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InvestMercadosBDR
16/07/2026
5 min

Vendas no varejo, desemprego nos EUA e balanço da Netflix: o que move os mercados

Vendas no varejo, desemprego nos EUA e balanço da Netflix: o que move os mercados

Investidores acompanham nesta quinta-feira, 16, uma agenda econômica concentrada em indicadores de atividade, com destaque para os dados de vendas no varejo no Brasil e nos Estados Unidos.

No cenário doméstico, o mercado também deve repercutir a decisão do presidente americano Donald Trump de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada na noite de quarta-feira, 15, além dos desdobramentos políticos e eleitorais.

O que acompanhar

O principal indicador do dia no Brasil será divulgado às 9h pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com as vendas no varejo de maio. O dado chega após uma retração de 1,5% na comparação mensal em abril e avanço de 1% em 12 meses. Para o varejo ampliado, que inclui veículos, materiais de construção e atacarejo, o resultado anterior foi de queda de 0,7% no mês e alta de 1,4% no acumulado anual.

Nos Estados Unidos, a agenda também concentra atenção nos dados de consumo e mercado de trabalho. Às 9h30, o Census Bureau divulga as vendas no varejo de junho, indicador acompanhado pelo Federal Reserve para avaliar a força da economia americana.

Em maio, o índice avançou 0,9% na comparação mensal, e a expectativa do mercado é de uma alta mais moderada, de 0,2%. O núcleo das vendas, que exclui itens mais voláteis, teve crescimento de 0,8% no mês anterior, com projeção de estabilidade.

No mesmo horário, o Departamento do Trabalho americano apresenta os pedidos iniciais de seguro-desemprego da semana. O dado anterior mostrou 215 mil novas solicitações, com expectativa de 216 mil pedidos. Os investidores acompanham os números em busca de sinais sobre o mercado de trabalho americano e os próximos passos do Federal Reserve em relação aos juros.

Ainda nos Estados Unidos, às 11h, a Associação Nacional de Corretores de Imóveis (NAR) divulga as vendas pendentes de moradias do mês passado. O indicador registrou alta de 3,8% em maio na comparação mensal e avanço de 4,8% em 12 meses. Para a nova leitura, a projeção é de uma queda de 0,5%.

Na Europa, os mercados acompanham pela manhã os dados de atividade e comércio. No Reino Unido, às 3h, o Escritório Nacional de Estatísticas (ONS) divulga o Produto Interno Bruto (PIB) de maio, a balança comercial e a produção industrial. O PIB britânico havia registrado queda de 0,1% na comparação mensal em abril e alta de 1,2% em 12 meses. Já a produção industrial ficou estável no período.

Na zona do euro, a Eurostat divulga às 6h a balança comercial de maio. O resultado anterior foi negativo em 1 bilhão de euros, enquanto a expectativa do mercado é de um saldo positivo de 2,8 bilhões de euros. Na Itália, o instituto Istat apresenta a leitura final da inflação ao consumidor de junho, após alta de 0,4% no mês e 3,2% em 12 meses em maio.

No mercado brasileiro, o Tesouro realiza às 11h45 um leilão de títulos públicos, com oferta de LTN e NTN-F, operação acompanhada pelos investidores para avaliar a demanda por papéis prefixados em meio ao cenário de juros elevados.

Impactos das novas tarifas

Além da agenda econômica, o mercado segue monitorando os impactos da nova política comercial dos Estados Unidos. Trump confirmou a recomendação do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) para aplicar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, encerrando a investigação aberta pela Seção 301 da Lei de Comércio americana.

A medida, porém, mantém uma lista de exceções com cerca de 2.100 produtos, incluindo itens relevantes da pauta exportadora brasileira, como carne, café, laranja, suco de laranja e componentes para fabricação de aeronaves.

A decisão ainda ampliou a lista de produtos livres da tarifa após análises de manifestações de empresas e associações nas audiências realizadas na semana passada. Segundo o governo americano, os itens foram excluídos por serem insumos importantes para a indústria dos Estados Unidos, terem baixa oferta doméstica ou dificuldade de substituição por outros fornecedores.

Agenda política e corporativa

No ambiente político, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, se reúne com representantes de big techs para discutir estratégias de combate à desinformação. O mercado também acompanha a divulgação de pesquisa PoderData sobre a eleição presidencial e o último dia de validade da Medida Provisória nº 1.343/26, que trata do piso mínimo do frete.

No exterior, o presidente dos EUA tem discurso previsto para as 22h, no horário de Brasília, evento que pode entrar no radar dos investidores diante das recentes decisões envolvendo comércio internacional e geopolítica.

No mercado corporativo, o destaque fica para a divulgação do balanço do segundo trimestre da Netflix (NFLX).

A sessão acontece após um pregão de cautela na bolsa brasileira. OIbovespa encerrou na véspera em queda de 0,36%, aos 176.010,90 pontos, pressionado pela expectativa de confirmação das tarifas americanas sobre produtos brasileiros e pela alta do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio.

Nos Estados Unidos, em contraste, os principais índices fecharam em alta após o dado de inflação ao produtor (PPI) abaixo das expectativas reforçar a percepção de menor pressão inflacionária. O Dow Jones avançou 0,17%, o S&P 500 subiu 0,45% e o Nasdaq teve alta de 0,73%.

No câmbio, o dólar encerrou praticamente estável frente ao real, com alta de 0,01%, a R$ 5,078. A moeda americana chegou a perder força ao longo do dia após o PPI americano indicar desaceleração dos preços, mas o ambiente doméstico, com o cenário eleitoral e a expectativa pelo anúncio tarifário dos Estados Unidos, limitou o movimento.

AutorClara Assunção
FonteExame
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