Visto da embaixadora brasileira nos EUA é revogado pelo Departamento de Estado
Sanção ocorre após decisão do Brasil de negar vistos a Riley Barnes e Samuel Samson

A embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, teve seu visto revogado pelo Departamento de Estado do país nesta terça-feira, 4.
A sanção ocorre logo após a decisão do Brasil de negar vistos a Riley Barnes, secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado americano, e a Samuel Samson, subsecretário-adjunto, que viriam ao país em uma missão diplomática e se reuniriam com Flávio Bolsonaro.
A informação foi confirmada pela EXAME com o governo Lula. Viotti é a primeira mulher a chefiar a missão diplomática brasileira em Washington e está no cargo desde junho de 2023.
Planalto já se preparava para sanções
O governo brasileiro já esperava o anúncio de novas sanções diplomáticas contra o Brasil por parte do governo dos Estados Unidos. O cenário considerado mais factível pelo governo brasileiro era que os EUA recusem ou revoguem vistos a oficiais brasileiros, como já ocorreu com a embaixadora.
Há também a possibilidade de que os americanos voltem a sancionar o ministro Alexandre de Moraes, do STF, no âmbito da Lei Magnitsky. A norma americana, voltada a punir condenados por corrupção e violadores dos direitos humanos, bloqueia ativos nos Estados Unidos, revoga seus vistos e impede que empresas americanas mantenham relação com os sancionados.
Moraes e a esposa, Viviane Barsi de Moraes, chegaram a ser incluídos no rol de punidos pela Magnitsky no ano passado, mas foram retirados da lista em dezembro de 2025. O blogueiro Paulo Figueiredo, que tem influência junto à Secretaria de Estado americana, já solicitou formalmente o retorno da sanção.
Como a EXAME noticiou, os dois funcionários americanos solicitaram reuniões com autoridades brasileiras para abordar urnas eletrônicas e a embaixada dos EUA no Brasil informou queacomitiva se encontraria com Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O perfil ideológico dos dois funcionários do Departamento americano acendeu um alerta no governo brasileiro, que decidiu negar o visto por considerar que ambos teriam como objetivo corroborar teorias da conspiração sobre o processo eleitoral brasileiro, em sintonia com o discurso bolsonarista.
Matéria em atualização
