Wall Street corta estimativa de preço do petróleo após acordo entre EUA e Irã

Goldman Sachs e Morgan Stanley revisaram para baixo suas projeções para o preço do petróleo depois que os Estados Unidos e o Irã firmaram um acordo provisório para encerrar as hostilidades e reabrir o Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial. O entendimento, anunciado no domingo, 14, ainda será formalmente assinado na sexta-feira, 19, na Suíça, e seus detalhes completos ainda não foram divulgados.
Novas projeções: Brent recua de US$ 90 para US$ 80 no quarto trimestre
Com a perspectiva de retomada mais rápida do que o esperado da produção no Golfo Pérsico, o Goldman Sachs passou a projetar o Brent a US$ 80 por barril no quarto trimestre de 2026, ante uma estimativa anterior de US$ 90. Na média anual, o banco espera agora que o Brent fique em US$ 85, abaixo dos US$ 90 previstos antes do acordo. Para 2027, a projeção é de Brent a US$ 75 e WTI a US$ 70.
O Morgan Stanley também reduziu suas estimativas. O banco passou a ver o Dated Brent — referência para os mercados físicos — a US$ 90 no terceiro trimestre e a US$ 80 no quarto trimestre, contra previsões anteriores de US$ 100 e US$ 90, respectivamente.
Goldman espera normalização já em julho; Morgan Stanley é mais cauteloso
O Goldman Sachs é o mais otimista com a velocidade da recuperação. O banco projeta que as exportações do Golfo Pérsico devem retornar aos níveis pré-guerra já ao final de julho, cerca de um mês antes do que se previa anteriormente. Os analistas do banco observam que os fluxos de petróleo dos países da região já haviam subido de menos de 30% do nível normal no início de março para quase 50% em meados de junho, indicando que parte da recuperação já está em curso.
O Morgan Stanley adota uma postura mais gradual. Segundo o banco, 50% da produção perdida deve ser restaurada até setembro, 80% até dezembro, com recuperação completa apenas no início de 2027. Os analistas assinalam que o aumento de produção pode começar em meados de julho, mas alertam que a normalização plena do tráfego de petroleiros levará tempo.
Remoção de minas e confiança dos armadores são obstáculos à retomada
Mesmo com o acordo EUA-Irã celebrado com otimismo pelos mercados, ambos os bancos alertam que a reabertura efetiva do estreito depende de etapas operacionais complexas. A remoção de minas marítimas é apontada como o primeiro e mais urgente obstáculo.
Depois disso, será necessário reconstruir a confiança de armadores e seguradoras, que realocaram embarcações para outras rotas durante o conflito.
"Para que a produção seja restaurada, os tanques de exportação precisam ser esvaziados primeiro, o que significa que o ritmo de entrada de petroleiros vazios no Golfo é, em certo sentido, ainda mais importante do que a saída de navios carregados", afirmou o Morgan Stanley em nota a clientes.
Riscos persistem
O Goldman reconhece que os riscos para suas projeções apontam em dois sentidos. Do lado positivo, a oferta poderia se recuperar mais rapidamente do que o esperado, inclusive com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos ampliando a produção caso os estoques globais se estreitem no verão do Hemisfério Norte. Do lado negativo, uma retomada das hostilidades, atrasos na remoção de minas ou uma nova interrupção em Ormuz poderiam reverter rapidamente o cenário.
"O Irã poderia efetivamente fechar o estreito novamente mesmo após a reabertura, por exemplo, se as negociações nucleares detalhadas não avançarem", pontuaram os analistas do Goldman Sachs.
O Brent operava abaixo de US$ 82 e o WTI em torno de US$ 79, ambos acumulando queda superior a 10% em relação à semana anterior, reflexo direto do impacto da guerra sendo precificado de forma inversa com o avanço das negociações de paz.
