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Mundo
04/11/2026
4 min

Vitória democrata e derrota republicana: a reação internacional às eleições nos EUA

Enquanto Europa celebra 'onda democrata' e sinalização contra inflação, Irã fala em derrota política e China pede manutenção do diálogo bilateral

Vitória democrata e derrota republicana: a reação internacional às eleições nos EUA

O partido democrata impôs uma derrota histórica a Donald Trump e ao partido republicano ao recuperar o controle tanto da Câmara dos Representantes quanto do Senado nas eleições legislativas de meio de mandato. O desfecho da eleição americana gerou reações em diversos líderes e autoridades globais.

Veja as principais manifestações mundo afora

Irã

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, descartou qualquer expectativa de alteração nas diretrizes americanas em relação a Teerã. "Aqueles que ainda alimentam a menor esperança de ver o comportamento do sistema hegemônico mudar graças a mudanças partidárias (...) estão gravemente enganados", afirmou em comunicado.

O negociador-chefe do país para assuntos com os Estados Unidos, Mohamad Bagher Ghalibaf, avaliou que "seja por consciência ou pelo custo de vida, os americanos disseram NÃO À GUERRA, e nós apoiamos essa mensagem". Já o chefe de segurança iraniano, Mohsen Rezaei, adotou um tom mais direto: "A nação iraniana infligiu a Trump uma derrota estratégica no campo de batalha e no Estreito de Ormuz, e uma DERROTA POLÍTICA em Washington".

Israel

Em meio às negociações para a formação de um novo governo em Israel, o líder do bloco de oposição, Gadi Eisenkot, prometeu reforçar as alianças com Washington caso assuma como primeiro-ministro.

"Com minha liderança, renovaremos e fortaleceremos essa parceria e consolidaremos as bases bipartidárias que a sustentaram por muito tempo", disse Eisenkot, afirmando esperar "trabalhar de forma construtiva" com Trump para "fortalecer a estabilidade regional".

Europa

Para o primeiro-ministro trabalhista do Reino Unido, Andy Burnham, o cenário abre caminho para enfrentar a crise inflacionária. "O presidente Trump aceitou os resultados, e acredito que o mundo tem agora a oportunidade de se unir em torno da questão que está afetando a todos nós, que é o custo de vida". Ele ponderou, no entanto, que isso será "impossível (...) enquanto não for resolvido o conflito no Oriente Médio, assim como o da Ucrânia, desencadeado pela Rússia".

Na França, o ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, classificou a vitória democrata como "uma notícia muito boa para a democracia americana". Segundo ele, o resultado é "uma nova demonstração de que, em uma democracia, é o povo quem escreve sua própria história".

A Alemanha também celebrou. O ministro das Relações Exteriores, Johann Wadephul, destacou a "mudança" e defendeu o lançamento de novas iniciativas para conter as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. No mesmo sentido, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, declarou esperar que o novo Congresso americano "exerça mais pressão sobre a Rússia".

Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez, que enfrenta campanha para eleições legislativas antecipadas no final do mês, afirmou que a "onda extrema está desmoronando". Segundo ele, a sociedade americana votou "contra as políticas que só empobrecem, contra o ódio, o machismo e o negacionismo climático".

Rússia

O Kremlin se manifestou por meio do porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov. Em declaração citada por um veículo alinhado ao governo de Vladimir Putin, Peskov afirmou: "O presidente Trump continua no cargo e esperamos sinceramente que também dê continuidade a seus esforços em favor da paz" em relação à Ucrânia.

China

O governo chinês evitou avaliar o resultado das urnas. "As eleições legislativas de meio de mandato são um assunto interno dos Estados Unidos", disse Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China. Ela acrescentou que Pequim "está disposta a continuar trabalhando com os Estados Unidos para preservar e implementar o importante consenso alcançado pelos dois chefes de Estado, reforçar a comunicação e administrar adequadamente as divergências".

América Latina e África

No México, a presidente Claudia Sheinbaum celebrou os triunfos de candidatos com raízes no país. "Gostaria de destacar a vitória de duas pessoas de origem mexicana, que são o governador eleito da Califórnia e a governadora eleita do Texas [os democratas Xavier Becerra e Gina Hinojosa]". Sheinbaum reforçou a busca pela "melhor relação com os Estados Unidos, garantindo o respeito à nossa soberania e colaboração sem subordinação".

No continente africano, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, resumiu a perspectiva após o pleito ao afirmar que espera o início de uma "nova era nas relações internacionais".

AutorDiego Pavão
FonteExame
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