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Sacre Investimentos
EmpresasACS
30/07/2026
4 min

Vale (VALE3) sente o peso da guerra e real mais forte: lucro líquido cai 35% no 2T26, mas mineradora libera R$ 8,64 bilhões em proventos

Apesar da produção recorde para um segundo trimestre desde 2018, a alta dos custos com frete, combustíveis e a valorização do real pressionaram o resultado da Vale (VALE3), que ainda anunciou R$ 8,64 bilhões em proventos e um novo programa de recompra de ações

Vale (VALE3) sente o peso da guerra e real mais forte: lucro líquido cai 35% no 2T26, mas mineradora libera R$ 8,64 bilhões em proventos

Mesmo depois de a Vale (VALE3) registrar a maior produção para um segundo trimestre desde 2018, um temor persistia no mercado antes da divulgação do balanço: que a disparada do petróleo, com a guerra no Oriente Médio, elevasse os custos a ponto de consumir parte dos ganhos proporcionados pelo forte desempenho operacional da mineradora. Nesta quinta-feira (30), com a divulgação dos resultados, esse receio se confirmou.

A mineradora teve lucro líquido atribuível aos acionistas de US$ 1,375 bilhão, queda de 35% em relação ao mesmo período do ano passado e de 27% em relação ao trimestre imediatamente anterior. A cifra veio abaixo das projeções compiladas pela Bloomberg, que apontavam para US$ 1,95 bilhão.

Segundo a companhia, essa linha do balanço foi pressionada principalmente pelo pior desempenho financeiro — com perdas na marcação a mercado de derivativos —, pelo aumento da carga tributária e pelo reconhecimento de uma provisão em despesas não recorrentes.

Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado avançou 9% na base anual, para US$ 3,6 bilhões. Em relação aos três primeiros meses do ano, o número diminui 4%. A expectativa de mercado era de US$ 3,83 bilhões, de acordo com o consenso Bloomberg.

Essa é justamente a linha que o mercado acompanhava com mais atenção para saber o impacto do aumento dos custos de produção. O salto de 9% foi sustentado principalmente pelos preços mais altos do minério de ferro, do cobre e das pelotas, além do aumento dos volumes vendidos.

No entanto, parte desse desempenho foi neutralizada pelo aumento dos custos, pressionados pela valorização do real frente ao dólar e pela alta do bunker — combustível que abastece os navios de carga —, que encareceu o frete marítimo, além do avanço dos preços de outros insumos e combustíveis.

O custo caixa C1 foi de US$ 24,1 por tonelada, alta de 9% no ano a ano, refletindo principalmente a apreciação do real, enquanto os custos all-in alcançaram US$ 61,6 por tronelada, avanço de 18% em relação ao mesmo período do ano passado, pressionados adicionalmente pelo aumento dos custos de frete.

Mais detalhes do balanço da Vale

Dividendos e recompra de ações

A mineradora também anunciou a distribuição de R$ 8,64 bilhões em proventos aos acionistas, sendo R$ 6,68 bilhões na forma de juros sobre capital próprio (JCP) e R$ 1,97 bilhão em dividendos. O pagamento será realizado em 2 de setembro, correspondendo a um valor bruto de R$ 2,030721898 por ação, dos quais R$ 1,568705805 serão pagos como JCP e R$ 0,462016093 como dividendos.

Terão direito aos proventos os investidores com ações da Vale na carteira ao fim do pregão de 11 de agosto, na B3. Para os detentores de ADRs negociados na Bolsa de Nova York (NYSE), a data de corte será 13 de agosto. A partir de 12 de agosto, as ações da mineradora passarão a ser negociadas ex-direitos na B3, enquanto as ADRs ficarão ex-dividendos na NYSE a partir de 13 de agosto.

Além disso, o conselho de administração da Vale aprovou um novo programa de recompra de até 100 milhões de ações ordinárias ou ADRs, equivalente a cerca de 2,3% do capital da companhia. O programa terá duração de 18 meses e só entrará em vigor após o encerramento do plano atual, previsto para 18 de agosto deste ano.

A mineradora informou que as ações recompradas poderão ter dois destinos: até 21,8 milhões de papéis poderão permanecer em tesouraria para serem utilizados em programas de remuneração de longo prazo destinados a executivos, enquanto o restante será cancelado, reduzindo o número de ações em circulação e aumentando proporcionalmente a participação dos acionistas remanescentes.

Segundo a companhia, o programa busca aproveitar o atual nível de negociação das ações para fazer uma alocação de capital considerada eficiente, potencializando o retorno aos acionistas.

A Vale afirma ainda que a recompra sinaliza confiança da administração nas perspectivas da empresa e oferece maior flexibilidade financeira, especialmente por meio do uso de derivativos como o Equity Swap, que amplia a exposição econômica às ações sem exigir desembolso imediato de caixa. Em 30 de junho, a mineradora possuía 4,26 bilhões de ações em circulação e 183,4 milhões de ações em tesouraria.

*Conteúdo em atualização

AutorBia Azevedo
FonteSeu Dinheiro
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