Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
InvestMercados
28/07/2026
5 min

Varejo on-line fatura R$ 208 bi no 1º semestre com impulso da Copa do Mundo

O comércio eletrônico brasileiro cresceu quase 17% em relação aos primeiros seis meses do ano passado

Varejo on-line fatura R$ 208 bi no 1º semestre com impulso da Copa do Mundo

O comércio eletrônico brasileiro movimentou R$ 208,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 16,9% em relação ao mesmo período do ano passado, impulsionado por um consumidor que comprou com mais frequência ao longo dos seis primeiros meses do ano. No período, o número de pedidos cresceu 34,8%, para 756,7 milhões, embora o tíquete médio tenha recuado 13,3%, para R$ 275,50. Os dados são do relatório "Da Compra à Confiança — Panorama do e-commerce brasileiro no primeiro semestre de 2026", divulgado nesta terça-feira, 28, pela Confi, por meio da Neotrust e da Aftersale, em parceria com o E-commerce Brasil.

Entre os fatores que impulsionaram as vendas, um dos destaques foi aCopa do Mundo de 2026, que ocorreu entre os dias 11 de junho e 19 de julho e foi sediada conjuntamente por Canadá, Estados Unidos e México.

Mesmo com aeliminação da seleção brasileira nas oitavas de final — a pior campanha do país em um Mundial desde 1990 — o torneio estimulou a compra de eletrônicos, roupas esportivas e itens colecionáveis. Segundo o estudo, os dados mostram que o interesse do consumidor pelo evento permaneceu elevado ao longo do semestre.

A principal beneficiada foi a subcategoria de televisores, que faturou R$ 9,2 bilhões entre janeiro e junho, crescimento de 28,9% em relação ao primeiro semestre de 2025.

A demanda ficou concentrada nos aparelhos de maior tamanho. As vendas de TVs acima de 70 polegadas dispararam 165,1%, enquanto os modelos entre 50 e 59 polegadas também ganharam participação de 18,9%. Em sentido contrário, os televisores de até 32 polegadas perderam espaço ao cair 2,61 ponto percentual de share, com apenas 9,3% de alta nas vendas.

O evento também impulsionou o segmento de vestuário esportivo. A categoria faturou R$ 1,9 bilhão no semestre, avanço de 139,3% sobre um ano antes. Apenas as camisas esportivas movimentaram R$ 1 bilhão, alta de 73,7%. Após o lançamento donovo uniforme da seleção brasileira, a camisa oficial passou de 5,1% para 48,7% de participação nas vendas da categoria.

Nem mesmo o tradicional álbum de figurinhas ficou de fora do movimento. Segundo o levantamento, foram vendidos mais de 82 mil álbuns e 720 mil pacotes de figurinhas durante o semestre. Nas três primeiras semanas após o lançamento, a média diária chegou a 22 mil envelopes e 1,4 mil álbuns comercializados.

Mais pedidos, menos itens por compra

Embora a Copa tenha dado impulso a algumas categorias, o relatório mostra que o crescimento do e-commerce foi sustentado principalmente por uma mudança no padrão de consumo. O número médio de itens por compra caiu de 2,25 para 1,97, redução de 12,4%, indicando que os consumidores passaram a distribuir melhor suas compras ao longo do tempo.

"O avanço no faturamento do e-commerce foi sustentado principalmente pelo aumento da frequência de compras. Os consumidores passaram a fazer mais pedidos, com menos produtos por transação e menor tíquete médio, indicando uma migração para compras mais recorrentes e planejadas ao longo do semestre", afirma Pedro Chiamulera, CEO da Confi.

Na avaliação de Léo Bicalho, head da Neotrust, esse comportamento também aumenta a complexidade daoperação do varejo digital. "O aumento da recorrência das compras exige mais separação de mercadorias, embalagens, entregas, atendimento e gestão de trocas, elevando a pressão sobre toda a cadeia", diz.

Moda e Acessórios lideram em faturamento

Entre os segmentos do varejo, Moda e Acessórios permaneceu na liderança em faturamento, com R$ 19,3 bilhões, seguida de Eletrodomésticos (R$ 19,2 bilhões), Saúde (R$ 15,5 bilhões), Eletrônicos (R$ 14,4 bilhões) e Telefonia (R$ 14 bilhões).

Em termos de crescimento, porém, Saúde foi o principal destaque. A categoria avançou 45,8%, impulsionada pelas canetas emagrecedoras, que movimentaram R$ 6,1 bilhões e registraram alta de 213% nas vendas. Também houve alta em Casa e Construção, que avançaram 26,9%, seguido por Moda e Acessórios, com alta de 23,1%, e Esporte e Lazer (+20,9%), que completa a lista dos segmentos que mais cresceram.

O levantamento também aponta que maio foi o mês mais forte do semestre, com faturamento de R$ 38 bilhões. O pico ocorreu na campanha promocional de 5 de maio, o 5/5, quando as ofertas do varejo, somadas à proximidade do Dia das Mães, levaram o comércio eletrônico a vender 12,2 milhões de unidades e movimentar R$ 1,88 bilhão em um único dia.

2° semestre deve ser ainda mais forte

Além das vendas, o estudo traz um retrato da operação do setor após a compra. Segundo dados da Aftersale, 58% das solicitações de devolução resultaram em estorno, enquanto 42% foram convertidas em vale-compra.

Já "Problemas de tamanho" responderam por 55% das trocas e devoluções, seguidos por "arrependimento", com 15%, e "defeitos ou problemas de qualidade", com 12%. Os maiores índices de devolução foram registrados em Calçados, Moda Fitness e Moda.

Para o segundo semestre, a Confi projeta um faturamento de R$ 254 bilhões. Se a estimativa se confirmar, o e-commerce brasileiro encerrará 2026 com receita de R$ 462,5 bilhões, avanço de 18,6% sobre 2025.

AutorClara Assunção
FonteExame
Distribuído por