Usiminas no topo, CSN na lanterna: o melhor e o pior do Ibovespa no 1º semestre

O primeiro semestre de 2026 foi uma montanha-russa para o Ibovespa. O principal índice da bolsa brasileira chegou muito perto dos 200 mil pontos e bateu uma marca histórica. Na máxima, em 14 de abril, alcançou 199.355 pontos e acumulava alta de mais de 23% no ano. Nesta terça-feira, 30, bem distante do pico, o índice fechou com pouco mais de 172 mil pontos — valorização de 6,77% em 2026.
A permanência de um cenário de juros elevados, com cortes modestos na Selic e expectativa de interrupção no ciclo de alívio monetário, pesa contra o mercado acionário. O movimento de rotação global que deu fôlego ao Ibovespa nos primeiros meses do ano se inverteu à medida que a tese de inteligência artificial voltou a ganhar força nos Estados Unidos. O fluxo estrangeiro na B3 segue positivo, em R$ 32,88 bilhões no acumulado até 26 de junho — mas é menos que a metade do pico de R$ 69 bilhões registrado em abril. Nos últimos 60 dias dessa série histórica, o fluxo ficou negativo em R$ 18,3 bilhões.
Veja, a seguir, as ações do Ibovespa que mais se valorizaram — e as que mais caíram — no primeiro semestre do ano.
As 5 maiores altas do Ibovespa no primeiro semestre de 2026
01. Usiminas (USIM5)
As ações da siderúrgica subiram 42% no acumulado dos primeiros seis meses do ano. Por trás da recuperação da Usiminas há uma mudança estrutural no mercado brasileiro de aço plano. Entre o fim de 2025 e o início de 2026, o governo brasileiro implementou uma série de medidas antidumping voltadas principalmente às importações chinesas, com tarifas de até US$ 600 por tonelada para produtos como aço laminado a frio, galvanizado e pré-pintado. O governo também elevou alíquotas de importação de 10,8% para 25% em outros produtos siderúrgicos. O resultado foi imediato: as importações de aço plano caíram 42% em abril, e a participação da China no mercado brasileiro recuou de 69% para 46%, segundo o Goldman Sachs.
02. Copasa (CSMG3)
A ação avançou 37% no ano, puxada quase inteiramente pela privatização da estatal mineira. A oferta foi concluída em 16 de junho, movimentando cerca de R$ 8,4 bilhões, com as ações saindo a R$ 49,03 e a Equatorial assumindo 30% do capital como acionista de referência.
03. Eneva (ENEV3)
A ação avançou cerca de 32,61% no semestre, apoiada principalmente por seu desempenho no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP 2026). A Eneva contratou 5,06 GW no certame, levando seu portfólio a superar 10 GW — movimento que o JP Morgan classificou como capaz de destravar mais de 10% do valor presente líquido da companhia em uma única alocação de capital, elevando o preço-alvo da ação de R$ 21 para R$ 29,50.
04. Petrobras (PETR3)
A ação avançou cerca de 31% no ano, mas fechou o semestre bem longe do pico. O papel chegou à casa dos R$ 50 no auge do conflito entre Israel e Irã, antes de recuar para perto de R$ 43 com o arrefecimento da guerra e o tombo do Brent, que voltou aos níveis pré-guerra. O balanço do primeiro trimestre ajudou a sustentar parte da alta: a Petrobras reportou lucro líquido de R$ 32,663 bilhões no 1T26, alta de 109,9% na comparação trimestral, com anúncio de R$ 9,03 bilhões em dividendos. A companhia também bateu recordes de produção no período, com 4,65 milhões de barris de óleo equivalente por dia operados.
05. PRIO (PRIO3)
A ação acumula alta de cerca de 26% no ano, mas também fechou o semestre longe do pico, quando chegou a se aproximar dos R$ 70 durante a escalada do conflito no Oriente Médio. Em relação aos números da companhia, o primeiro trimestre foi um dos melhores da história da PRIO: lucro líquido de US$ 460 milhões (+33% na base anual), Ebitda ajustado de US$ 852 milhões (+91%) e produção média recorde de 155,4 mil barris por dia, impulsionada pelo início da produção no campo de Wahoo.
