'Você quer um relógio ou ser rico?': guru do software critica trabalho remoto e jornadas mais curtas

Para quem deseja construir carreira no setor de tecnologia, especialmente em startups, o cenário atual exige uma decisão clara. Pelo menos é o que defende Jason Lemkin, investidor e empreendedor conhecido no Vale do Silício como o "padrinho do Software como Serviço (SaaS)" — modelo de negócios em que programas são oferecidos por assinatura e pela internet.
Em um episódio recente do podcast 20VC, Lemkin afirmou que quem busca horários mais flexíveis dificilmente alcançará os maiores ganhos financeiros do setor.
"Você não vai ganhar US$ 10 milhões trabalhando 18 horas por semana. Você ganha um relógio. Você ganha um Omega", disse. "Você quer um relógio ou quer ser rico? Façam a sua escolha."
Segundo ele, apesar de algumas pessoas conseguirem ser produtivas remotamente, sua experiência mostra que o trabalho em casa traz muitas distrações.
"No universo restrito de empresas que me interessam, elas não estão contratando pessoas que querem trabalhar 20 horas por semana de casa", afirmou.
Trabalho remoto não combina com o ritmo das startups, diz investidor
Lemkin é fundador da SaaStr, uma comunidade voltada para empreendedores de empresas B2B (business-to-business), que vendem produtos e serviços para outras empresas.
No podcast, ele concordou com uma declaração feita anteriormente por Ryan Petersen, CEO da Flexport, que classificou o trabalho remoto como uma espécie de "fraude de colarinho branco" devido às inúmeras distrações enfrentadas pelos funcionários.
Petersen citou a própria experiência para ilustrar o argumento.
"Tenho filhos de três e cinco anos. A ideia de que eu poderia trabalhar em casa é uma fantasia total", afirmou em outro episódio do 20VC. "Tenho uma casa maior do que a da maioria dos funcionários e um escritório privativo onde posso fechar a porta. Mesmo assim, não se consegue trabalhar quando as crianças estão por perto."
Para Lemkin, no entanto, essa discussão já estaria superada. Segundo ele, as empresas que desejam liderar seus mercados — e os investidores interessados em financiá-las — já concluíram que o trabalho remoto não é sustentável no longo prazo.
"Quero equipes pequenas, muito bem remuneradas e trabalhando no escritório mais de seis dias por semana", disse. "Não tenho interesse em investir em nada diferente disso. Não é falta de empatia. É porque essas empresas vão fracassar."
Equipes menores e mais intensas viram novo dogma no Vale do Silício
Na visão do investidor, empresas mais antigas enfrentam dificuldades para se adaptar ao novo ritmo imposto pelas startups de tecnologia.
Ele citou a própria Flexport como exemplo. A companhia de agenciamento de cargas e serviços aduaneiros foi fundada em 2013 por Ryan Petersen e seu irmão, David Petersen.
"Pense bem: o Ryan comanda uma empresa antiga. Acho que ele está tendo dificuldades para modernizar sua equipe e permanecer competitivo diante do modelo atual das startups", disse Lemkin. "Ele enfrenta o dilema de não poder simplesmente substituir toda a equipe. O que fazer com as pessoas que não querem mudar?"
A defesa de equipes mais enxutas reflete uma ideia que ganha força rapidamente no Vale do Silício. Com o avanço da inteligência artificial, empresas têm buscado reduzir estruturas e burocracias para conseguir mudar de direção com mais rapidez.
Para Lemkin, a indústria de tecnologia entrou em uma fase sem espaço para modelos intermediários.
"Não existe meio-termo", afirmou. "Você quer ganhar dinheiro com sua participação acionária ou quer ganhar US$ 180 mil por ano? Essa será a sua escolha no setor de tecnologia."
