Vitacon, do estúdio de 10 metros quadrados, volta aos escritórios de alto padrão
Após se consolidar nos compactos, incorporadora amplia atuação para unidades de até 138 metros quadrados e prepara retorno ao mercado de lajes corporativas

A Vitacon ficou conhecida por transformar apartamentos compactos em um produto imobiliário desejado por investidores. Agora, a incorporadora quer ampliar o alcance da marca: além dos studios e unidades menores, a empresa passa a apostar em apartamentos maiores e prepara sua volta ao mercado de escritórioscorporativos de alto padrão.
O movimento começa com o lançamento do Vitacon João Ramalho, em Perdizes, com apartamentos de duas e três suítes e metragens entre 67 metros quadrados e 138 metros quadrados. A companhia também prepara torres corporativas triple A em regiões estratégicas de São Paulo, próximas à Faria Lima e Avenida Paulista.
Segundo Ariel Frankel, CEO da Vitacon, a expansão não representa uma mudança de direção, mas uma evolução do modelo de negócios. A empresa pretende acompanhar diferentes momentos da vida dos clientes, sem abandonar a filosofia que a tornou conhecida.
“Estamos ampliando o nosso mix de produtos porque entendemos que o mercado exige soluções para diferentes momentos de vida, perfis de uso e estratégias de investimento. A diversificação é um passo natural para a Vitacon, mas seguimos preservando a filosofia que tornou a marca reconhecida”, afirma.
Em 2017, a Vitacon chamou a atenção ao anunciar que lançaria um empreendimento em São Paulo com 72apartamentos com 10 metros quadrados. Para efeito de comparação, caberiam 13 unidades deste tipo no apartamento que a companhia lança agora em Perdizes.
Fim da era dos studios?
A Vitacon construiu sua marca explorando a demanda por apartamentos compactos, especialmente em regiões centrais de São Paulo, com foco em investidores interessados em locação de curta ou longa duração.
Agora, a empresa quer ampliar esse relacionamento. Segundo Frankel, a ideia é acompanhar o cliente ao longo do ciclo de vida: alguém que começa comprando um studio pode, no futuro, buscar uma unidade maior, com mais espaço para família ou home office.
“Não queremos ser uma incorporadora que entrega a chave e vai embora. Queremos olhar a jornada inteira do cliente, desde a venda, a mobília, a gestão e o pós-entrega”, afirma.
A mudança será gradual. Hoje, produtos maiores representam cerca de 20% a 25% do portfólio da companhia. A expectativa é que essa participação avance para aproximadamente um terço dos lançamentos nos próximos ciclos.
Apesar da expansão para novas tipologias, os compactos continuarão como parte central da estratégia. Segundo o executivo, ainda existe demanda elevada pelo produto, especialmente entre investidores.
O empreendimento na Rua João Ramalho, em Perdizes, também representa a entrada da Vitacon em uma faixa de metragem maior, mas mantém características que fizeram parte da estratégia da companhia nos últimos anos, como serviços, tecnologia e soluções voltadas à conveniência dos moradores.
O projeto aposta em uma estrutura de lazer e bem-estar mais ampla, com espaços como academia, piscina, sky bar, lounge, área para crianças, espaço para animais de estimação, horta e ambientes de convivência compartilhada.
As unidades também incorporam recursos tecnológicos, como fechaduras inteligentes e sistema de aquecimento central de água. Os apartamentos poderão ainda ser entregues mobiliados e equipados por meio da Housi, proptech ligada ao ecossistema da Vitacon, facilitando a operação para investidores que pretendem disponibilizar os imóveis para locação.
A volta aos escritórios
Além das novas tipologias residenciais, a Vitacon prepara seu retorno ao segmento corporativo, com projetos de lajes triple A em regiões nobres de São Paulo, como Faria Lima, Avenida Paulista e Jardins. A decisão acontece em um momento de recuperação do mercado de escritórios de alto padrão, impulsionado pelo movimento de empresas em busca de espaços mais modernos e bem localizados após a retomada do trabalho presencial.
Segundo levantamento do Research Lab da CBRE, mais de 431 mil metros quadrados de escritórios foram absorvidos entre janeiro e junho de 2026, volume 21% superior à média histórica dos primeiros semestres desde 2019. A absorção líquida chegou a aproximadamente 186 mil metros quadrados, o segundo melhor primeiro semestre dos últimos dez anos.
Mesmo com a entrega de 11 novos edifícios no período, cerca de 60% desse novo estoque já chegou pré-locado, indicando uma demanda elevada por ativos de maior qualidade. Nos edifícios Triple A, a taxa de vacância caiu para 9,8%, o menor nível em cinco anos, reforçando a escassez de espaços corporativos premium nas principais regiões da capital.
Esse movimento, segundo a CBRE, é impulsionado pelo chamado flight to quality: empresas têm priorizado edifícios mais eficientes, sustentáveis e estrategicamente localizados, capazes de melhorar a experiência dos funcionários e oferecer maior flexibilidade operacional. No primeiro semestre, 55% da absorção bruta ocorreu em edifícios Classe A e A+, consolidando a preferência por ativos de padrão elevado.
É nesse cenário que a Vitacon pretende voltar ao mercado corporativo. A companhia afirma que não busca desenvolver pequenos conjuntos comerciais, mas projetos de maior escala e com possibilidade de integração entre usos.
“Não estamos falando de salinhas. Estamos falando de projetos imponentes, robustos”, afirma Ariel Frankel, CEO da Vitacon.
A EXAME apurou que o empreendimento será lançado em uma esquina nos Jardins, na Alameda Lorena. O terreno foi viabilizado pela união de cerca de dez imóveis e proprietários diferentes, permitindo uma área maior para uma construção de padrão elevado.
A previsão é que empreendimentos desse porte levem cerca de três anos para serem entregues. A empresa ainda avalia diferentes modelos de negócio, incluindo a locação das lajes ou a venda dos ativos para fundos de investimento.
Foco nos investidores
A expansão de portfólio também reflete uma mudança no perfil do investidor imobiliário. Segundo Frankel, o comprador atual pode ter uma visão híbrida: busca retorno financeiro, mas também considera o uso futuro do imóvel por familiares.
Essa lógica permite que a Vitacon explore produtos diferentes sem abandonar o público investidor que ajudou a construir a marca.
A empresa mantém o compacto como uma ferramenta importante para estratégias de locação e investimento, mas amplia o portfólio para capturar clientes em diferentes momentos da vida.
A tese da companhia é que o futuro do mercado imobiliário não estará em um único formato de apartamento, mas na capacidade de oferecer produtos conectados à localização, tecnologia, serviços e experiência.
