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Sacre Investimentos
InvestMercados
05/10/2026
3 min

Varejo vira extensão dos bancos e já soma 241 mil correspondentes no Brasil

Mercados, padarias, lotéricas e outros estabelecimentos ajudam a ampliar o alcance dos serviços financeiros; em 520 cidades, correspondentes são o único canal físico disponível

Varejo vira extensão dos bancos e já soma 241 mil correspondentes no Brasil

Uma ida ao supermercado, à padaria ou à lotérica também pode ser uma ida ao banco.

Estabelecimentos comerciais ganharam espaço na infraestrutura financeira brasileira ao atuar como correspondentes bancários, empresas contratadas por instituições financeiras para prestar determinados serviços em seu nome.

Segundo o Banco Central, esses pontos podem receber pagamentos, realizar transferências, inclusive Pix, e encaminhar propostas de abertura de contas, cartões, empréstimos e financiamentos. O próprio BC cita lotéricas, padarias, supermercados e serviços postais como exemplos de correspondentes. 

Essa rede chegou a 241.014 pontos em 2024, segundo o Relatório de Cidadania Financeira 2025. Quatro anos antes, eram 214.261. O crescimento foi de 12,5%, na contramão do movimento observado nas agências bancárias, cujo número caiu 14,6% no mesmo período. 

A mudança mostra que a digitalização dos bancos não eliminou a necessidade de atendimento presencial. Parte dessa presença passou a ser distribuída por estabelecimentos que já fazem parte da rotina das cidades.

O avanço não começou agora. A série histórica do Banco Central anexada à análise mostra que o país tinha 113.713 correspondentes em 2006. Em 2022, eram 228.845, praticamente o dobro.

Na contagem dessa série, um estabelecimento que presta serviços para mais de uma instituição financeira é considerado apenas uma vez. O objetivo é medir a quantidade de pontos disponíveis no país, e não o número de contratos mantidos com bancos. O Banco Central define correspondentes como empresas autorizadas a prestar serviços financeiros em nome das instituições contratantes. 

A expansão ajuda os bancos a alcançar regiões onde manter uma agência completa pode não ser economicamente viável. Em análise sobre a regulamentação do setor, o BC afirma que uma das funções dos correspondentes é justamente aumentar a capilaridade da oferta de produtos e serviços financeiros, inclusive em locais nos quais o custo de uma agência ou posto de atendimento desestimula a abertura de uma estrutura própria.

O resultado aparece no mapa bancário do país. Em 2024, 520 municípios brasileiros eram atendidos exclusivamente por correspondentes bancários. Nessas cidades não havia agências nem postos de atendimento de instituições financeiras.

Ao todo, 2,5 milhões de pessoas viviam nesses municípios. Em 2020, eram 408 cidades nessa condição. Mesmo com o fechamento de estruturas tradicionais, o Banco Central informa que todos os municípios brasileiros continuavam com pelo menos um canal de atendimento financeiro. 

O movimento ocorre ao mesmo tempo em que outras estruturas físicas passam por transformação. De 2020 a 2024, as agências caíram de 18.864 para 16.115, enquanto os postos de atendimento eletrônico recuaram 14,9%. Já os postos de atendimento convencionais cresceram 13,5%, puxados em parte pela expansão das cooperativas. 

A fotografia que surge é de um sistema bancário menos concentrado na agência tradicional. De um lado, aplicativos e Pix absorvem uma parcela crescente das operações. De outro, quando o atendimento presencial continua necessário, o comércio local ajuda a ocupar esse espaço.

Mercados, padarias, lotéricas e outros pontos deixam, assim, de funcionar apenas como varejo. Em milhares de cidades, eles também se tornaram uma das portas de entrada para o sistema financeiro brasileiro.

AutorGuilherme Santiago
FonteExame
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