Vencedores e vencidos pelos juros: o mapa do BTG para a sua carteira com a Selic menor
O boletim Focus divulgado nesta terça-feira (13) projeta juros em 12% ao fim de 2027; saiba como se preparar para surfar essa queda da Selic

Com a Selic em 13,75% ao ano e o mercado apostando em cortes, o BTG Pactual fez uma conta que interessa a quem tem ações na carteira: quais empresas mais lucram com juros menores e quais ficam de fora da festa. Entre as que perdem, estão bancos, seguradoras e companhias com muito caixa. Entre as que ganham, aparecem as endividadas.
A lógica é simples. Quando a Selic cai, a dívida atrelada a ela fica mais barata, a despesa financeira diminui e sobra mais lucro. Por isso, segundo o BTG, setores com alto endividamento, margens líquidas baixas e muita dívida ligada à Selic tendem a se beneficiar mais.
Hoje, 34% da dívida total das empresas cobertas pelo banco é indexada à Selic. Nas companhias domésticas, a fatia sobe para 50%. No varejo, chega a 82%.
O BTG simulou o efeito de um corte de 1 ponto percentual nos juros sobre o lucro de 2027 de cerca de 100 empresas. Os impactos acima de 10% são sentidos por:
- Viveo (VVEO3): +77%
- Ecorodovias (ECOR3): +45%
- Auren (URE3): +28%
- Minerva (BEFF3): +23%
- Hapvida (HAPV3): +21%
- Magazine Luiza (MGLU3): +19%
- Cosan (CSAN3): +18%
- Energisa (ENGI11): +16%
- Equatorial (EQTL3): +15%
- PagSeguro (PAGS): +14%
- Randon (RAPT4) e Simpar (SIMH3): +12% cada
- Movida (MOVI3), Vamos (VAMO3) e Assaí (ASAI3): +10% cada.
O varejo é o setor que mais se destaca, segundo o BTG. Além de pagar menos juros, as empresas vendem mais quando o crédito fica mais barato.
O banco calculou uma correlação de 0,98 entre concessão de crédito e vendas do varejo desde 2014. Quanto mais próximo de 1, mais os dois números andam juntos.
Quem perde com a queda dos juros
Para bancos e seguradoras, o raciocínio se inverte. Eles tendem a ganhar com os juros altos, ao menos no curto prazo.
Por isso, o ciclo de cortes pode significar desempenho mais fraco para esses papéis nos próximos meses.
Empresas com caixa líquido também saem perdendo, porque rendem menos com os juros em queda.
O BTG cita a maioria das empresas de tecnologia, como Intelbras (INTB3) e Locaweb (LWSA3), e grandes nomes como WEG (WEGE3), Ambev (ABEV3), B3 (B3SA3) e Cury (CURY3).
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Onde estão as apostas do BTG
O BTG diz preferir empresas de duration longa — aquelas cujo valor depende de fluxos de caixa distantes e, por isso, sobem mais quando os juros longos caem —, com bom momento de lucros, valuation atraente e fundamentos sólidos.
A lista de preferidas do banco está dividida por setor:
- Infraestrutura e locadoras
Motiva (MOTV3) e Ecorodovias (ECOR3), Localiza (RENT3), Movida (MOVI3) e Vamos (VAMO3). A Randon (RAPT4) também aparece.
- Elétricas e saneamento
Equatorial (EQTL3), Energisa (ENGI11), Sabesp (SBSP3), Copasa (CSMG3) e Sanepar (SAPR11) têm dívidas com prazo médio superior a 12 anos. O banco também cita Auren (AURE3), Eneva (ENEV3), Alupar (ALUP11) e ISA Energia (ISAE4) como beneficiadas.
- Construtoras de médio e alto padrão
O financiamento mais barato ajuda a vender imóveis mais caros. Na alta de juros de 2013 a 2016, Cyrela (CYRE3), Eztec (EZTC3), Even (EVEN3) e Helbor (HBOR3) caíram entre 21% e 74%. No ciclo de queda iniciado em 2016, subiram entre 135% e 372% até o fim de 2019.
Já as construtoras de baixa renda são menos sensíveis, porque seus financiamentos seguem as regras do Minha Casa Minha Vida.
- Shoppings
O BTG estima alta de 3% no FFO (indicador de geração de caixa) de 2027 de Multiplan (MULT3), Iguatemi (IGTI11) e Allos (ALOS3) a cada 1 ponto percentual de corte.
A Allos é a aposta para quem quer surfar possíveis negociações de ativos, já que tem política de venda mais ativa.
O que pode dar errado
O próprio BTG faz ressalvas. O cenário depende da qualidade do gabinete do novo governo e da força do pacote fiscal — o banco afirma que nenhuma medida clara foi anunciada até agora.
A simulação considera só o efeito dos juros sobre resultado financeiro e impostos, sem contar o ganho com mais atividade econômica.
Além disso, a relação entre queda de juros e Ibovespa existe, mas o banco diz que o efeito é mais forte por setor do que no índice, e que o humor do investidor estrangeiro pode compensá-lo.
Quanto os juros podem cair
O boletim Focus, do Banco Central, projeta 12% ao fim de 2027, queda de 1,75 ponto.
O BTG vê espaço para um cenário mais benigno, com Selic entre 10% e 11%. Mesmo assim, a taxa real de juros (descontada a inflação) ficaria em 6% a 7%.
