US$ 17 bilhões em ações do Google: o que Buffett está comprando na bolsa em 2026
Conglomerado de Warren Buffett tornou a Alphabet sua terceira maior posição em ações; fundo também voltou a comprar Delta e reduziu exposição a bancos

A Berkshire Hathaway, empresa de investimentos de Warren Buffett, fez uma das maiores apostas recentes em tecnologia ao comprar cerca de US$ 17 bilhões em ações da Alphabet, dona do Google, no segundo trimestre de 2026.
O movimento colocou a Alphabet como a terceira maior participação acionária da carteira da Berkshire, segundo documentos enviados pela companhia à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) e divulgados após o fechamento do mercado na sexta.
Ao fim de junho, a Berkshire possuía cerca de 106 milhões de ações das classes A e C da Alphabet, avaliadas em aproximadamente US$ 36,6 bilhões.
A posição passou a superar a participação da Coca-Cola, avaliada em US$ 35,1 bilhões, mas ainda fica atrás das duas maiores apostas do conglomerado: Apple, com US$ 69,7 bilhões, e American Express, com US$ 51,9 bilhões.
De acordo com análise da CNBC, a compra reforça uma mudança gradual na carteira da Berkshire, historicamente associada a empresas tradicionais, mas que nos últimos anos ampliou sua exposição a companhias ligadas à tecnologia.
Berkshire aproveitou venda privada e mercado aberto
Cerca de 60% das 48,1 milhões de ações da Alphabet adquiridas no trimestre vieram de uma operação privada de US$ 10 bilhões anunciada pelas duas empresas no início de junho.
Isso indica que a Berkshire comprou aproximadamente US$ 7 bilhões em ações da Alphabet diretamente no mercado, segundo estimativas.
Além da Alphabet, a Berkshire também ampliou outras posições no trimestre. A participação na Delta Air Lines cresceu 44%, ou cerca de US$ 1,6 bilhão.
A empresa passou a deter aproximadamente 57,3 milhões de ações da companhia aérea, avaliadas em US$ 5,1 bilhões.
A Delta havia retornado à carteira da Berkshire no primeiro trimestre, de acordo com informações da CNBC. A companhia aérea e outras empresas do setor haviam sido vendidas por Buffett em 2020, durante o colapso das viagens provocado pela pandemia de Covid-19.
Na época, Buffett afirmou que seus investimentos em companhias aéreas não haviam funcionado como esperado. Em carta aos acionistas de 2007, o investidor chegou a dizer que, se um “capitalista visionário” estivesse presente no primeiro voo dos irmãos Wright, teria feito um favor aos sucessores ao impedir o nascimento da indústria aérea.
Berkshire reduz exposição a bancos
Enquanto aumentou a exposição à Alphabet, a Berkshire continuou reduzindo participações em empresas financeiras.
No segundo trimestre, o conglomerado cortou sua posição na Ally Financial em 7% e reduziu a participação na Capital One em 58%.
A posição no Bank of America caiu menos, com redução de 5,9%. Porém, pelo tamanho da participação, a venda representou a maior redução em valor absoluto do trimestre: cerca de US$ 1,7 bilhão.
Ao todo, a Berkshire reduziu sua participação no Bank of America em 53% após oito trimestres consecutivos de vendas.
Michael Burry critica estratégia de Greg Abel
A mudança na gestão também passou a ser questionada por alguns investidores conhecidos.
Michael Burry, investidor que ficou famoso por apostar contra o mercado imobiliário americano antes da crise de 2008, criticou a forma como Greg Abel tem administrado o caixa da Berkshire.
Em uma publicação no Substack, Burry afirmou que seu “maior medo” era que o sucessor de Buffett não tivesse a mesma paciência do investidor para esperar grandes oportunidades de compra.
“Agora acredito que esse medo se tornou realidade”, escreveu.
Segundo Burry, a Berkshire continua com uma grande reserva de caixa — cerca de US$ 360 bilhões —, mas os primeiros movimentos de Abel parecem mais voltados para ajustes de estrutura do que para grandes investimentos.
Apesar das críticas, Burry afirmou que não está recomendando vender ou apostar contra as ações da Berkshire.
A paciência foi uma das marcas da estratégia de Buffett ao longo das décadas. O investidor costuma comparar sua abordagem ao beisebol: esperar o momento certo para rebater uma oportunidade muito favorável.
Em entrevista ao New York Times em 2007, Buffett afirmou que uma das vantagens de investir é não precisar agir em todas as oportunidades.
