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MercadosBDR
24/08/2026
4 min

Wall Street fecha sem direção única com novo cerco econômico contra o Irã

Os índices de Wall Street encerraram a sessão desta segunda-feira (24) sem direção única, em meio ao alívio nos preços do petróleo, ao recuo nos juros dos Treasuries e à escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã. O desempenho das ações de tecnologia, principalmente das empresas focadas em infraestrutura de inteligência artificial, também pesou […]

Wall Street fecha sem direção única com novo cerco econômico contra o Irã

Os índices de Wall Street encerraram a sessão desta segunda-feira (24) sem direção única, em meio ao alívio nos preços do petróleo, ao recuo nos juros dos Treasuries e à escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã.

O desempenho das ações de tecnologia, principalmente das empresas focadas em infraestrutura de inteligência artificial, também pesou sobre o S&P 500 e o Nasdaq. Em destaque, os papéis da Micron (Nasdaq: MU) caíram 5,83% (US$ 910,43) e os da AMD (Nasdaq: AMD) recuaram 3,49% (US$ 456,75), enquanto o iShares Semicondutor ETF (SOXX) teve baixa de 2,67%.

Confira o fechamento dos índices:

  • Dow Jones: +0,26%, aos 53.416,99 pontos;
  • S&P 500: -0,28%, aos 7.652,96 pontos;
  • Nasdaq: -0,77%, aos 25.980,19 pontos.

Sanções ao Irã

O “Dia D Econômico”, nome dado pelo governo Trump para o dia de anúncio de medidas ‘mais duras’ contra o Irã, chegou.

Nesta segunda-feira, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês) do Departamento do Tesouro dos EUA sancionou cerca de 50 empresas e 30 indivíduos com supostas ligações com o regime iraniano. Entre os indivíduos, a maioria é iraniana e chinesa; já a maior parte das empresas sancionadas está em Hong Kong, nos Emirados Árabes Unidos e na China continental.

Além disso, a partir desta segunda e por prazo indefinido, Washington suspendeu certas licenças gerais que envolvem remessas pessoais não comerciais para ou do Irã e atividades educacionais por pessoas dos EUA em países terceiros não autorizados.

Em entrevista coletiva, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, também ameaçou cortar países que tenham laços econômicos com o Irã do sistema financeiro do dólar.

“Se eles não agirem rapidamente, nós o faremos unilateralmente por meio das autoridades do Tesouro dos EUA”, disse. “Ninguém, nenhum país, nem mesmo a China, estará fora do alcance das nossas sanções se facilitarem transações iranianas”, acrescentou.

Nova onda tarifária?

Também nesta segunda-feira, o presidente Donald Trump anunciou um aumento nas tarifas de importações de carros, caminhões e autopeças do Canadá para 50% a partir de 1º de janeiro de 2027.

“O Canadá vem explorando os Estados Unidos da América há anos”, escreveu Trump em uma publicação no Truth Social, acusando o antigo parceiro comercial de prejudicar os agricultores norte-americanos por meio de suas próprias políticas tarifárias. “Insustentável, e NUNCA MAIS!”, acrescentou o presidente norte-americano.

Já Bessent afirmou que Trump quer negociar um acordo comercial com o Canadá “de boa fé”, mas acusou o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, de ter “interesses políticos” na disputa.

“Oferecemos um acordo muito bom na semana passada, e eles escolheram rejeitá-lo. Infelizmente, Carney subiu ao poder sobre uma plataforma anti-Trump e anti-América”, afirmou ele, na entrevista coletiva para anunciar a operação “Economic Outcast” – ou “Pária Econômico”, em português – contra o Irã. “As pessoas devem perguntar se Carney age em benefício próprio, do Partido Liberal ou do povo canadense”.

Para Chris Tuner, estrategista de câmbio do ING, o Canadá tem mais a perder com esse movimento, mas o primeiro-ministro parece ter aberto espaço para mais estímulos fiscais a fim de apoiar as empresas afetadas. Mas, na visão do especialista, uma grande reescalada da guerra tarifária provavelmente seria negativa para o dólar.

Treasuries no radar

Nos EUA, o avanço da curva de juros fica no radar dos investidores. Segundo a rede de notícias CNBC, o Tesouro pretende usar a Conta Geral de quase US$ 1 trilhão para financiar as recompras de títulos do governo de longo prazo. A expectativa do mercado, por sua vez, era que o financiamento da medida fosse por meio da venda de títulos de curto prazo.

A intenção do órgão em dobrar o volume de recompra de títulos foi anunciado na semana passada para aumentar a liquidez do mercado e marca uma tentativa do governo de aliviar a pressão sobre a curva de juros.

Durante a coletiva, Bessent ressaltou que nenhuma compra foi realizada ainda desde o anúncio na semana passada. “A próxima operação será em 9 de setembro, veremos o que acontecerá”, disse ele, reiterando que os leilões continuarão em tamanho regular no próximo trimestre.

Perto do fechamento, os rendimentos (yields) dos títulos de longo prazo operavam em queda. Por volta de 17h (horário de Brasília), os yields para o título de 10 anos caía para 4,72%, ante 4,738% do fechamento da última sexta-feira (21). Já os yields para 30 anos recuavam a 5,244%, ante 5,276% do ajuste anterior.

*Com informações de Estadão Conteúdo

AutorLiliane de Lima
FonteMoney Times
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