Vitória da oposição no Brasil pode fazer bolsa ‘decolar’, segundo bancão gringo
Uma eventual vitória da oposição, representada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nas eleições pode fazer a Bolsa brasileira decolar, segundo o JPMorgan. O banco estima que uma migração do mercado para um cenário de melhora levaria o MSCI Brasil a uma alta de 28% ante os níveis atuais, enquanto um ajuste estrutural poderia resultar em […]

Uma eventual vitória da oposição, representada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nas eleições pode fazer a Bolsa brasileira decolar, segundo o JPMorgan.
O banco estima que uma migração do mercado para um cenário de melhora levaria o MSCI Brasil a uma alta de 28% ante os níveis atuais, enquanto um ajuste estrutural poderia resultar em uma valorização de 54%.
De acordo com o banco, o mercado está sendo negociado entre os cenários de deterioração e melhora, o que faz sentido diante da incerteza atual. “Ainda assim. está muito mais próximo do cenário de deterioração”, diz.
Além disso, segundo o banco, um ajuste estrutural levaria a uma alta implícita de 54%, com o P/L (preço sobre o lucro) médio avançando para 13,3 vezes — nível observado pela última vez em 2020.
O JP considera que vencedor da eleição seria da oposição, no caso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e não do governo atual, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Cenário de curto prazo
De acordo com os analistas do banco, um resultado eleitoral negativo para o mercado poderia levar a uma alta de 90 pontos-base nos rendimentos (yields) dos títulos públicos.
Por outro lado, o JP prevê que um cenário positivo poderia levar a uma queda média de 160 pontos-base nos yields brasileiros.
“Nos últimos 10 anos, uma queda de 0,5% nos yields dos títulos públicos produziu uma alta de 2% no MSCI Brasil. Isso corresponderia a uma queda implícita de 3,6% no mercado”, detalha o banco.
Em contrapartida, um cenário positivo corresponderia a uma alta implícita de 6,4% no MSCI Brasil.
“No entanto, acreditamos que a alta poderia ser maior caso o mercado tivesse uma visão positiva sobre a direção e a implementação da política econômica do próximo governo, incluindo os potenciais candidatos ao Ministério da Fazenda — e o gabinete como um todo”, acrescenta o JP.
Nesse cenário, o banco avalia que o mercado poderia migrar de forma mais concreta para o “equilíbrio” correspondente ao cenário de melhora.
Médio prazo
Em um cenário de “melhora/ajuste estrutural”, as taxas de juros poderiam cair para seu nível neutro — 6% em termos reais, ou 10% em termos nominais, considerando expectativas de inflação de 4%.
Isso, considera o JP Morgan, provavelmente só seria possível com uma agenda robusta de reformas, como ocorreu no período entre 2016 e 2020.
O yield do título público brasileiro de 2 anos caiu quase 12 pontos percentuais, para 4,7%. Durante esse período, o mercado subiu 130% e o P/L projetado para os próximos 12 meses do Brasil atingiu 11,4 vezes.
Assim, considerando os quatro anos completos do período de “ajuste estrutural”, para cada queda de 50 pontos-base nos rendimentos, o mercado ganhou 5,5%.
Nos cálculos do banco, em uma abordagem mais conservadora — uma regressão baseada em dados semanais — indica que cada queda de 50 pontos-base nos yields produziu um retorno de 2,8% no MSCI Brasil ao longo das seis semanas seguintes.
Portanto, o JP considera um potencial de alta do MSCI Brasil entre 21% e 41%, caso o mercado migre para o modo de melhora/ajuste estrutural.
