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Empresas
22/10/2026
5 min

Viagem tranquila da Motiva (MOTV3) ficou para trás: Citi corta recomendação para neutra e sobe preço-alvo; ação cai 2%

O banco gosta da empresa, mas projeta que boa parte da alta já foi incorporada no papel; entenda a tese por trás das mudanças

Viagem tranquila da Motiva (MOTV3) ficou para trás: Citi corta recomendação para neutra e sobe preço-alvo; ação cai 2%

Quem já pegou estrada em feriado prolongado sabe que a hora de partir muda tudo: quem sai cedo encontra a pista livre, quem deixa para depois encara fila no pedágio e anda bem mais devagar. E foi mais ou menos isso que aconteceu com a Motiva (MOTV3).  

Para o Citi, o trecho mais tranquilo da viagem as ações da maior operadora de rodovias pedagiadas do país ficou para trás. Depois da alta recente dos papéis com as eleições, o banco cortou a recomendação de compra e passou para neutra. 

Tem um detalhe curioso. Na mesma revisão, o Citi aumentou o preço-alvo da antiga CCR de R$ 16,60 para R$ 20,40. Parece contraditório, mas não é: a empresa vale mais, só que a ação subiu tanto que o espaço para novos ganhos encolheu. 

Os juros e o preço-alvo da Motiva 

O terceiro trimestre de 2026 não foi dos melhores para a concessionária. O tráfego nas rodovias foi mais fraco e o Citi passou a esperar um Produto Interno Bruto (PIB) menor, o que reduziu um pouco as projeções de lucro. 

O que puxou o preço-alvo para cima foi a queda dos juros. Para chegar aos R$ 20,40, o banco calculou o valor da empresa com base nos fluxos de caixa de todos os contratos de concessão até o vencimento, sem valor residual.  

O cálculo usa um custo de capital próprio de 13,5%. 

O que pesou na recomendação da Motiva

O Citi continua otimista com a Motiva. O banco elogia os fundamentos e vê espaço para a empresa seguir melhorando o portfólio. A questão é o preço. 

Hoje, a ação oferece um retorno real estimado de 8,2% ao ano. É só 1,3 ponto percentual acima dos juros reais dos títulos públicos, uma diferença perto das mínimas históricas.  

Em outras palavras, o investidor ganha pouco a mais para assumir o risco da ação em vez de ficar no título do governo. 

Além do preço, o Citi aponta outros dois motivos para frear o otimismo. 

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Quando ser bom pagador limita os ganhos 

O primeiro motivo é, curiosamente, uma qualidade da empresa. A Motiva tem dívida menor do que as outras concessionárias de rodovias, e deve cair ainda mais com a venda da divisão de aeroportos. A operação deve ser concluída no terceiro trimestre de 2026 e render R$ 5,2 bilhões em caixa. 

Com as contas em ordem, a empresa consegue pegar dinheiro emprestado mais barato do que os concorrentes. Isso ajudou bastante nos tempos de Selic alta.  

Agora que os juros caem, porém, Motiva tem pouco a ganhar trocando dívidas antigas por novas mais baratas, porque já paga pouco. 

Segundo o Citi, só 21% da dívida atrelada à inflação da Motiva paga taxa igual ou maior que os juros de longo prazo dos títulos públicos, considerando operações de swap.  

Por isso, a ação reage menos aos juros do que a de outras concessionárias — cai menos quando as taxas sobem, mas também sobe menos quando elas caem. 

Aditivos atrasados e com novas contas 

Os aditivos contratuais das concessões SPVias e AutoBAn e das Linhas 5 e 17 do metrô de São Paulo são o segundo motivo citado pelo Citi.  

Quando colocou a Motiva na lista de compras, o banco apontou esses acordos como uma possível fonte de valor para o acionista. 

Agora o cenário mudou. O dinheiro extra que a empresa recebe com os aditivos é calculado com base no custo da dívida, mais exatamente na média de 60 dias dos juros reais dos títulos públicos.  

Com juros mais baixos, as condições dos acordos devem ser revistas para menos. 

Também há atraso. A aprovação dos aditivos está demorando mais do que o banco esperava, e parte deles deve ficar para o primeiro semestre de 2027. 

Refeitas as contas, o Citi concluiu que o valor gerado pelos aditivos ficou parecido com o da análise anterior: a empresa recebe menos, mas também gasta menos para se financiar.  

Só que, com a ação mais cara, o potencial de alta diminui, e o retorno adicional segue apertado mesmo com todos os aditivos na conta. 

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O que pode dar errado (ou certo) 

Entre os riscos que podem impedir a ação da Motiva de chegar ao preço-alvo, o Citi lista: 

  • Decisões desfavoráveis de governos federal ou estaduais; 
  • A gestão não cumprir as metas de retorno aos acionistas; 
  • Pagar caro demais por novos ativos; 
  • Alta no custo de materiais como asfalto e concreto; 
  • Uma economia fraca ou com juros muito altos. 

Por outro lado, aquisições que gerem valor, ajustes vantajosos no portfólio, uma economia mais forte e juros ainda mais baixos podem levar a ação além dos R$ 20,40. 

A Motiva de hoje 

Desde a mudança parcial no grupo de controle em 2022, a Motiva deixou de crescer comprando ativos. O foco agora é cuidar bem do que já tem: cortar custos, ajustar contratos e devolver mais dinheiro aos acionistas. 

Além das rodovias, a companhia opera trens de passageiros e aeroportos no Brasil e tem participações em aeroportos no Equador, na Costa Rica e em Curaçao.

AutorCarolina Gama
FonteSeu Dinheiro
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