Valor tokenizado no Brasil cresce 10 vezes em um ano, revela Nexa
Pesquisa mostrou que 88% desse volume está em operações de crédito privado e falou sobre a convergência entre IA e blockchain

Um estudo da fintech Nexa apontou que o valor tokenizado em ativos no Brasil cresceu de R$ 1 bilhão em 2025 para R$ 10 bilhões até agosto deste ano. Deste total, 88% corresponde a produtos financeiros de crédito privado, ao passo que o restante está em recebíveis e fundos multiativos.
O relatório foi elaborado por meio de seis pesquisas proprietárias com mais de 90 parceiros de pesquisa e 150 empresas mapeadas.
Segundo Cecília Melo, chief of staff, sócia da Nexa e coordenadora do estudo, a tokenização, que coloca produtos financeiros tradicionais em blockchain, é uma infraestrutura mais eficiente para o registro, negociação e liquidação de ativos.
Apesar da eficiência, ainda há obstáculos que dificultam a adoção da tecnologia pelas empresas e instituições financeiras. A pesquisa da Nexa aponta que regulação é a principal barreira, sendo citada por 85% dos entrevistados. Em seguida vem a aceitação de mercado, citada por 83%. Mais para trás aparecem cibersegurança (28%) e infraestrutura tecnológica (24%).
Atualização regulatória da tokenização
Sobre a regulação, Cecília lembra que a tokenização está hoje abarcada na regra da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que trata de operações de crowdfunding, mas que isso pode ser atualizado para a criação de uma norma mais específica.
"Não apenas a Resolução CVM 88 [do crowdfunding] está sendo revista, mas há um piloto do Grupo de Trabalho de Tokenização da CVM e outro da Anbima para olhar para essa atualização regulatória. Blockchain deveria ser uma infraestrutura que rege todo o mercado, em vista de ser mais eficiente para o setor", avalia Cecília.
A executiva lembra que a CVM 88 limita funcionalidades que podem ser realizadas com tokenização, pois não permite, por exemplo, a exemplo da negociação de tokens em um mercado secundário entre instituições. Com isso, alguns casos de uso que a tokenização permitiria ficam de lado. "Tem toda uma economia que deveria se comunicar com transações entre plataformas. Salário na conta, contas a pagar, reinvestimento em outra plataforma e toda essa comunicação sistêmica poderia ser feita com tokenização".
Brasil líder em tokens e crescimento das stablecoins
Na América Latina, o Brasil é lider em atividade de tokenização, com 21 "deals" (negócios) fechados no país contra apenas 11 da Colômbia, país que está em segundo lugar por essa métrica. Desses "deals", 28,6% se referem a pagamentos e stablecoins, 20,9% são de infraestrutura, 18,7% de finanças descentralizadas (DeFi), 17,6% de tokenização de ativos do mundo real (RWA), 7,7% de gaming e Tokens Não-Fungíveis (NFT), 4,4% de exchanges e 2,2% de outros.
O estudo também falou sobre o crescimento dos pagamentos com stablecoins, que são tratadas como o primeiro caso de tokenização, pois é a tokenização do dinheiro.
Em 2025, US$ 56,4 trilhões foram transacionados com essas criptomoedas atreladas ao preço de moedas tradicionais, como o dólar. Desse total, excluindo-se as transferências técnicas (movimentação de dinheiro por conta de infraestrutura e não por decisão econômica de um usuário), as transações por compra e venda de ativos alcançaram US$ 24,4 trilhões e os pagamentos reais ficaram em US$ 275 bilhões.
Por fim, o estudo fala que a economia está entrando em uma era de convergência de tokenização com inteligência artificial, a partir do avanço dos chamados pagamentos agênticos, que consistem em transações executadas entre robôs.
São citados os exemplos de produtos da Liqi, na qual vinte agentes de IA cuidam da estruturação, liquidação e monitoramento de garantias para securitização no protocolo TIDC, e da Nexa Genesis, que permite que consultores criem produtos personalizados em tempo real com base nos objetivos dos clientes.
