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31/07/2026
4 min

Vale (VALE3) enxerga queda da dívida abrindo espaço para mais dividendos

Depois de anunciar a distribuição de R$ 2,03 por ação em juros sobre capital próprio (JCP) e dividendos, além de um novo programa de recompra de até 100 milhões de ações, a Vale (VALE3) procurou reforçar aos investidores que continua enxergando espaço para remunerar seus acionistas, mesmo após revisar para cima o guidance de custos […]

Vale (VALE3) enxerga queda da dívida abrindo espaço para mais dividendos

Depois de anunciar a distribuição de R$ 2,03 por ação em juros sobre capital próprio (JCP) e dividendos, além de um novo programa de recompra de até 100 milhões de ações, a Vale (VALE3) procurou reforçar aos investidores que continua enxergando espaço para remunerar seus acionistas, mesmo após revisar para cima o guidance de custos do minério de ferro.

Durante teleconferência realizada após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026, o diretor financeiro, Marcelo Bacci, indicou que novas remunerações continuarão condicionadas ao desempenho financeiro da companhia.

“O nível de remuneração aos acionistas dependerá da geração de caixa do segundo semestre”, afirmou o executivo.

Segundo Bacci, a companhia, porém, espera continuar reduzindo a dívida líquida expandida, que encerrou junho em US$ 16,7 bilhões, até o nível de referência de US$ 15 bilhões. À medida que se aproximar desse patamar, explicou, a Vale ganhará maior flexibilidade para decidir entre dividendos extraordinários e recompras de ações, levando em consideração fatores como o preço dos papéis e aspectos tributários.

Custos e guidance

Um dos principais temas da teleconferência foram os custos, que subiram no trimestre, e a revisão do guidance de custos anunciada junto com o balanço na véspera. O custo caixa (C1) saiu do interalo de US$ 20-21,5 por tonelada para US$ 22,5-23,5 e all-in, de US$ 52-56 para US$ 58-62.

Bacci buscou separar aquilo que considera efeitos conjunturais dos fundamentos operacionais da companhia. “Cerca de 70% desse aumento é explicado pelos efeitos combinados do câmbio e dos custos de diesel”, disse.

Segundo o executivo, a revisão também incorpora uma premissa de preço do Brent superior à utilizada anteriormente e os efeitos da valorização do real frente ao dólar.

Apesar desse cenário, Bacci afirmou que a companhia continua capturando ganhos estruturais de eficiência. Ele destacou o avanço dos programas de produtividade, o aumento da participação de ativos de menor custo, como o S11D, e lembrou que a estratégia de hedge sobre o petróleo gerou um benefício de aproximadamente US$ 100 milhões no trimestre.

“Essas iniciativas são essenciais para melhorar estruturalmente nossa posição de custos ao longo do tempo.”

Na área logística, o vice-presidente executivo Rogério Nogueira afirmou que a Vale diminuiu significativamente sua exposição à volatilidade do mercado de fretes.

Segundo ele, cerca de 75% da carteira está protegida por contratos de longo prazo, enquanto a exposição ao mercado spot caiu para menos de 10%. “Estamos buscando oportunidades para reduzir ainda mais essa exposição em 2027 e 2028”, afirmou.

O executivo acrescentou que a companhia também ampliou seu programa de hedge de combustível para reduzir os impactos das oscilações do preço do petróleo sobre os custos logísticos.

Apesar da revisão do guidance de custos, a Vale também demonstrou confiança nas perspectivas para o mercado de minério de ferro. Questionado sobre a commodity, o vice-presidente executivo Rogério Nogueira afirmou que os fundamentos permanecem resilientes, apoiados por uma demanda mais forte fora da China e por um cenário doméstico chinês que, na visão da companhia, é melhor do que sugerem alguns indicadores.

Segundo o executivo, a produção de aço na China continua sustentada pelas exportações, enquanto preços próximos de US$ 95 por tonelada tenderiam a retirar parte da oferta global de maior custo do mercado, contribuindo para estabilizar as cotações.

Vale acelera expansão do cobre

Outro destaque da apresentação foi o avanço da estratégia para ampliar a produção de cobre, considerada uma das principais avenidas de crescimento da companhia.

O CEO, Gustavo Pimenta, anunciou que o projeto Bacaba deverá entrar em operação no terceiro trimestre de 2027, cerca de seis meses antes do cronograma originalmente previsto.

Com capacidade para produzir 50 mil toneladas por ano, Bacaba será o primeiro de seis projetos que sustentam o plano da Vale de elevar sua produção de cobre para aproximadamente 700 mil toneladas anuais até 2035.

“Esse é o primeiro de seis projetos de crescimento que apoiarão nossa ambição de dobrar a produção de cobre”, afirmou Pimenta.

O executivo também destacou o início da operação da segunda correia transportadora do projeto Serra Sul 20 e afirmou que o britador compacto, previsto para entrar em comissionamento no quarto trimestre, deverá acrescentar 20 milhões de toneladas de capacidade ao sistema de minério de ferro da companhia.

Na avaliação do CEO da Vale Base Metals, Shaun Usmar, o mercado ainda não precifica adequadamente o potencial da divisão de metais básicos.

Segundo ele, a reestruturação da unidade permitiu reduzir substancialmente os investimentos necessários para novos projetos e aumentar seus retornos.

“No projeto Bacaba, reduzimos o capital necessário em quase 50% e elevamos o retorno esperado de cerca de 50% para aproximadamente 70%”, afirmou.

Usmar acrescentou que o mesmo modelo de execução será aplicado aos demais projetos da carteira e afirmou esperar que o mercado passe a incorporar esse potencial nas avaliações da companhia.

AutorVitor Azevedo
FonteMoney Times
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