Vale (VALE3): lucro deve cair quase 50% no 3T26 com inimigo persistente roubando a cena. O que esperar do balanço de hoje?
Além da fraqueza do minério de ferro, custos de frete mais altos, produção menor e desafios operacionais também devem pressionar o balanço da Vale

Quando pensamos em Vale (VALE3), a commodity que vem à mente costuma ser o minério de ferro. No entanto, uma outra matéria-prima disputa o protagonismo do balanço deste terceiro trimestre (3T26): o petróleo.
A mineradora divulga os resultados após o fechamento do mercado nesta quinta-feira (29), em meio à expectativa de recuo nos principais indicadores, tanto na comparação anual quanto na trimestral.
O relatório de produção do trimestre será junto com o balanço, diferente da prática habitual da empresa, que era publicar os dados operacionais alguns dias antes.
O consenso de mercado compilado pela Bloomberg aponta lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 7,598 bilhões, queda de mais de 48% em um ano.
Para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) a projeção é de R$ 18,036 bilhões, baixa de 24,13%. Outras estimativas aparecem no quadro ao fim da matéria.
O petróleo aparece como um dos grandes fatores que pesam contra a Vale. No trimestre, o barril do Brent, referência internacional, teve preço médio de US$ 91,29, recuo de 5,6% frente aos três meses imediatamente anteriores, mas avanço de 34% na comparação com o mesmo período de 2025.
A alta do petróleo em base anual afeta a Vale por meio do bunker, combustível utilizado pelos navios que transportam o minério.
Esse efeito já havia sido observado no balanço do trimestre anterior. Na ocasião, a companhia alertou que a cotação do petróleo seria um fator relevante para os resultados seguintes, conforme esta reportagem do Seu Dinheiro.
“Os custos de minério entregue na China devem aumentar em relação ao trimestre anterior: a redução dos custos C1 deve ser mais do que compensada pelo frete mais alto — majoritariamente protegido, mas ainda com alguma exposição ao mercado à vista”, escreveu o Citi em relatório.
O C1 considera as despesas da mina até o porto, mas não inclui o transporte marítimo até a China nem itens como royalties. Assim, uma redução nos custos de produção pode não ser suficiente para compensar a alta do frete na entrega ao cliente.
Vale também enfrenta fraqueza do minério de ferro
Além do petróleo, a companhia enfrenta a pressão do minério de ferro, que já vinha afetando os resultados anteriores. O preço médio da commodity foi de US$ 96,91 por tonelada no terceiro trimestre, queda de 2,5% em relação a igual período de 2025 e de 8% frente ao trimestre anterior.
A produção também pode influenciar o desempenho. O Citi estima 89 milhões de toneladas de minério no período, alta de 5% na comparação trimestral e queda de 6% em um ano.
Segundo o banco, o resultado deve refletir dificuldades em Carajás e uma retomada mais lenta que o previsto no Sul. Para 2026, a expectativa é de produção no piso do guidance, de 335 milhões a 345 milhões de toneladas — cenário que dependeria de recuperação no quarto trimestre.
O Citi espera ainda que o cobre mantenha desempenho forte, com Ebitda próximo de US$ 1 bilhão. Já o níquel deve voltar a ficar perto do ponto de equilíbrio, pressionado pela queda dos preços.
Cobre e níquel integram a divisão de metais básicos, apontada pela Vale como uma das frentes de expansão da companhia nos próximos anos,como você pode conferir nesta outra reportagem do Seu Dinheiro.
O Itaú BBA projeta Ebitda de US$ 2,66 bilhões para a divisão de ferrosos, recuo de 13% ante o trimestre anterior. A queda nos preços do minério fino e o frete mais caro devem neutralizar o efeito positivo de embarques 4% maiores, estimados em 82,7 milhões de toneladas.
Para metais básicos, o banco prevê queda de 19% no Ebitda, para US$ 1,04 bilhão. Entre os fatores apontados estão a redução dos volumes de cobre após a parada de Sossego, preços menores do níquel e custos de manutenção mais elevados.
Estimativas para o resultado da Vale no 3T26
| Indicador | Estimativa em reais | Variação anual em reais | Estimativa em dólares | Variação anual em dólares |
|---|---|---|---|---|
| Lucro líquido | R$ 7,598 bilhões | −48% | US$ 1,508 bilhão | −43,84% |
| Receita líquida | R$ 52,380 bilhões | −7,62% | US$ 10,407 bilhões | Em linha |
| Ebitda | R$ 18,036 bilhões | −24,13% | US$ 3,324 bilhões | −24,44% |
