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InvestMercados
26/06/2026
3 min

Volkswagen planeja cortar 100 mil empregos e fechar quatro fábricas, diz jornal

Volkswagen planeja cortar 100 mil empregos e fechar quatro fábricas, diz jornal

A Volkswagen prepara uma das maiores reestruturações de sua história e planeja cortar até 100 mil empregos em todo o mundo e encerrar a produção em quatro fábricas na Alemanha, segundo o jornal britânico Financial Times.

O plano representa uma forte aceleração das medidas de redução de custos da montadora alemã, que atualmente emprega cerca de 625 mil pessoas em vários países. Ao todo, os cortes atingiriam cerca de um em cada seis funcionários.

Se confirmado, será um dos maiores programas de demissão da história da indústria, superando os cortes promovidos pela GM nos anos 1990 e pela IBM em 1993.

A mudança seria uma tentativa de recuperar competitividade diante do avanço das fabricantes chinesas.

As ações da Volkswagen (VOW3), na Bolsa de Frankfurt, recuavam 0,30% por volta das 8h12 (horário de Brasília), cotadas a 77,22 euros.

Reestruturação vai além do plano anunciado

A companhia já havia firmado um acordo com sindicatos no fim de 2024 para eliminar 50 mil vagas na Alemanha até 2030, com pressão sob as montadoras europeias. Agora, informações obtidas primeiro pela revista alemã Manager Magazin mostram que a ideia é ampliar esse programa com outros 50 mil cortes.

O plano também prevê a redução em 500 mil veículos sua capacidade produtiva no país e o encerramento da produção nas unidades de Emden, Zwickau e Hanover, além da fábrica da Audi em Neckarsulm.

Nos últimos meses, a Volkswagen já fechou uma unidade em Dresden e busca um comprador para sua fábrica de Osnabrück, cuja produção deve ser encerrada em 2027.

Pressão chinesa muda o jogo da indústria

Nos últimos anos, montadoras chinesas como BYD e Geely ampliaram sua participação na Europa, impulsionadas por veículos elétricos mais baratos, cadeias de produção eficientes e forte integração tecnológica.

A associação europeia das fabricantes de automóveis (ACEA) vê que as marcas chinesas responderam por quase 10% dos carros novos vendidos na região nos cinco primeiros meses do ano.

Ao mesmo tempo, a Volkswagen enfrenta desaceleração nas vendas na China, que era seu principal mercado, além de margens mais pressionadas, tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e os efeitos da guerra no Oriente Médio.

Na assembleia anual de acionistas realizada na semana passada, o CEO da Volks, Oliver Blume, destacou que "o nível de risco nunca foi tão elevado". Ele busca focar no negócio principal da montadora, justamente o automotivo, e espera a venda de ativos para levantar caixa.

Venda de ativos e foco no negócio principal

A ofensiva para cortar custos ocorre poucos dias após a Volkswagen anunciar a venda da Everllence, sua divisão de motores marítimos, para a gestora americana Bain Capital. A operação deve gerar 7,4 bilhões de euros para o caixa da companhia.

A meta da empresa é economizar cerca de 6 bilhões de euros por ano até 2030 por meio das medidas de reestruturação. Mas os detalhes do novo plano ainda serão apresentados ao conselho de supervisão da Volkswagen, em reunião marcada para 9 de julho.

Até lá, a companhia evita comentar oficialmente as informações. Os representantes dos trabalhadores, porém, já reagiram. Em comunicado conjunto, líderes da classe afirmaram que irão combater qualquer tentativa de ampliar as demissões.

Para os sindicatos, a administração deveria concentrar esforços em conter o avanço dos rivais da empresa, em vez de recorrer a novos cortes de empregos. "Caso tais planos sejam levados adiante, nós nos oporemos a eles com todas as nossas forças", disseram.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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