Varejistas da bolsa devem faturar R$ 26 bi com Dia dos Namorados

O Dia dos Namorados de 2026 deve ser robusto no papel, mas quem investe em varejistas listadas tem razões para ler os números com atenção. Um relatório da XP projeta R$26,4 bilhões em vendas na data, crescimento de 20% sobre 2025. Só que a há uma divisão relevante entre faixas de renda.
A equipe de analistas avaliou como Vivara (VIVA3), Azzas 2154 (AZZA3), C&A (CEAB3) e Natura&Co (NTCO3) estão se posicionando, tendo em vista que varejistas de moda "estão usando o Dia dos Namorados como uma plataforma de marketing mais ampla."
O e-commerce deve ganhar espaço, mas as lojas físicas ainda serão o destino número um. As vendas virtuais devem englobar R$10,26 bilhões, com alta de 10,8% na base anual, especialmente por causa do maior volume, segundo a Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abiacom).
O que esperar para o Dia dos Namorados
A pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do Serviço de Proteção ao Crédito (CNDL/SPC Brasil) mostra que 61% dos consumidores pretendem comprar presentes, ante 57% no ano passado.
O gasto médio esperado é de R$264 ou R$295 para a faixa de renda A e B, e cerca de cem milhões de pessoas devem ir às compras neste ano.
Por categoria, vestuário, calçados e acessórios lideram a intenção de compra, citados por 52% dos entrevistados, seguidos por beleza (31%) e chocolates (26%). "Vale destacar que vemos o clima mais frio como um vento favorável para o desempenho de vestuário, embora as camisas do Brasil representem competição."
Em contrapartida, o retrato do consumidor de menor renda é outro. A inadimplência, inclusive, subiu para 83,4 milhões de consumidores, contra 82,8 milhões no mês anterior.
A inflação para famílias de baixa renda chegou a 2,66%, acima dos 2,44% das de alta renda, uma inversão em relação a março, quando os índices eram de 1,76% e 2,19%, respectivamente.
"Além disso, presentes de segunda mão vêm ganhando algum espaço, com 41% dos consumidores considerando essa opção, especialmente Geração Z e consumidores de menor renda, motivados principalmente por acessibilidade e apelo vintage", detalhou a XP.
Copa do Mundo entra na competição
A Copa do Mundo entra como variável adicional. Com o primeiro jogo do Brasil marcado para 13 de junho, um dia após a data, a XP aponta que parte do orçamento popular pode migrar para apostas e encontros sociais.
"Não vemos a Copa do Mundo como um risco relevante para o evento", ponderou a instituição, mas reconheceu que as camisas da seleção competem diretamente por espaço no orçamento com outros presentes.
Como as empresas estão se posicionando
A Vivara chega à data com posicionamento explicitamente premium, com a supermodelo Gisele Bündchen como garota-propaganda e narrativa centrada em diamantes cultivados em laboratório (lab-grown diamonds).
A Azzas, por meio da Arezzo, lançou colaboração com a Fila em linha unissex de tênis, bolsas e acessórios, ao passo que a C&A "pode ter como objetivo ajudar na acessibilidade em um ambiente de poder de compra apertado."
A campanha "Desapega com a C&A" oferece 10% de desconto em compras acima de R$ 200 para clientes que doarem peças usadas pelo Movimento ReCiclo.
Já a Natura aposta em kits curados de fragrâncias, maquiagem e cuidados pessoais para a data.
A rival O Boticário, por outro lado, lançou uma campanha com a cantora Marina Sena e o dançarino Juliano Floss, que recentemente ganhou destaque entre o público jovem devido à participação no Big Brother Brasil 2026.
Nota-se que as varejistas estão usando a data como "uma oportunidade de construção de marca por meio de collabs, iniciativas de circularidade e storytelling com celebridades", analisou o relatório.
