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Sacre Investimentos
Mundo
03/09/2026
4 min

US$ 40 trilhões: por que a maior dívida dos EUA não virou tema político

Com cifra equivalente a US$ 117 mil por habitante dos EUA, disparada da dívida americana é preocupante, mas não ganha tração no debate político

US$ 40 trilhões: por que a maior dívida dos EUA não virou tema político

A dívida pública dos Estados Unidos atingiu US$ 40 trilhões, em um cenário de déficits persistentes que começam a pressionar cada vez mais as contas do governo. Para o Council on Foreign Relations (CFR), a dimensão do problema contrasta com a pouca atenção que o tema tem recebido no debate político, especialmente às vésperas das eleições de meio de mandato, programadas para novembro.

A cifra equivale a aproximadamente US$ 117 mil por pessoa que vive nos Estados Unidos. A relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB) chegou a 125%, superando inclusive o nível registrado durante a Segunda Guerra Mundial.

Naquele período, o enorme esforço de gastos para financiar o conflito levou a dívida americana a atingir cerca de 106% do PIB. Agora, porém, o país alcança um patamar ainda maior devido, aponta o estudo, à extravagância política.

O déficit também permanece elevado. O Congressional Budget Office (CBO) — entidade não-partidária do legislativo americano que fornece ao governo dados fiscais e orçamentários — projeta que o governo federal encerrará o ano fiscal em setembro com um rombo de US$ 2,1 trilhões, equivalente a cerca de 6% do PIB.

Avanço da dívida

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Dívida federal americana já ultrapassa os US$ 40 trilhões ( user3222645/Freepik)

O cenário chama a atenção porque ocorre em um período próximo do pleno emprego, quando, em tese, as receitas do governo deveriam contribuir para a melhora das contas públicas. Em vez disso, o déficit continua ampliando o endividamento federal.

Segundo o CFR, a dívida nacional dobrou na última década e quadruplicou em menos de 20 anos: o artigo revela que cerca de metade da dívida americana foi acumulada desde a primeira eleição de Donald Trump, em 2016, enquanto aproximadamente 75% surgiu desde a primeira eleição de Barack Obama, em 2008.

O custo desse endividamento já se manifesta de forma significativa no orçamento. O governo americano deverá gastar pouco mais de US$ 1 trilhão neste ano apenas com o pagamento de juros da dívida, um valor semelhante ao destinado à defesa nacional.

O avanço dos juros tende a intensificar a disputa por recursos no orçamento federal. Projeções da Peterson Foundation citadas no estudo indicam que os pagamentos de juros podem mais do que dobrar ao longo da próxima década, reduzindo o espaço para outras prioridades do governo.

O risco é agravado pela recente alta dos rendimentos dos títulos de longo prazo do Tesouro americano.

O movimento sugere que investidores podem estar exigindo uma remuneração mais alta diante das preocupações quanto à trajetória fiscal dos Estados Unidos. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, tentou conter essa pressão ao ampliar o programa de recompra de títulos do governo.

A medida provocou uma breve queda nas taxas de juros, mas os rendimentos voltaram a subir posteriormente.

Para o investidor Stanley Druckenmiller, porém, uma política fiscal confiável teria um efeito muito maior sobre os juros de longo prazo do que as operações de recompra de títulos. A avaliação reforça a percepção de que o problema central está na trajetória dos gastos e dos déficits.

Um problema que passa despercebido

Cúpula do Congresso dos EUA, com a bandeira americana

Cúpula do Congresso dos EUA, com a bandeira americana: apesar do tamanho da dívida, pauta ganha pouco espaço no debate público, mesmo às vesperas das eleições de meio mandato (Ken Cedeno/AFP)

Apesar da dimensão do problema, a dívida perdeu espaço no debate político americano. O CFR observa que candidatos e eleitores demonstram pouco interesse pelo tema, enquanto questões como os preços dos combustíveis, a inteligência artificial, os data centers e a segurança nacional dominam a agenda.

Uma pesquisa recente da Gallup mostrou que apenas 2% dos americanos consideram a dívida nacional e o déficit federal os principais problemas do país. A baixa preocupação popular reduz a pressão sobre os políticos para que apresentem medidas capazes de conter o crescimento do endividamento.

O risco, segundo o estudo, reside na possibilidade de que a falta de ação seja sustentável apenas até certo ponto.

Enquanto o governo continuar aumentando os gastos e apostando em um crescimento econômico futuro para equilibrar as contas, a dívida seguirá crescendo e poderá se transformar em uma restrição cada vez maior à política fiscal americana.

AutorMatheus Gonçalves
FonteExame
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