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Sacre Investimentos
Mundo
22/07/2026
4 min

Venezuela precisará de US$ 37 bilhões para se reconstruir, e busca recursos

Venezuela precisará de US$ 37 bilhões para se reconstruir, e busca recursos

Os terremotos que atingiram a Venezuela no fim de junho transformaram um promissor plano de aproximação econômica entre Washington e Caracas em uma gigantesca operação de reconstrução. Em vez de concentrar esforços na abertura do setor de petróleo e mineração ao capital americano, o governo dos Estados Unidos agora enfrenta o desafio de coordenar uma resposta a uma catástrofe estimada em US$ 37 bilhões.

Segundo as Nações Unidas, os danos equivalem a cerca de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) anual da Venezuela. Rodovias foram destruídas, linhas de transmissão de energia caíram e dezenas de milhares de edifícios sofreram danos ou desabaram, especialmente no estado costeiro de La Guaira, onde milhares de pessoas continuam desabrigadas.

A tragédia também reforçou a dependência da Venezuela em relação aos Estados Unidos. Desde a captura do ex-presidente Nicolás Maduro por forças americanas, em janeiro, Washington afirma controlar as receitas do petróleo e as finanças estatais venezuelanas, tornando-se o principal responsável pelo financiamento e coordenação da reconstrução do país.

A presidente interina, Delcy Rodríguez, enfrenta críticas pela condução das operações de resgate e pelo ritmo da resposta governamental. O fracasso na reconstrução pode ampliar a instabilidade política e comprometer os planos dos EUA de estabilizar a Venezuela sob a nova administração de transição, afirma o Wall Street Journal.

Auxílio e velhos problemas

Por sua vez, o secretário de Estado americano Marco Rubio prometeu uma resposta integrada do governo americano após o desastre, que deixou mais de 5 mil mortos.

Militares dos EUA participaram do levantamento de danos, da recuperação de aeroportos e da distribuição de ajuda humanitária. Em menos de um mês, Washington informou ter destinado cerca de US$ 386 milhões em assistência, um valor superior ao concedido em decorrência dos terremotos recentes na Turquia, na Síria, no Haiti e em Mianmar.

Especialistas afirmam que a prioridade imediata deve ser oferecer moradia a cerca de 26 mil pessoas que perderam suas casas. Além da crise humanitária, a demora na reconstrução pode provocar problemas sanitários, de segurança pública e de governança, dificultando ainda mais a recuperação econômica do país.

Os terremotos também expuseram deficiências estruturais acumuladas ao longo de décadas. Diversos prédios populares construídos no âmbito do programa habitacional Gran Misión Vivienda, criado pelo ex-presidente Hugo Chávez, ruíram por completo. Muitos desses empreendimentos utilizavam materiais de baixa qualidade ou seguiam por anos sem manutenção devido à crise econômica venezuelana prolongada.

Engenheiros consultados pelo Wall Street Journal apontam que parte das construções foi erguida sobre terrenos de sedimentos instáveis, o que amplifica os efeitos dos tremores. Outros edifícios apresentavam falhas atribuídas à corrupção e ao descumprimento de normas técnicas, apesar de a legislação venezuelana prever padrões rigorosos para construções em áreas sísmicas.

A devastação também destruiu o principal patrimônio de milhares de famílias. Em um país em que o mercado de crédito imobiliário praticamente desapareceu após anos de hiperinflação e do colapso do bolívar, os imóveis eram a principal forma de preservar o patrimônio. Com a perda das residências, muitas famílias ficaram sem qualquer reserva financeira.

Ao mesmo tempo, o governo interino tenta aproveitar a crise para negociar novas concessões de Washington. Delcy Rodríguez defende o alívio das sanções econômicas e a liberação de ativos venezuelanos bloqueados no exterior, incluindo reservas de ouro mantidas no Banco da Inglaterra, argumentando que esses recursos serão essenciais para financiar a reconstrução.

Enquanto isso, moradores das áreas mais atingidas vivem entre escombros, em abrigos improvisados e na incerteza sobre o futuro. Para muitos venezuelanos, a reconstrução do país dependerá não apenas da capacidade do governo local, mas também do compromisso dos Estados Unidos em transformar a ajuda emergencial em um plano duradouro de recuperação econômica e urbana.

AutorMatheus Gonçalves
FonteExame
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