US$ 5 trilhões em jogo: Walmart abre a loja para robôs, e a Amazon foi à Justiça para barrá-los
Disputa entre as varejistas antecipa uma decisão que chega a todo conselho: abrir ou fechar a empresa aos agentes

O Walmart vai permitir que agentes de inteligência artificial pesquisem produtos e concluam compras em nome de seus clientes. A Amazon, como resposta, foi à Justiça americana para impedir que o agente de compras da Perplexity operasse em sua loja.
Em disputa está um mercado que, segundo a McKinsey, pode movimentar entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões no mundo até 2030.
A diferença entre as duas estratégias vai além do varejo. Ela mostra como empresas de qualquer setor terão de decidir, em breve, se tratam robôs como clientes, parceiros ou ameaças.
Como vai funcionar o sistema do Walmart
A peça central é o Agent Gateway. Trata-se de um servidor construído sobre o Model Context Protocol, o MCP, que conecta agentes aprovados, entre eles ChatGPT, Gemini e Muse, da Meta, aos estoques do Walmart e do Sam’s Club. O MCP é um padrão aberto criado pela Anthropic para permitir que agentes de IA acessem ferramentas e dados externos.
A justificativa é operacional. Hoje, os agentes compram no Walmart por meio de um site feito para pessoas, o que a própria empresa descreve como lento e sujeito a erros. Com o gateway, o robô ganha acesso direto ao catálogo e ao checkout.
A partir do mês que vem, os Perfis de Agente darão a cada assistente de IA um perfil próprio dentro da conta do cliente. As compras feitas pelo agente aparecem separadas das demais, e o consumidor pode exigir aprovação para cada transação ou definir um limite de gastos. As ferramentas estarão disponíveis para todos os titulares de conta, sem necessidade de assinatura do Walmart+.
O controle sobre dados foi tratado como prioridade. Se um cliente costuma comprar determinada marca de leite, o Walmart ajuda o agente a encontrar o item habitual sem compartilhar com ele o histórico completo de compras.
A varejista também criou regras para os próprios robôs. Os agentes não podem acessar dados de cartão de pagamento, só podem usar as informações necessárias para a tarefa e não podem ir além da intenção do comprador. Quem descumprir os termos será bloqueado.
O processo de devolução vale mesmo quando o agente erra, e os robôs veem os mesmos preços oferecidos aos clientes humanos.
Por que a Amazon escolheu o caminho oposto
A principal concorrente do Walmart preferiu fechar a porta. Em novembro de 2025, a Amazon processou a Perplexity em um tribunal federal da Califórnia para impedir que o agente do navegador Comet fizesse compras em seu site. Neste ano, a Justiça americana concedeu à Amazon uma liminar que obriga a startup a interromper o acesso de seus agentes à plataforma enquanto o processo segue.
A empresa também bloqueou o ChatGPT de fazer compras em sua loja e atualizou seu contrato com vendedores para exigir, desde 4 de março de 2026, que todo agente de IA se identifique ao acessar seus serviços.
Há um motivo de negócio por trás da postura. Agentes de compra pulam uma etapa essencial do modelo de plataformas como a Amazon: a busca, momento em que os anunciantes pagam para aparecer. Em 2025, a empresa faturou US$ 68,6 bilhões com publicidade.
