Warren Buffett deixa presidência do conselho da Berkshire Hathaway aos 96 anos
Investidor será presidente emérito e continuará no conselho; seu filho Howard Buffett assumirá o cargo

Warren Buffett anunciou nesta sexta-feira, 18, que deixará a presidência do conselho de administração da Berkshire Hathaway, conglomerado avaliado em US$ 1 trilhão que ele comandou desde 1965.
Aos 96 anos, o investidor passará a ocupar o posto de presidente emérito e continuará como integrante do conselho. A mudança tem efeito imediato, segundo comunicado divulgado pela companhia.
Howard Buffett, filho do bilionário, assumirá a presidência do conselho, conforme previa o plano de sucessão da Berkshire. Susan Decker continuará como principal diretora independente.
“O tempo sempre vence”, escreveu Buffett em uma carta aos acionistas. “Ele, no entanto, foi generoso comigo. Deu-me a oportunidade de ver a Berkshire chegar a um ponto em que estou mais confiante do que nunca sobre o que está por vir.”
Como ficará o comando da Berkshire Hathaway?
A saída ocorre pouco mais de nove meses depois de Greg Abel, de 64 anos, assumir o cargo de CEO da Berkshire. Buffett havia deixado a função executiva, mas permanecido na presidência do conselho.
A decisão de entregar o comando executivo a Abel foi anunciada durante a reunião anual da Berkshire, em maio de 2025. Na ocasião, a notícia surpreendeu os milhares de acionistas presentes, apesar da idade avançada de Buffett.
Agora, a gestão ficará dividida entre Abel, responsável pela operação da empresa, e Howard Buffett, encarregado de preservar a cultura construída pelo pai.
Em comunicado, Abel afirmou que a cultura e os valores estabelecidos por Buffett continuarão no centro da Berkshire.
Buffett continuava ativo na empresa
Mesmo depois de deixar o cargo de CEO, Buffett permaneceu envolvido nas atividades da companhia. Em março, Abel afirmou à CNBC que o investidor ainda comparecia diariamente ao escritório da Berkshire, em Omaha, no estado de Nebraska, e era consultado com frequência.
Buffett também participou da reunião anual da empresa em maio, quando fez breves comentários e concedeu uma entrevista.
Em julho, Buffett revelou ter liderado o investimento recente da Berkshire na Alphabet, controladora do Google. A companhia se tornou a terceira maior posição da carteira de ações do conglomerado, atrás de Apple e American Express, após uma compra privada de US$ 10 bilhões em ações, realizada em junho.
Na mesma entrevista, o investidor contou que havia quebrado a perna semanas antes, mas estava se recuperando.
Em sua carta desta sexta-feira, Buffett voltou a brincar com as limitações provocadas pela idade. “Recentemente, comemorei meu 96º aniversário com familiares e amigos, incluindo um dos meus bisnetos, que tinha acabado de completar um ano. Ele está se movimentando um pouco mais rápido do que eu hoje em dia”, escreveu.
O legado de Warren Buffett
Buffett assumiu o controle da Berkshire aos 34 anos, quando a empresa ainda era uma fábrica têxtil em dificuldades. Nas seis décadas seguintes, transformou o negócio em um conglomerado financeiro e industrial com quase 400 mil funcionários.
No ano passado, a Berkshire registrou lucro operacional de US$ 44,5 bilhões. Durante a gestão de Buffett, os acionistas obtiveram retorno anual composto de 19,7%, quase o dobro do desempenho do índice S&P 500.
A transição ocorre em um momento de desempenho mais fraco das ações. Os papéis da Berkshire acumulam alta de apenas 1% em 2026, enquanto o S&P 500 avançou mais de 11%.
A companhia também possui US$ 365,5 bilhões em caixa. Sob o comando de Abel, a Berkshire ampliou as recompras de ações para US$ 4,5 bilhões no segundo trimestre.
Buffett elogiou o desempenho do sucessor na carta aos acionistas. “Minhas expectativas para ele eram extremamente altas desde o início, e ele as superou”, afirmou.
“A empresa está em excelentes mãos, e espero continuar como acionista ao lado de vocês”, concluiu.
