Wall Street cai com Warsh; Dow Jones perde força e se afasta de recordes

Os índices deWall Street encerraram o pregão em queda com os investidores repercutindo a primeira coletiva de Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) após a decisão de política monetária.
Nas primeiras horas do pregão, o Dow Jones renovou o recorde intradia pelo segundo dia consecutivo ao atingir os 52,281.19 pontos.
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: -0,98%, aos 51.492,55 pontos;
- S&P 500: -1,21%, aos 7.420,10 pontos;
- Nasdaq: -1,35%, aos 26.021,656 pontos.
Warsh no comando
Como o esperado, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed manteve os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Essa foi a quarta manutenção consecutiva, em uma decisão unânime.
O Fed também divulgou o Resumo de Projeções Econômicas (SEP, na sigla em inglês). No gráfico de pontos (dot plot), o Comitê apontou para uma nova alta de 25 pontos-base nos juros até dezembro, além de elevar as estimativas para a inflação, medida pelo índice de gastos com consumo (PCE), de 2,7% para 3,6% em 2026.
O destaque, porém, foi a coletiva de imprensa, a primeira de Kevin Warsh no comando do Fed. Durante o pronunciamento, o novo presidente indicou que o BC poderá promover mudanças em sua estratégia de comunicação com o mercado, incluindo a realização de coletivas de imprensa e outros instrumentos de orientação aos investidores.
“Acho que os mercados funcionam melhor quando reagem aos dados que chegam. Funcionam menos eficientemente quando tentam responder à pergunta de como o Federal Reserve reagirá a essas informações”, afirmou.
Warsh também revelou que não enviou uma projeção para o dot plot, por considerar que a ferramenta não é particularmente útil para a condução da política monetária. Segundo ele, as projeções foram feitas “a lápis, com uma grande borracha”, sugerindo que os dirigentes reconhecem a elevada incerteza do cenário.
Ele ainda anunciou a criação de cinco grupos de trabalho, abordando as comunicações do Fed, seu balanço patrimonial, sua dependência de fontes de dados, produtividade e empregos, e as “estruturas” de inflação do BC
Após a decisão e as falas de Warsh, o mercado adiantou a aposta de elevação nos juros. Agora, os agentes financeiros veem 66,3% de chance de o Fed elevar os juros em setembro, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group. Antes da decisão, dezembro era o mês mais provável para um ajuste para cima dos juros.
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As falas de Warsh também tiveram reflexo nos juros projetados para os títulos do Tesouro, os Treasuries. O rendimento dos título de 2 anos, mais sensível à política monetária, chegou a subir 16 pontos-base, atingindo a máxima intradia do ano a 4,220%.
O presidente Donald Trump, que vinha pressionando o antigo chair do Fed Jerome Powell para uma flexibilização nos juros e até chegou a ‘encomendar’ uma redução dos juros em outubro a Warsh, afirmou que Kevin é “uma ótima pessoa” à frente do BC e que está sendo guiado por ele.
Trump também mudou a postura ante ao Fed e disse que não descarta uma nova alta nos juros. “Pode acontecer”, disse ele a jornalistas ao desembarcar do AirForce One.
Em segundo plano
O cenário geopolítico ficou em segundo plano, em meio a notícias de que Estados Unidos e Irã poderiam assinar o acordo provisório já nesta quarta-feira (17), de forma remota. Vale lembrar que a reabertura imeadiata do Estreito de Ormuz está condicionada à assinatura oficial dos dois países.
Pela manhã, a Casa Branca contestou a autenticidade da minuta do memorando de entendimento divulgada pela CNN.
A emissora afirmou que a minuta, de 14 pontos, prevê fim das hostilidades entre os dois países, a reabertura do Estreito de Ormuz, o alívio gradual de sanções contra Teerã e o compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares.
Em publicação no X, o assistente do presidente e diretor de Comunicações da Casa Branca, Steven Cheung, afirmou que “o suposto texto do memorando obtido pela CNN não reflete a linguagem do memorando real”.
Já o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, mencionou “protocolos diplomáticos” ao justificar a falta de maiores detalhes sobre o memorando de entendimento alcançado com o Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio.
Em entrevista à CBS, ele afirmou que os mediadores Catar e Paquistão pediram para que o texto completo do acordo não fosse publicado por algum período, também levando em consideração que o documento deve ser divulgado de maneira completa na sexta-feira (19), quando está prevista a cerimônia oficial de assinatura na Suíça.
Trump, porém, afirmou que um acordo preliminar com o Irã não é definitivo e que ele pode retomar a campanha de bombardeios se não gostar dele ou se Teerã não se comportar.
“É um memorando de entendimento. E se eu não gostar, voltaremos a disparar neles, a bombardear suas cabeças. Se eu não gostar, se eles não se comportarem, voltaremos a bombardear bem no meio da cabeça deles, ok?”, disse Trump na cúpula do G7 na França.
