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Sacre Investimentos
Mercado ImobiliárioFII
03/08/2026
4 min

Vila Madalena para bar, Bom Retiro para moda: veja vocação dos bairros de SP

SuaQuadra criou ferramenta que analisa milhares de imóveis comerciais para indicar os melhores pontos para mais de 50 tipos de negócios

Vila Madalena para bar, Bom Retiro para moda: veja vocação dos bairros de SP

Escolher o endereço certo pode ser a diferença entre um negócio prosperar ou fechar as portas. Em São Paulo, uma nova ferramenta de inteligência artificial tenta transformar uma decisão tradicionalmente baseada em experiência e feeling em uma análise de dados: identificar quais bairros têm maior aderência para cada tipo de comércio ou serviço.

A startup SuaQuadra, imobiliária comercial especializada em tecnologia, criou uma ferramenta chamada Vocacional, que cruza informações de cerca de 8 mil imóveis comerciais da capital paulista com dados de infraestrutura, perfil demográfico, fluxo de pessoas e características de mais de 50 segmentos de mercado.

A proposta é responder uma pergunta comum entre empreendedores: qual negócio tem mais chance de funcionar naquele ponto?

A ferramenta chega em um momento em que a localização continua sendo um dos principais desafios para novos negócios. Segundo dados do IBGE divulgados pela empresa, 60% dos novos negócios no Brasil fecham em até cinco anos, e a escolha inadequada do ponto comercial aparece entre os fatores associados à mortalidade empresarial.

“Na prática, o empreendedor deixa de buscar por metragem e preço e passa a buscar pelo negócio que quer abrir. O nome faz referência ao teste vocacional, ajudando a descobrir a verdadeira vocação daquele espaço antes de qualquer investimento”, afirma Bruno Bartholi, cofundador e diretor de produtos da SuaQuadra.

O mapa das vocações comerciais de São Paulo

A análise da SuaQuadra mostra que diferentes bairros da capital paulista desenvolveram especializações comerciais ao longo do tempo.

O Bom Retiro, por exemplo, aparece como um dos bairros mais concentrados em um único segmento: 38% dos imóveis são considerados adequados para lojas de roupa, quase dez vezes a média da cidade.

Já a Santa Efigênia se destaca pelo varejo, com 78% dos imóveis apresentando o uso de loja como a vocação comercial mais indicada.

No eixo formado por Itaim Bibi, Brooklin e Vila Olímpia, a predominância é corporativa. No Itaim e no Brooklin, 85% dos imóveis analisados são considerados adequados para escritórios.

Outros bairros também aparecem associados a segmentos específicos. A Vila Madalena tem forte vocação para lazer, com destaque para bares, cuja adequação é 42 vezes superior à média da cidade, segundo o levantamento. A Vila Mariana aparece como uma região favorável para negócios ligados a cuidados, como casas de repouso, spas e clínicas de estética.

Enquanto alguns bairros desenvolveram identidades comerciais mais específicas, outros apresentam uma combinação maior de possibilidades.

Segundo a análise da SuaQuadra, Pinheiros aparece como uma das regiões mais versáteis da cidade, com bons indicadores para restaurantes, coworkings e cafés.

Nos Jardins, a vocação está ligada a negócios associados ao público de maior renda, como cafés e consultórios de padrão elevado. Já o Centro aparece como uma região mais adequada para cafés de passagem, com maior circulação diária.

Na zona leste, o Tatuapé se destaca como um polo ligado ao comércio digital, com vocação para operações de e-commerce 2,69 vezes acima da média da cidade. O Ipiranga combina características logísticas com uma alta concentração de lavanderias.

Entre os bairros mais ligados ao consumo cotidiano, a Mooca aparece como região favorável para mercadinhos, com uma concentração três vezes superior à média, enquanto o Tucuruvi se destaca tanto para mercados quanto para academias.

Segundo a empresa, a inteligência artificial foi treinada com dados de milhares de transações imobiliárias realizadas pela plataforma e passou por validação de executivos de expansão de marcas como Bacio di Latte, Kopenhagen e RD Saúde, além de especialistas do fundo imobiliário HSI.

A tecnologia analisa desde informações do entorno até características físicas dos imóveis, como plantas, imagens internas, acessibilidade e infraestrutura elétrica e hidráulica.

“Para chegar a essa precisão, agentes de inteligência artificial analisam as imagens internas e as plantas dos espaços, levando em conta a disposição física, acessibilidade e infraestrutura do imóvel, e cruzam esses dados com o perfil demográfico e socioeconômico do entorno”, explica Pedro Donato, cofundador e CEO da SuaQuadra.

AutorLetícia Furlan
FonteExame
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