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Sacre Investimentos
Economia
20/10/2026
4 min

Vitória de Flávio Bolsonaro pode levar real a novo salto, mas fôlego depende do Congresso, diz Commerzbank

O Commerzbank avalia que uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo domingo (25), tende a provocar nova valorização do real, ao menos no curto prazo. O analista Norman Liebke afirma que o resultado deve ser acompanhado de perto pelo mercado, já que representaria uma mudança em […]

Vitória de Flávio Bolsonaro pode levar real a novo salto, mas fôlego depende do Congresso, diz Commerzbank

O Commerzbank avalia que uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo domingo (25), tende a provocar nova valorização do real, ao menos no curto prazo.

O analista Norman Liebke afirma que o resultado deve ser acompanhado de perto pelo mercado, já que representaria uma mudança em relação às políticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“A duração dessa euforia com o real vai depender, em última análise e em grande medida, de quais medidas fiscais Flávio Bolsonaro vai anunciar e, sobretudo, do que ele realmente será capaz de implementar”, diz Liebke.

Real já reagiu ao primeiro turno

Após o primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro teve 47% dos votos e Lula, 45%, o dólar recuou de cerca de R$ 5,20 para perto de R$ 5,00, uma valorização de cerca de 4% do real.

Segundo o banco, a moeda brasileira perdeu parte desse ganho desde então, mas segue bem abaixo do nível anterior à votação.

As pesquisas mais recentes mostram disputa apertada. Uma delas, feita entre 16 e 18 de outubro, indica empate técnico. Outras, realizadas até o dia 16, ainda apontavam vantagem de Flávio Bolsonaro.

O Commerzbank cita a aprovação, no Senado, da redução da jornada semanal de 44 para 40 horas como um possível trunfo de Lula, mas diz que o episódio não parece ter alterado de forma significativa o quadro geral.

Agenda fiscal é o principal fator

Para o banco, o fôlego do real dependerá de quais medidas fiscais Flávio Bolsonaro, se eleito, vai anunciar e, sobretudo, de quais conseguir vai aprovar.

Ele prometeu maior consolidação fiscal e política econômica mais pró-mercado para conter uma dívida bruta próxima de 83% do Produto Interno Bruto (PIB).

Com o déficit fiscal perto de 10% do PIB e despesas elevadas com juros, o Commerzbank ressalta que reduzir o rombo rapidamente será um desafio.

O Congresso é outro limitador. O PL ampliou sua bancada em ambas as casas: no Senado, passou de 18,5% para 35,8% das cadeiras; na Câmara, de 19,3% para 23,6%. Outras legendas conservadoras também cresceram. Mesmo assim, o partido está longe da maioria própria e dependeria de alianças, inclusive para aprovar leis e indicar presidentes do Banco Central.

O Commerzbank vê um ambiente político mais favorável do que o enfrentado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, mas não livre de restrições.

Por isso, o banco alerta para o risco de o otimismo cambial se esgotar. “Há considerável potencial de reversão”, diz o analista, caso a oposição parlamentar permita implementar o plano só em parte ou nem isso.

Aproximação com os EUA corta dos dois lados

A política externa também pesa. O banco vê a relação próxima de Flávio Bolsonaro com Washington como uma “faca de dois gumes”. De um lado, a aproximação poderia acelerar o fim da disputa comercial com os EUA.

Um grupo de trabalho bilateral criado ainda no governo Lula já negocia tarifas e um acordo comercial mais amplo, com foco no acesso americano aos minerais críticos brasileiros, para reduzir a dependência da China.

Investidores norte-americanos ainda poderiam enxergar um presidente pró-mercado como risco menor, o que também ajudaria o real.

De outro lado, o alinhamento com os EUA pode deteriorar as relações com a China, maior parceiro comercial do Brasil, e com os demais países do Brics.

E se Lula vencer?

O Commerzbank afirma que Lula enfrentaria dificuldades ainda maiores com um Congresso mais conservador.

O presidente que tenta o quarto mandato prometeu superávit primário de 0,13% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, chegando a 1,5% nos quatro anos seguintes.

Para o banco, porém, a dívida subiu quase 10 pontos percentuais do PIB no atual mandato, e Lula só deu atenção à responsabilidade fiscal após pressão do mercado.

A avaliação é que a dívida continue em alta no início de um eventual novo mandato, o que geraria “entusiasmo limitado” entre investidores.

AutorCarolina Gama
FonteMoney Times
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