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MercadosCMDT
14/10/2026
4 min

Usinas podem não lucrar como esperado com açúcar a US$ 0,21; entenda o alerta do gestor Werner Roger

A alta do açúcar no mercado internacional, com as cotações próximas de US$ 0,21 por libra-peso, pode não se traduzir integralmente em ganhos para as usinas brasileiras. Ao mesmo tempo em que problemas climáticos ameaçam reduzir a oferta global, empresas que fixaram antecipadamente os preços de parte da produção podem deixar de capturar uma parcela […]

Usinas podem não lucrar como esperado com açúcar a US$ 0,21; entenda o alerta do gestor Werner Roger

A alta do açúcar no mercado internacional, com as cotações próximas de US$ 0,21 por libra-peso, pode não se traduzir integralmente em ganhos para as usinas brasileiras. Ao mesmo tempo em que problemas climáticos ameaçam reduzir a oferta global, empresas que fixaram antecipadamente os preços de parte da produção podem deixar de capturar uma parcela da valorização da commodity, avalia Werner Roger, sócio-fundador e CIO da Trígono Capital.

O contrato de açúcar bruto com vencimento em março de 2027 recuava 0,62%, a US$ 0,2098 por libra-peso, por volta das 11h38 desta quarta-feira (14), na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), após ter se aproximado de US$ 0,21 no pregão anterior. Em 7 de outubro, a commodity havia atingido máxima intradiária de US$ 0,2124 por libra-peso, o maior nível em 19 meses.

A situação da safra brasileira preocupa o analista, que aponta o excesso de chuvas como um dos principais fatores de risco. A umidade elevada dificulta a entrada das máquinas no campo, atrasa a colheita e pode comprometer o aproveitamento da cana-de-açúcar.

“A situação vai piorando, porque continua muito úmido e as máquinas não conseguem colher”, afirma Roger. Segundo ele, as perdas podem ir além da safra atual, já que a cana que permanece no campo pode não ser aproveitada adequadamente e também trazer consequências para o ciclo seguinte.

China soja werner roger
Werner Roger, CIO da Trígono Capital (Imagem: Reprodução)

O analista menciona uma possível redução de aproximadamente 4,5 milhões de toneladas na produção de açúcar caso os problemas persistam. O volume, porém, representa um cenário de risco levantado por Roger, e não uma estimativa consolidada para a safra.

Oferta global de açúcar também preocupa

A perspectiva de menor produção brasileira ganha importância diante das dificuldades enfrentadas por outros grandes produtores. Roger cita Índia e Tailândia como países que também apresentam problemas, o que pode limitar a capacidade de compensar uma eventual quebra no Brasil. Na Europa, as condições climáticas também preocupam em razão dos possíveis efeitos sobre a produção de açúcar de beterraba.

Para o analista, as projeções que apontavam crescimento da produção global e aumento dos estoques podem precisar de revisão. “Todo mundo esperava aumento da produção, então produção maior, aumento de estoque. Todo mundo errou”, afirma, ao criticar as estimativas de consultorias que, em sua avaliação, não incorporaram adequadamente os riscos climáticos.

Nesse cenário, Roger considera que o mercado pode enfrentar um déficit relevante de açúcar no próximo ano. “O déficit vai ser importante”, diz. A avaliação depende, contudo, da evolução das chuvas, do encerramento da moagem brasileira e do desempenho das safras nos demais países produtores.

Mais cana pode ir para o etanol

As dificuldades no campo também podem alterar a destinação da matéria-prima pelas usinas. Segundo Roger, as condições de colheita e a menor recuperação de açúcar podem favorecer uma produção relativamente maior de etanol, reduzindo a disponibilidade do adoçante no mercado.

O analista também cita o aumento do consumo de etanol, a perspectiva de crescimento das exportações e a valorização do petróleo como fatores que podem influenciar a dinâmica dos combustíveis. As incertezas geopolíticas envolvendo o Irã, a Arábia Saudita e as refinarias russas acrescentam volatilidade às perspectivas para o mercado de energia.

A combinação desses fatores pode reforçar a disputa entre açúcar e etanol pela cana disponível. Se a oferta global de açúcar se mostrar mais restrita do que o esperado, a pressão sobre os preços poderá persistir.

Hedge pode limitar ganhos das usinas

Apesar da valorização do açúcar, nem todas as empresas do setor devem aproveitar o movimento na mesma proporção. Roger chama a atenção para as usinas que fixaram antecipadamente os preços de parte da produção em níveis entre US$ 0,16 e US$ 0,18 por libra-peso.

Com as cotações próximas de US$ 0,21, essas companhias podem deixar de capturar parte do ganho potencial que teriam caso mantivessem maior exposição aos preços de mercado.

“Não é um alívio tão bom quanto poderia ser, especialmente para quem fez hedge muito cedo e muito grande, com um preço muito baixo”, afirma Roger.

O impacto depende do volume de açúcar protegido, dos preços contratados e da estratégia comercial de cada companhia. A fixação antecipada não significa necessariamente prejuízo: ela também protege as usinas contra quedas de preços. O ponto levantado pelo analista é que, em um cenário de valorização, o hedge pode limitar o ganho adicional em relação ao preço corrente.

Roger também destaca que a marcação a mercado dos contratos pode afetar os resultados financeiros das empresas, embora o efeito efetivo dependa das características das operações e de seu tratamento contábil.

AutorPasquale Augusto
FonteMoney Times
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