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BrasilMPOL
04/10/2026
5 min

Vai ter pesquisa boca de urna nas eleições 2026? Entenda como funciona

Pelo segundo pleito consecutivo, eleitores não terão uma projeção baseada em entrevistas na saída das urnas; apuração oficial do TSE e alto custo do levantamento ajudam a explicar o fim da tradição

Vai ter pesquisa boca de urna nas eleições 2026? Entenda como funciona
RESUMO +

As eleições de 2026 não terão pesquisa nacional de boca de urna no primeiro turno, repetindo o cenário de 2022. A rapidez da apuração oficial, que pode começar a ser divulgada pelo TSE a partir das 17h, e o custo elevado para realizar milhares de entrevistas reduziram a utilidade desse tipo de levantamento. Sem a boca de urna, os eleitores poderão acompanhar diretamente os resultados oficiais conforme os votos forem totalizados pela Justiça Eleitoral.


Quem acompanhar as eleições de 2026 neste domingo, 4, pode estranhar a ausência de um elemento que durante anos fez parte da cobertura eleitoral: a pesquisa de boca de urna. No primeiro turno deste ano, não haverá esse tipo de levantamento nacional — repetindo o que aconteceu em 2022. Mas por que a boca de urna deixou de ser feita?

A principal explicação está na velocidade da apuração oficial. Desde 2022, a votação acontece das 8h às 17h pelo horário de Brasília em todo o país. Com o encerramento unificado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode começar a divulgar os resultados a partir das 17h, à medida que os votos são totalizados.

Isso diminuiu o tempo em que uma pesquisa de boca de urna conseguiria oferecer uma informação que ainda não estivesse disponível na apuração oficial.

O que é uma pesquisa de boca de urna?

A pesquisa de boca de urna é um levantamento realizado com eleitores depois que eles deixam o local de votação. Os entrevistadores perguntam em quem a pessoa votou e, a partir de milhares de respostas, os institutos fazem uma projeção do resultado.

O processo, porém, não termina na entrevista. É preciso coletar as respostas, organizar e processar os dados, aplicar os cálculos estatísticos e preparar a divulgação.

Tudo isso precisa acontecer em poucas horas — e, desde 2022, os institutos passaram a disputar esse tempo com uma apuração oficial cada vez mais rápida.

O TSE consegue chegar ao resultado antes?

Assim que a votação termina, as urnas eletrônicas emitem os chamados Boletins de Urna, que registram os votos daquela seção. Os dados são então encaminhados aos sistemas da Justiça Eleitoral para a totalização.

Como todas as seções seguem o mesmo horário de votação pelo horário de Brasília, a totalização pode começar simultaneamente em todo o país. Nas eleições de 2026, o TSE prevê a divulgação dos resultados a partir das 17h.

Com isso, a boca de urna pode perder sua principal função: antecipar uma tendência antes que os números oficiais apareçam.

Em 2022, Márcia Cavallari, então diretora do Ipec, explicou que o levantamento tinha custo elevado e exigia uma grande quantidade de entrevistadores e entrevistas. O problema era que, quando a primeira parcial do TSE fosse divulgada, ela poderia já reunir mais votos contabilizados do que uma pesquisa conseguiria alcançar em sua amostra.

E quanto custa fazer uma boca de urna?

Para ter uma amostra representativa de um país inteiro, o instituto precisa colocar uma grande estrutura nas ruas.

São necessários muitos entrevistadores, milhares de entrevistas e uma operação de coleta, processamento e análise de dados. Tudo isso para produzir um resultado que pode perder sua utilidade poucos minutos depois, quando os números oficiais começam a avançar.

Por isso, além da velocidade da apuração, existe uma questão de custo-benefício: quanto vale investir em uma operação tão grande se a Justiça Eleitoral consegue apresentar dados oficiais rapidamente?

A boca de urna já estava desaparecendo antes de 2022

O fim desse tipo de pesquisa não começou com o horário unificado.

A boca de urna já vinha perdendo espaço entre os grandes institutos há décadas. O Datafolha, por exemplo, deixou de realizar esse tipo de levantamento para disputas presidenciais em 1998.

Um dos últimos exemplos de grande repercussão aconteceu em 2018. Naquele ano, o então Ibope foi o único grande instituto a divulgar uma pesquisa nacional de boca de urna no segundo turno da eleição presidencial.

O levantamento entrevistou 30 mil eleitores e projetou 56% dos votos para Jair Bolsonaro e 44% para Fernando Haddad. O resultado oficial acabou sendo de 55,13% a 44,87%, respectivamente.

O caso mostra como a pesquisa pode chegar perto do resultado oficial, mas também evidencia a dimensão da estrutura necessária para produzir uma estimativa desse tipo.

Então não haverá resultado no domingo?

Haverá — e a diferença é importante.

Não ter pesquisa de boca de urna não significa não ter apuração. A partir das 17h, o eleitor poderá acompanhar a divulgação dos resultados oficiais conforme os votos forem totalizados pelo TSE.

Ou seja: em vez de uma estimativa baseada nas respostas de uma amostra de eleitores, o público poderá acompanhar diretamente os votos efetivamente contabilizados pela Justiça Eleitoral.

Boca de urna também é nome de crime eleitoral?

Sim, mas são coisas completamente diferentes.

A pesquisa de boca de urna é um levantamento estatístico feito com eleitores depois da votação.

Já o crime de boca de urna é a tentativa de influenciar a escolha do eleitor no dia da eleição. Pedir votos, distribuir propaganda eleitoral ou abordar eleitores para tentar convencê-los a votar em determinado candidato são condutas proibidas no dia da votação e podem caracterizar o crime.

Apesar de terem o mesmo nome, portanto, uma coisa não tem relação com a outra.


AutorClarissa Palácio
FonteExame
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