Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
MercadosACSBDR
11/08/2026
4 min

Vale comprar Ibovespa agora, mesmo com incertezas no curto prazo? Estrategista da Santander Corretora enxerga uma oportunidade

A bolsa brasileira, a B3, enfrenta alguns desafios na reta final do ano: incertezas com a credibilidade de um ajuste fiscal, trade eleitoral com a proximidade das eleições para a Presidência da República e juros nominais e reais elevados. Neste contexto, o que ainda torna a bolsa atrativa para compra? Um fator é consenso entre […]

Vale comprar Ibovespa agora, mesmo com incertezas no curto prazo? Estrategista da Santander Corretora enxerga uma oportunidade

A bolsa brasileira, a B3, enfrenta alguns desafios na reta final do ano: incertezas com a credibilidade de um ajuste fiscal, trade eleitoral com a proximidade das eleições para a Presidência da República e juros nominais e reais elevados. Neste contexto, o que ainda torna a bolsa atrativa para compra?

Um fator é consenso entre os analistas do mercado para recomendar a compra: o desconto no valuation do principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa (IBOV).

Em entrevista ao Money Times, Ricardo Peretti, estrategista de ações da Santander Corretora, afirma que o cenário hoje é de recomendação de compra do Ibovespa, devido à assimetria favorável para o índice.

Segundo Peretti, o IBOV hoje negocia com um múltiplo de preço em relação ao lucro (P/L) para os próximos 12 meses de 8,4 vezes, enquanto a média do índice é de 10,5 vezes o P/L. É um desconto no valuation de cerca de 20% em relação à média histórica, calcula o estrategista.

Na máxima nominal histórica, o Ibovespa alcançou os 199.354,81 pontos em 14 de abril de 2026. No entanto, o movimento logo perdeu força, quando o mercado reprecificou a curva de juros com o conflito no Oriente Médio, explica Peretti.

O cenário da corretora é de mais um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, o que levaria o juro básico para 13,75% ao ano. “De setembro adiante é uma incógnita a trajetória de juros, com a incerteza eleitoral e as dúvidas quanto ao fiscal no governo a partir de 2027”, afirma o estrategista. “Esses são fatores que podem impedir que a bolsa fique mais atraente.”

Ainda assim, a expectativa de Peretti é de que, lá na frente, haja um “catch-up” do investidor na bolsa brasileira, levando em conta o desconto do valuation. A Santander Corretora tem preço-alvo de 195 mil pontos para o Ibovespa ao final de 2026, com assimetria para cima, segundo o estrategista da casa.

“Na minha opinião, o risco é para cima na previsão. O mercado entende que os juros devem ficar elevados por mais tempo, e que o cenário eleitorial deve ficar ‘por ali’, com um candidato na frente do outro. O cenário não é dos melhores, mas ele já está bem precificado”, diz.

Mas, no curto prazo, o Ibovespa tem uma história muito diferente. Para Peretti, faltam catalisadores para a bolsa brasileira nos próximos três meses, que oscila no intervalo entre 170 mil e 180 mil pontos.

E o gringo?

Depois de um começo de ano muito forte, com entrada do estrangeiro concentradas em janeiro e fevereiro, o fluxo de investidores gringos perdeu força a partir de março, com o conflito no Oriente Médio, e passou a registrar saída líquida em maio e junho.

Em julho, porém, o cenário mudou: os investidores externos injetaram um saldo líquido de R$ 3,3 bilhões na B3. No acumulado do ano até o mês passado, o ingresso líquido do estrageiro era de R$ 41,04 bilhões.

“Chegamos à conclusão de que o gringo dá o benefício da dúvida para a bolsa brasileira em níveis atrativos”, avalia Peretti. Mesmo com os juros nominais e reais elevados, isso não parece afastar o investidor estrangeiro.

Rali de IA mais fraco ajuda?

O estrategista da Santander Corretora considera que os movimentos recentes do S&P 500 e o Nasdaq ainda não configuram uma saída do investidor da tese de inteligência artificial (IA). O Nasdaq, índice fortemente ligado a empresas de tecnologia, registrou o segundo mês consecutivo de perdas em julho.

Caso o rali de IA perca força, isso pode beneficiar a bolsa brasileira, que é considerada uma “válvula de escape” no tema de tecnologia, caso os investidores internacionais precisem rotacionar um pouco, diz Peretti.

“Nesse cenário, a B3 deveria ser uma das principais bolsas emergentes a capturar esse movimento de perda de tração. Os resultado das empresas de IA, no entanto, ainda está forte”, avalia.

Ele aponta, porém, que caso diversas empresas do setor de inteligência artificial apresentem resultados fracos, isso também poderia pesar negativamente no desempenho do Ibovespa.

Considerado um dos importantes termômetros para a tese de investimentos em IA, o balanço do segundo trimestre de 2026 da fabricante de chips Nvidia deve ser divulgado em 26 de agosto, depois do fechamento do mercado.

Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.
AutorAnna Scabello
FonteMoney Times
Distribuído por