Visa: programabilidade do blockchain vai facilitar o comércio via IA
Executivo da empresa falou nos desafios em permitir que o varejo online aceite pagamentos com robôs, verificando qual é confiável

A programabilidade do blockchain é algo que vai facilitar o desenvolvimento do comércio por meio de agentes de inteligência artificial (IA), na opinião de Frederico Succi, vice-presidente de produtos e inovação da Visa.
“Criptoativos têm muito a ver com comércio agêntico, porque é um mundo de pagamentos programáveis 24/7 e sem fronteiras. Com uma esteira de cripto em comércio via IA, junta-se a fome com a vontade de comer”, avalia Succi.
O executivo afirmou também que a Visa tem trabalhado nessa integração dos dois mundos: blockchain e IA. “Já estamos trabalhando na integração de blockchains com agentes. Cripto usado para liquidar, especialmente em microtransações”, explica.
De acordo com Succi, a Visa tem mais de 95% em fatia de mercado em emissores de cartão ligados a criptoativos. A maioria deles, diz o executivo, foi emitida por fintechs, pois as empresas grandes ainda estão dando seus primeiros passos nesse mercado.
Desafio das transações agênticas
Do lado das operações realizadas entre agentes de IA para um usuário humano, Succi diz que um dos desafios em construir infraestrutura para isso é que os comércios foram treinados para não aceitar robôs.
“Então criamos tecnologias para habilitar transações legítimas com robôs. Tem uma camada, que é de passar informação ao comércio para entender que é um agente confiável. O comércio, hoje em dia, precisa se preparar para atender bem o agente também”, aponta.
Outro ponto, conforme o executivo, é que o comércio online foi feito para capturar a atenção de humanos, algo que não funciona para transações agênticas, pois quando um robô não carrega de uma só vez todas as informações ele descarta o que não apareceu. “A Visa está adaptando a estrutura do comércio para ser responsivo para os agentes”, conta.
Questionado sobre o risco competitivo que representam para a Visa os modelos que não usam a empresa de pagamentos, como o caso da solução da Cielo que usa os agentes do Google Cloud para iniciar transações no e-commerce via chatbots, Succi diz que esse não é um setor em que só haja ameaças e oportunidades.
“Trabalhamos com a Cielo também em outras frentes. No mundo de pagamento não tem só competidor e parceiro.”
Succi deu entrevista à EXAME durante a Febraban Tech 2026.
