Warsh faz alerta sobre ‘o ativo mais importante do mundo’ após juros chegarem a 5%
O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, apontou três fatores que ajudam a explicar a disparada recente dos rendimentos dos Treasuries de 10 anos: a força da economia dos Estados Unidos, a maior competição por capital e as tensões geopolíticas. Durante coletiva nesta quarta-feira (16), após o Fed elevar os juros em 0,25 ponto percentual, […]

O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, apontou três fatores que ajudam a explicar a disparada recente dos rendimentos dos Treasuries de 10 anos: a força da economia dos Estados Unidos, a maior competição por capital e as tensões geopolíticas.
Durante coletiva nesta quarta-feira (16), após o Fed elevar os juros em 0,25 ponto percentual, Warsh afirmou que a alta dos rendimentos de longo prazo não pode ser atribuída a uma única causa.
“Vou dar três razões, embora eu diria que movimentos como esse normalmente possuem múltiplas causas”, afirmou.
O primeiro fator é a própria resiliência da atividade norte-americana. “Parte da razão pela qual vimos os juros de longo prazo subirem ao longo de 2026 é que a economia se fortaleceu”, disse.
A avaliação está em linha com o diagnóstico apresentado por Warsh ao justificar a decisão desta quarta. Segundo ele, dados recentes de atividade e do mercado de trabalho mostram uma economia mais forte, enquanto a inflação permanece elevada.
O segundo ponto é a competição por capital, que ganhou força com o aumento dos investimentos das grandes empresas de tecnologia.
“O forte aumento dos investimentos ao qual me referi é real, e as chamadas hyperscalers estão no mercado captando recursos. Portanto, a competição por capital é real e explica, em parte, o aumento dos rendimentos”, afirmou.
Por fim, Warsh colocou a geopolítica na lista de pressões sobre os Treasuries.
“Os focos de tensão ao redor do mundo estão pressionando os juros de longo prazo”, disse.
Segundo ele, o impacto não passa apenas pela alta dos preços de energia e de outras commodities. Warsh chamou atenção também para a forma como esses choques chegam aos produtos finais e podem se espalhar pela economia.
“Não se trata simplesmente dos preços à vista da energia ou dos preços à vista do milho, da soja ou do trigo”, afirmou.
Warsh ressaltou ainda a importância do Treasury de 10 anos para os mercados globais, classificando o título como “um dos ativos mais importantes do mundo”, por funcionar como referência para a precificação de outros ativos.
Treasuries voltam aos 5%
As declarações ocorrem após uma forte escalada dos juros de longo prazo dos Estados Unidos nos últimos dias.
Na terça-feira (15), véspera da decisão do Fed, o rendimento do Treasury de 10 anos chegou a 5,041%, maior patamar desde julho de 2007. Nesta quarta-feira, a taxa voltou a rondar a marca de 5%.
O movimento ganhou força em meio às preocupações com a inflação, à resiliência da economia norte-americana e às tensões geopolíticas, justamente os fatores destacados por Warsh para explicar por que os investidores passaram a exigir retornos maiores nos títulos de longo prazo.
