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Sacre Investimentos
InvestMercadosBDR
18/08/2026
5 min

Warren Buffett ainda dá as cartas na Berkshire? A carteira de US$ 360 bi responde

Compra de US$ 17 bilhões em ações da Alphabet foi a maior aposta da Berkshire no trimestre

Warren Buffett ainda dá as cartas na Berkshire? A carteira de US$ 360 bi responde

A Berkshire Hathaway, gigante holding americana de investimentos, voltou a mostrar que a transição de comando para o CEO Greg Abel ainda convive com uma forte participação de Warren Buffett nas decisões de investimento no segundo trimestre de 2026.

Aos 95 anos, Buffett, que é um dos investidores mais bem-sucedidos da história, foi o responsável pela principal movimentação da carteira de ações no período, com a compra de papéis da Alphabet, dona do Google.

A Berkshire terminou junho com 106 milhões de ações de cada uma das duas classes negociadas da Alphabet. O aumento de 83% levou a posição a cerca de US$ 36 bilhões, tornando a empresa a terceira maior participação acionária da Berkshire, atrás apenas de Apple e American Express e à frente da Coca-Cola.

A aposta na dona do Google foi responsável por, aproximadamente, US$ 17 bilhões dos US$ 23 bilhões investidos pela Berkshire em ações no segundo trimestre. Foi, ainda, uma das maiores movimentações trimestrais da companhia nos últimos cinco anos, segundo a Barron's.

Buffett assume autoria da compra

A Berkshire normalmente não informa qual de seus gestores é responsável por cada investimento. Desta vez, porém, Buffett revelou que foi ele quem iniciou a posição na Alphabet, em entrevista à CNBC.

"Fui eu quem deu o primeiro passo. Normalmente, eu não responderia a algo assim, mas vou responder, porque... não estou fazendo nada que ele (Abel) não aprove. Ele não está fazendo nada de que eu não aprove", disse.

Parte da posição foi adquirida diretamente da Alphabet. Em junho, a empresa anunciou uma emissão de US$ 85 bilhões em ações para financiar seus investimentos em inteligência artificial (IA), e a Berkshire comprou US$ 10 bilhões em papéis nessa operação.

Nesse negócio específico, a Berkshire está no prejuízo, porque pagou cerca de US$ 350 por ação, enquanto o papel da Alphabet está sendo negociado perto de US$ 343. Mas Buffett já demonstrava interesse pela Alphabet havia quase uma década, quando chamou atenção para as suas margens de lucro.

Delta também ganha espaço na carteira

A segunda maior movimentação da Berkshire em ações neste ano foi a compra de 57 milhões de ações da Delta Air Lines. Desse total, 17 milhões foram adquiridos no segundo trimestre.

A participação vale atualmente cerca de US$ 5 bilhões e, segundo a análise da Barron's, provavelmente foi iniciada por Ted Weschler, um dos gestores de investimentos da Berkshire. Ele tem autoridade para administrar cerca de US$ 20 bilhões, o equivalente a cerca de 6% da carteira de ações.

Abel concentra atenção na operação

Abel, por sua vez, não parece ter assumido decisões relevantes de seleção de ações desde que sucedeu Buffett como CEO, quando passou a comandar o conglomerado avaliado em cerca de US$ 1,1 trilhão em valor de mercado, com dezenas de negócios.

Entre suas prioridades está melhorar o desempenho de unidades com resultados mais fracos, como a ferrovia BNSF, que apresenta algumas das menores margens de lucro entre as grandes empresas ferroviárias.

Ele também participa das decisões de aquisições. Em julho, a Berkshire fechou a compra da construtora residencial Taylor Morrison por US$ 8,5 bilhões, ampliando sua presença no setor de construção de moradias.

A Berkshire também detém cerca de 6% da Lennar, participação avaliada em mais de US$ 1 bilhão. A fatia na segunda maior construtora residencial dos Estados Unidos em valor de mercado aumentou 30% no segundo trimestre.

Estrutura enxuta limita novas decisões

Abel também assumiu a operação da Berkshire com uma estrutura de gestão enxuta. Seu principal executivo adjunto é Adam Johnson, responsável por quase três dezenas de unidades dos segmentos de bens de consumo, serviços e varejo, incluindo a divisão de tênis Brooks.

A companhia também não substituiu Todd Combs, que administrava cerca de 5% da carteira de ações antes de deixar a Berkshire para assumir uma função de investimentos no JP Morgan, em dezembro.

Depois da saída do executivo, a Berkshire vendeu quase todas as ações que estavam sob sua gestão, incluindo posições antigas em Visa, Mastercard, Aon e Amazon. A principal participação de Combs que permaneceu na carteira foi a fatia de cerca de US$ 2 bilhões na VeriSign.

Combs administrava mais empresas do que Weschler e parecia negociar as posições com maior frequência. A saída do gestor contribuiu para reduzir a quantidade de movimentações na carteira. No segundo trimestre, por exemplo, a Berkshire não iniciou nenhuma nova posição relevante em ações.

O futuro da carteira de US$ 360 bilhões

A permanência de Buffett nas decisões de investimento também levanta dúvidas sobre a próxima etapa da Berkshire. O executivo completa 96 anos ainda neste mês e vem reduzindo o ritmo, além de enfrentar dificuldades para ler por causa da deterioração da visão.

Durante décadas, Buffett tinha o hábito de passar os fins de semana lendo balanços e relatórios financeiros para acompanhar dezenas de empresas.

Surge, assim, a discussão sobre dar a Weschler maior autonomia para investir ou criar uma equipe dedicada a analisar e recomendar novos negócios, de acordo com fontes ouvidas pela Barron's.

Em sua primeira carta anual como CEO, publicada em fevereiro, Abel afirmou que algumas das grandes posições acionárias mantidas pela Berkshire há muitos anos provavelmente não serão alteradas. Entre elas estão Apple, American Express, Coca-Cola e Moody's.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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