As 5 maiores baixas do Ibovespa no primeiro semestre de 2026
01. CSN (CSNA3)
A CSNA3 acumula queda de cerca de 48% no ano, pressionada pela combinação de endividamento elevado, queda do minério de ferro e impacto das importações de aço chinês. O balanço do quarto trimestre de 2025 escancarou o problema: dívida líquida de R$ 41,2 bilhões e alavancagem de 3,5 vezes dívida líquida/Ebitda. O resultado do primeiro trimestre de 2026 trouxe melhora marginal — com o prejuízo recuando de R$ 732 milhões para R$ 555 milhões —, mas a geração de caixa seguiu pressionada. A saída encontrada pelo grupo é a venda de ativos: o plano avança em duas frentes — a alienação da divisão de cimentos, disputada por grupos brasileiros e chineses, e a venda de participação na ferrovia MRS Logística, no Grupo Tora e em terminais portuários no Rio de Janeiro. Com R$ 28 bilhões em dívidas vencendo até 2028, a tese tornou-se binária: ou a gestão entrega os desinvestimentos, ou o papel segue pressionado.
02. Magazine Luiza (MGLU3)
O Magalu acumula queda de cerca de 47,3% no ano, pressionado por uma combinação de Selic elevada, queda no e-commerce e competição acirrada no marketplace. Os juros seguiram como principal vilão: as despesas financeiras líquidas cresceram 16,5% na comparação anual, reflexo direto da Selic subindo de 12,25% para 15%. O resultado reverteu o lucro do mesmo período do ano anterior em prejuízo de R$ 55,2 milhões, com as vendas digitais caindo 11% e o marketplace recuando 14,3%. O único alívio veio das lojas físicas, que cresceram 7%. A administração afirma estar priorizando margens e disciplina financeira, recusando-se a "participar de irracionalidades" na disputa por preços no online.
03. Minerva (BEEF3)
BEEF3 acumula queda de cerca de 36% no ano, pressionada pela piora no ciclo pecuário — com menor oferta de gado após três anos de abate acelerado —, pela imposição de cotas de importação pela China e pela alavancagem elevada em um cenário de juros altos. O Itaú BBA cortou a recomendação e o preço-alvo pela metade, alertando que o valor de mercado da companhia representa apenas 25% do enterprise value, o que faz qualquer variação no câmbio, no preço do boi ou nas margens produzir impactos desproporcionais na ação. No meio da derrocada, surgiram rumores de que os controladores avaliavam fechar o capital via OPA — o que a empresa negou em fato relevante enviado à CVM.
04. MRV (MRVE3)
MRVE3 acumula queda de cerca de 32% no ano, penalizada principalmente pela Selic elevada — que encarece o crédito imobiliário e comprime as margens financeiras — e pela aceleração dos custos de construção, que pressionam a rentabilidade mesmo com o programa Minha Casa, Minha Vida em ritmo forte. O balanço do primeiro trimestre reforçou o pessimismo: prejuízo consolidado de R$ 77,6 milhões, bem abaixo do lucro que o mercado esperava, com fluxo de caixa ainda negativo na operação brasileira.
05. Vivara (VIVA3)
VIVA3 acumula queda 31,77% no ano, penalizada principalmente pela disparada do ouro e da prata — seus principais insumos. Os metais chegaram a acumular altas de 80% a 160% desde o início das tensões geopolíticas, pressionando custos e comprimindo margens em um movimento que analistas da XP classificam como desafio estrutural, não choque temporário. No primeiro trimestre, a receita cresceu quase 11%, mas o lucro caiu 28%, pressionado por despesas financeiras mais altas, menor subvenção fiscal da fábrica de Manaus e custos operacionais maiores. O recuo recente dos metais — o ouro cedeu mais de 10% em junho e a prata perdeu mais de 20% no mês — deve trazer algum alívio nos próximos trimestres, mas com defasagem.
