'Vamos vender quando o preço estiver alto', diz governador de Minas sobre os 5% da Copasa
Governador de Minas afirma que a venda da companhia foi decisiva para a adesão ao Propag, defende a escolha da Equatorial e explica por que o Estado manteve 5% das ações

A privatização da Copasa marca uma das principais apostas do governo de Minas Gerais para ampliar os investimentos em saneamento e reduzir o peso da dívida do estado com a União. O processo, concluído com a entrada da Equatorial como acionista de referência, também foi peça-chave para a adesão mineira ao Propag, programa federal de renegociação das dívidas estaduais.
Em entrevista exclusiva à EXAME, o governador de Minas Gerais e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD), detalha os bastidores da operação, explica por que considera a privatização um "extremo sucesso" e comenta os principais desafios da nova fase da companhia.
Simões também fala sobre o impacto da venda para consumidores e municípios, além de justificar a decisão do Estado de manter uma participação de 5% na empresa, apostando em uma valorização futura das ações.
"Minha confiança é tão grande no sucesso da operação que eu não permiti que vendessem os outros 5%. Vou deixar para o governo vender quando o preço estiver alto", diz.
Leia a entrevista de Mateus Simões, governador de Minas Gerais
Por que privatizar a Copasa?
A Copasa sempre foi economicamente e financeiramente saudável, mas faltou durante muito tempo capacidade de execução das obras. Ela era ruim para contratar, descontratar e fiscalizar. Parte disso resolvemos com a profissionalização, mas parte é insolúvel dentro do modelo estatal. Quando o Propag (o programa federal para renegociar dívidas estaduais) começou a ser discutido, a Copasa virou uma necessidade e uma oportunidade. A venda passou também a ser essencial para a adesão de Minas ao programa de renegociação da dívida com a União.
A escolha da Equatorial foi o resultado que o governo esperava?
Quando me convenci da necessidade de um investidor de referência, sabia que tínhamos poucas possibilidades. Não adianta ter um sócio de referência que não tenha nada de saneamento. Fora Aegea e Equatorial, não temos outro grande grupo no Brasil com condição de assumir uma operação desse tamanho. Ter ficado com a Equatorial traz mais tranquilidade para quem estava atrás de um sócio de referência. Acho que a operação foi de extremo sucesso.
A falta de renovação dos contratos com parte dos municípios preocupa?
Os municípios que importam financeiramente para a Copasa já renovaram. Os pequenos são deficitários e, se resolverem não renovar, a companhia ganha valor. É péssimo para os municípios. Por isso, não recomendo que fiquem de fora. Eles assumirão o risco de ter de tirar dinheiro do bolso do munícipe para fazer uma infraestrutura que não dominam. Quero que todos façam a adesão. Quando a Equatorial comprou, já sabia que teria de fazer esses investimentos caso os municípios aderissem.
Há risco de a privatização resultar em tarifas mais altas?
A revisão tarifária está a quatro anos de distância e temos reajustes contratuais anuais. Pode ser que um ou outro pague mais se a companhia melhorar a identificação de fraudes. Se houver gato, tem que ser cobrado, porque hoje esse custo já recai sobre quem paga corretamente. Mas tenho certeza de que o consumidor médio não vai perceber nenhuma alteração. O que espero é que ele perceba uma melhora na qualidade do serviço. Agora temos muito mais condição de ser duros com a Copasa: está contratado? Executou? Ótimo. Não executou? Medição, multa e penalidade.
Qual é o maior desafio da nova Copasa para cumprir os investimentos?
O problema tem menos a ver com capacidade de captar dinheiro e mais com capacidade de executar obras. Hoje nós temos um drama no Brasil: o volume de obras da Sabesp faz com que haja pouca disponibilidade de prestadores especializados. Por outro lado, essa demanda também empurrou mais gente para se capacitar. Não dá para diminuir a velocidade, porque senão perdemos os prazos. Acredito que até novembro ou dezembro teremos um bom desenho do cronograma de execução.
Por que o Estado manteve 5% da Copasa?
Minha confiança é tão grande no sucesso da operação que eu não permiti que vendessem os outros 5%. Tenho certeza de que vamos ter eficiência operacional, ganho de escala e melhoria de velocidade, e a companhia será cada vez mais valorizada. Vou deixar para o governo vender quando o preço estiver alto.
