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Sacre Investimentos
MercadosACS
21/06/2026
4 min

Ventos favoráveis para a Gerdau (GGBR4)? Safra eleva preço-alvo com visão mais positiva para América do Norte; entenda

Ventos favoráveis para a Gerdau (GGBR4)? Safra eleva preço-alvo com visão mais positiva para América do Norte; entenda

O Banco Safra elevou o preço-alvo de Gerdau(GGBR4) de R$ 25,50 para R$ 30 para o final de 2026, ao incorporar uma perspectiva mais favorável para os preços do aço nos Estados Unidos, além de que um impacto negativo “mais suave” decorrente do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, em inglês) mais do que compensa o fortalecimento do real.

A nova precificação implica um potencial de valorização de 38,50% em relação ao último fechamento (19). O banco manteve a recomendaão de compra para Gerdau.

De acordo com o Safra, a visão mais otimista para GGBR4 está baseada em três fatores:

  • potencial de resultados acima do consenso para a operação da América do Norte em 2027;
  • posicionamento ainda leve dos investidores no papel;
  • melhora das perspectivas de fluxo de caixa livre (FCF), impulsionada por menores investimentos (capex), impostos pagos em caixa e despesas financeiras.

Mesmo que os rendimentos da Gerdau se tornem mais atraentes após 2026, o Safra prevê um potencial de alta de cerca de 1% sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, em inglês) consensual de 2026 e de 14% para 2027. A estimativas de Ebitda são de R$ 12,6 bilhões e R$ 14,5 bilhões, respectivamente, para 2026 e 2027.

O banco menciona ainda que a Gerdau negocia a 4,1x o Ebitda estimado para 2026 e 3,3x para 2027, níveis considerados atrativos em comparação com a média histórica de cinco anos, de 4,1x, e com as siderúrgicas americanas, que negociam a 9,7x em 2026 e 9,1x em 2027.

Quanto ao rendimento do fluxo de caixa livre (FCF yield), o Safra projeta uma média de aproximadamente 11% entre 2026 e 2028, acima do consenso de cerca de 9%.



Normalização das margens

Para o Safra, as negociações do USMCA indicam cada vez mais um cenário de “USMCA zumbi”, no qual acordos bilaterais e tarifas estruturalmente mais elevadas substituem uma renegociação trilateral completa.

“Em nosso modelo, o impacto negativo ponderado por probabilidade sobre o Ebitda da Gerdau América do Norte é de apenas 7% a 9%, bem abaixo dos aproximadamente 19% implícitos no consenso para 2029 em um cenário de normalização tarifária”, afirma.

O banco complementa que o mercado ainda superestima o risco de uma normalização completa das tarifas e subestima a probabilidade de que as margens do aço nos EUA permaneçam estruturalmente mais elevadas por mais tempo.

Ao considerar essa visão mais positiva às projeções para os preços do aço nos EUA, o Safra elevou a estimativa de margem Ebitda da América do Norte para cerca de 24% em 2026 e 2027 e para a margem Ebitda de longo prazo para 21%, entre 1 e 2 pontos percentuais acima do consenso.

Cautela com Aço Brasil

Para a operação brasileira da Gerdau, o banco segue com uma visão cautelosa para a margem Ebitda em 2026 (9,5%) e para a margem de longo prazo (cerca de 15,5%).

“Esperamos geração adicional de Ebitda e expansão da rentabilidade decorrentes do projeto Miguel Burnier, mas permanecemos cautelosos em relação a novos aumentos de preços no curto prazo, diante da demanda fraca e dos estoques ainda elevados ao longo da cadeia de suprimentos, fator que já prejudicou tentativas recentes de reajuste de preços”, detalha o Safra.

Ainda assim, pode surgir um vetor altista no cenário base do banco para a Gerdau caso as medidas antidumping — especialmente as investigações em andamento sobre bobinas laminadas a quente (HRC) e fio-máquina (wire rod) — reduzam as importações provenientes da Ásia.

De acordo com o Safra, isso permitiria que os produtores domésticos elevassem suas taxas de utilização da capacidade, diluíssem custos fixos e melhorassem ainda mais os preços praticados.

AutorAnna Scabello
FonteMoney Times
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