos interesses de ambos os lados", afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
A organização avaliou que o novo cenário pode aprofundar a retração do comércio bilateral, além de elevar custos para empresas e consumidores norte-americanos, fragilizar cadeias produtivas integradas entre os dois países e afetar investimentos.
A Amcham também afirmou que medidas de reciprocidade não seriam a melhor resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos.
"Medidas de reciprocidade não contribuem para superar as divergências atuais e apresentam elevado risco de provocar uma escalada política e comercial, agravando os impactos econômicos para empresas, trabalhadores e consumidores brasileiros", declarou a entidade.
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil reforçou o pedido para que os governos brasileiro e americano mantenham as negociações como forma de buscar a reversão das sobretaxas, ampliar a previsibilidade para empresas e investidores e avançar em uma agenda comercial conjunta.
