Vale tem melhor 2º tri de produção em oito anos, mas perde prêmio no minério

A Vale (VALE3) registrou no segundo trimestre de 2026 sua maior produção de minério de ferro para o período desde 2018. Foram 84,3 milhões de toneladas, alta de 0,8% em relação ao mesmo intervalo do ano passado, segundo relatório de produção e vendas divulgado nesta terça-feira, 21.
O desempenho foi sustentado pelo recorde no complexo S11D, no Pará, que produziu 23,4 milhões de toneladas no trimestre, avanço de 2,5 milhões de toneladas na comparação anual. Também contribuíram os volumes adicionais dos projetos Capanema e VGR1, que seguem em ramp-up (fase de aceleração).
As vendas de minério de ferro somaram 79,7 milhões de toneladas, crescimento de 3,1% em um ano. Segundo a companhia, o resultado reflete a venda de estoques formados em períodos anteriores e o aumento da produção.
O preço médio realizado dos finos de minério de ferro ficou em US$ 95 por tonelada, alta de 11,6% na comparação anual, mas leve queda de 0,8% frente ao primeiro trimestre. O prêmio all-in, ajustado pelo índice de preço 61%Fe, foi de US$ 4,4 por tonelada, recuo de US$ 1,8 na base trimestral, pressionado pela maior participação de produtos de médio teor no mix de vendas.
No acumulado do primeiro semestre, a produção de minério de ferro chegou a 153,9 milhões de toneladas, alta de 1,8%. A Vale manteve a projeção de produzir entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas em 2026.
Sistemas mineiros e pelotas
Por região, o Sistema Sudeste foi o destaque, com crescimento de 3,3 milhões de toneladas, para 24,3 milhões, puxado por Capanema, pela maior produtividade em Alegria e pela retomada de Água Limpa. O Sistema Norte recuou 1,7 milhão de toneladas, para 39,6 milhões, com menor disponibilidade de run-of-mine em Serra Norte. O Sistema Sul caiu 1,0 milhão de toneladas, para 12,1 milhões, refletindo a paralisação total das operações de Fábrica e Viga desde janeiro.
A produção de pelotas somou 7,3 milhões de toneladas, queda de 7% em um ano. O recuo se deve à suspensão temporária das plantas de Omã, em decorrência do conflito no Oriente Médio e das restrições logísticas associadas. A produção no país foi parcialmente retomada no fim de junho. As vendas de pelotas, no entanto, cresceram 3,5%, para 7,7 milhões de toneladas, com preço médio de US$ 137,0 por tonelada.
Recorde no cobre
A produção de cobre totalizou 98,4 mil toneladas no trimestre, alta de 6,3% na comparação anual e o melhor segundo trimestre da companhia desde 2017. O metal é hoje uma das maiores apostas de crescimento da mineradora, que quer pelo menos dobrar sua capacidade de produção nos próximos anos.
O resultado foi puxado pelos ativos brasileiros. Salobo, em Carajás, teve produção recorde para um segundo trimestre, de 52,4 mil toneladas. Sossego produziu 25,9 mil toneladas, o melhor desempenho para o período desde 2017, com as operações maximizadas antes da reforma programada de 110 dias do moinho SAG, que começa em agosto.
A região de Carajás concentra os planos de expansão da companhia em ferro e cobre.
No Canadá, a produção caiu 1,5 mil toneladas, para 20,1 mil, por causa da manutenção programada das instalações de Sudbury.
O preço médio realizado do cobre saltou 56,5% em um ano, para US$ 14.062 por tonelada, refletindo as cotações mais altas na LME (bolsa de metais). A valorização do metal já vinha impulsionando os resultados da divisão de metais básicos da Vale, vista por analistas como um vetor de reavaliação das ações da companhia em meio à corrida global pelos metais da transição energética.
Níquel cresce com Onça Puma
A produção de níquel somou 42,0 mil toneladas, alta de 4,2% na comparação anual e o melhor segundo trimestre desde 2020. O avanço foi impulsionado por Onça Puma, no Pará, que produziu 9,4 mil toneladas, quase o dobro de um ano antes e recorde para o período, com o desempenho sólido do segundo forno. A refinaria de Long Harbour, no Canadá, também teve produção trimestral recorde.
Esses ganhos compensaram o impacto da manutenção bienal programada das instalações de Sudbury. As vendas de níquel totalizaram 44,4 mil toneladas, alta de 7,2%, acima da produção, com redução de estoques para atender compromissos durante as paradas. O preço médio realizado foi de US$ 18.061 por tonelada, avanço de 14,3% em um ano.
No semestre, a produção de cobre acumula alta de 9,4%, para 200,7 mil toneladas, e a de níquel cresce 8,4%, para 91,3 mil toneladas. A Vale manteve as projeções de 2026 para os dois metais, de 350 mil a 380 mil toneladas de cobre e de 175 mil a 200 mil toneladas de níquel.
