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MercadosACS
07/09/2026
3 min

Valorização de 130%? O que o Itaú BBA enxergou nessa ação do setor de construção

Ao contrário do que sugeriu um bancão gringo na última semana, as ações da PlanoPlano (PLPL3) podem mais que dobrar de valor nos próximos 12 meses, segundo o Itaú BBA. O banco reiterou a recomendação outperform, equivalente à compra, e o preço-alvo de R$ 15. Em relação à cotação de R$ 6,51 usada no relatório, […]

Valorização de 130%? O que o Itaú BBA enxergou nessa ação do setor de construção

Ao contrário do que sugeriu um bancão gringo na última semana, as ações da Plano&Plano (PLPL3) podem mais que dobrar de valor nos próximos 12 meses, segundo o Itaú BBA. O banco reiterou a recomendação outperform, equivalente à compra, e o preço-alvo de R$ 15.

Em relação à cotação de R$ 6,51 usada no relatório, o valor representa um potencial de valorização de 130,4%.

A visão otimista foi reforçada após uma reunião dos analistas com o presidente do conselho de administração da construtora, Rodrigo Luna, e o diretor de relações com investidores, Eduardo Cerri.

Para o BBA, a recuperação da execução operacional pode mostrar que as ações estão excessivamente descontadas. Atualmente, a Plano&Plano negocia a apenas 2,8 vezes o lucro estimado para 2027, segundo os cálculos do banco.

O desconto ocorre depois de uma forte correção dos papéis. Em 12 meses, PLPL3 acumulava queda de 49,2%, desempenho 60,4 pontos percentuais inferior ao Ibovespa.

O que pode destravar a valorização de PLPL3?

Um dos principais gatilhos esperados pelo Itaú BBA é a recuperação das margens da construtora.

A administração da Plano&Plano prevê uma melhora gradual da margem bruta em direção a 35%, apoiada principalmente pelos projetos mais recentes. Esses empreendimentos devem substituir gradualmente os lançamentos antigos, que ainda carregam descontos comerciais e custos de construção mais elevados.

A empresa também está redesenhando seus projetos e aproximando sua estratégia comercial das práticas adotadas por concorrentes. A expectativa é que essas mudanças aumentem a velocidade de vendas no médio prazo.

Além disso, a Plano&Plano pretende ampliar sua operação em Goiânia, mercado considerado menos competitivo do que São Paulo.

Segundo o relatório, a companhia também começa a observar maior estabilidade nos custos de construção e espera alguma desaceleração nos próximos meses.

Concorrência pressiona vendas em São Paulo

Apesar do elevado potencial de valorização, o cenário operacional ainda impõe desafios.

O mercado de habitação popular em São Paulo ficou consideravelmente mais disputado. Entre 2020 e 2023, os lançamentos anuais do programa Minha Casa, Minha Vida na capital paulista giravam em torno de 30 mil unidades. Nos últimos 12 meses, esse número saltou para aproximadamente 90 mil unidades.

O avanço reflete a entrada de construtoras de média renda e de empresas de outras regiões. As faixas 3 e 4 do programa concentram a maior oferta, mas a faixa 2 também apresenta concorrência elevada.

A Plano&Plano lançou R$ 2,8 bilhões em projetos no segundo semestre de 2025, mas as vendas não acompanharam o volume esperado. Empreendimentos antigos também ficaram mais difíceis de comercializar, uma vez que exigiam entradas maiores dos compradores.

Como resposta, a construtora passou a priorizar o controle de estoques e conceder descontos, medidas que ajudaram as vendas, mas pressionaram as margens.

Lançamentos devem ficar estáveis

Diante do ambiente mais competitivo, a Plano&Plano deixou de projetar um crescimento entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão nos lançamentos. Agora, a companhia pretende manter o volume próximo ao observado em 2025, concentrando-se em projetos maiores e na recuperação da rentabilidade.

O Itaú BBA também chama atenção para a postura mais seletiva da Caixa Econômica Federal na aprovação dos financiamentos habitacionais. Até o momento, contudo, os clientes da Plano&Plano não foram submetidos às novas entrevistas adotadas pelo banco público durante a análise de crédito.

Para o BBA, o potencial de valorização dependerá da capacidade da construtora de transformar as mudanças comerciais em vendas mais rápidas, margens melhores e recuperação da geração de caixa. Caso a execução avance como esperado, o valuation atual pode se mostrar excessivamente baixo.

AutorJuliana Caveiro
FonteMoney Times
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