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16/09/2026
4 min

Warsh diz que inflação esta alta demais e se esquiva de perguntas sobre Trump

Em primeira coletiva após alta de juros, chairman evita confronto com Trump e reforça foco no controle da inflação

Warsh diz que inflação esta alta demais e se esquiva de perguntas sobre Trump

O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, afirmou nesta quarta-feira, 16, que a inflação está alta demais, e há tempo demais. A declaração veio para justificar a decisão do banco central americano de elevar os juros pela primeira vez desde 2023. Em sua primeira coletiva após um aumento de taxas, o chairman também se esquivou das perguntas sobre a pressão do presidente Donald Trump por juros menores.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) subiu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, em decisão unânime. "Hoje, o FOMC decidiu que esse critério não foi satisfeito", disse Warsh, referindo-se ao padrão que ele mesmo definiu para a inflação em Jackson Hole.

Warsh dedicou a maior parte da fala inicial ao lado da estabilidade de preços do mandato do Fed. Segundo ele, a inflação roda acima da meta de 2% há mais de cinco anos e os dados recentes não indicam melhora consistente. "As leituras de inflação deste verão não me dizem que as tendências subjacentes melhoraram de forma significativa", afirmou.

Warsh voltou a rejeitar a leitura de que o Fed reage a indicadores isolados, postura que vem reforçando desde que assumiu o cargo em maio. "Tendências importam. Dados pontuais são ruidosos. Depender de dados pontuais é uma preocupação perigosa", disse.

Economia forte, com o crescimento fora do foco

Apesar do diagnóstico inflacionário, a avaliação de Warsh sobre a atividade foi otimista. "Nossa decisão vem num momento em que a economia americana parece estar se fortalecendo", afirmou, citando contratações, lucros do setor privado e investimento em capital.

Ele repetiu a fala de Jackson Hole de que teria dificuldade em classificar as condições financeiras como restritivas, e disse que a mesma percepção foi compartilhada pelo comitê, o que motivou a decisão de "remover uma dose de acomodação".

Sobre o mercado de trabalho, Warsh descreveu uma economia rodando "mais ou menos" em pleno emprego, com desemprego em torno de 4,1%. Ele descartou a ideia de que conter a inflação exija enfraquecer o emprego. "Não acredito que precisamos causar dano ao mercado de trabalho para atingir nosso objetivo", disse. "Não acredito que as duas partes do nosso mandato estejam trabalhando em direções opostas no médio prazo", completou.

Sem forward guidance

Pressionado sobre o rumo dos juros, Warsh manteve a recusa em oferecer sinalizações antecipadas. Ele resumiu a estratégia com a frase que vem repetindo desde agosto: "Estou comprometido com uma disciplina, não com uma decisão."

As projeções medianas do comitê apontam o juro apropriado em 4,1% no fim deste ano, o que embute mais uma alta em 2026, e a manutenção do patamar no ano seguinte. Warsh voltou a não divulgar sua própria projeção e frisou que os números refletem a visão dos colegas.

Questionado sobre onde estaria a taxa neutra, foi lacônico. "Numa palavra, não", respondeu a quem perguntou se o conceito tem efeito operacional sobre as decisões.

A postura mais dura do chairman já vinha pressionando os ativos e tende a limitar o espaço para cortes da Selic, por conta do efeito sobre o câmbio e os fluxos. Durante a coletiva, o S&P 500 devolveu ganhos e passou a operar perto da estabilidade.

Esquiva nas perguntas sobre Trump

O tema mais sensível da coletiva, a decisão de subir juros na contramão dos apelos de Trump por cortes, foi sistematicamente contornado. Perguntado sobre qual seria sua mensagem ao presidente e quando falara com ele pela última vez, Warsh respondeu apenas que não tinha nada a oferecer sobre conversas com o presidente.

Ele enquadrou a recusa como uma questão de independência da instituição. "Independência é uma via de mão dupla", disse. "Parte da independência do Federal Reserve é ficarmos na nossa raia. Deixamos quem cuida de política comercial e fiscal ficar na sua também. É assim que podemos chamar as coisas como as vemos."

Sobre a acusação de que o Fed teria apenas seguido o mercado, que precificava alta probabilidade de alta, Warsh também rebateu. "Às vezes o mercado tenta pré-julgar nossos resultados. Vou observar os preços de mercado e ver o que eles têm a dizer. Mas hoje a decisão foi nossa."

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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