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InvestMercadosACS
21/10/2026
5 min

WEG fatura mais, mas lucro fica estável no 3º tri com pressão do dólar e de tarifas

Vendas no exterior chegam a 62,5% da receita, nível mais alto já registrado pela companhia

WEG fatura mais, mas lucro fica estável no 3º tri com pressão do dólar e de tarifas

WEG teve receita líquida de R$ 10,86 bilhões, alta de 5,7%

Lucro líquido foi de R$ 1,67 bilhão, avanço de 0,9%

Exterior chegou a 62,5% da receita, maior nível da história

Vendas na América do Norte sobem 31,1% em dólar

Cobre, tarifas nos EUA e câmbio reduzem as margens

A WEG (WEGE3), fabricante catarinense de motores e equipamentos elétricos, teve receita líquida de R$ 10,86 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 5,7% sobre o mesmo período de 2025, depois de dois trimestres seguidos de queda na comparação anual. O lucro líquido, porém, quase não saiu do lugar e somou R$ 1,67 bilhão, avanço de 0,9%.

As vendas cresceram puxadas pelos Estados Unidos. Mas no caminho até a última linha do balanço, o dólar mais fraco, o cobre mais caro e as tarifas de importação americanas consumiram parte desse ganho.

Estados Unidos à frente

O mercado externo respondeu por 62,5% da receita, o maior peso já registrado na história da WEG. Em 2025, ano em que bateu recorde de faturamento anual, a empresa já tinha mais de 60% das vendas vindas de fora.

Em reais, a receita no exterior somou R$ 6,79 bilhões, alta de 8,3%. Em dólar, o crescimento foi de 14,8%, para US$ 1,32 bilhão. Medido nas moedas locais de cada mercado e sem o efeito de aquisições, o avanço chega a 13,4%.

A América do Norte faturou US$ 722,8 milhões, 31,1% a mais que um ano antes, e já representa 54,7% das vendas externas. A companhia atribui o desempenho a transformadores usados no reforço da rede elétrica americana e aos geradores da Marathon, sua controlada nos EUA, que fornecem energia de reserva para data centers. A demanda inesperada por geradores já levou a WEG a acelerar investimentos nessa frente.

A receita de Ásia-Pacífico cresceu 19,6% e África, 3,2%. Na outra ponta, a Europa recuou 4,5% e a América do Sul e Central, 14%.

Entre as áreas de negócio, a que mais acelerou foi a de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia (GTD), que reúne geradores, transformadores e subestações. A receita do segmento subiu 13,8%, para R$ 4,19 bilhões, com alta de 24,1% no exterior.

A divisão de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais (EEI), de motores e automação, responde por quase metade do faturamento da empresa no 3º trimestre e avançou 1,6%, para R$ 5,38 bilhões. Tintas cresceram 4,3%, e os motores comerciais, usados em eletrodomésticos, caíram 2,7%.

Câmbio, cobre e tarifas pressionam as margens

O real mais forte reduziu o valor das vendas externas na conversão para a moeda brasileira. O dólar médio do trimestre caiu de R$ 5,45 para R$ 5,14, desvalorização de 5,7%.

Nos custos, a WEG cita a alta de matérias-primas, principalmente o cobre, e o aumento das tarifas de importação nos Estados Unidos.

As despesas com pessoal também subiram com a expansão das fábricas iniciada neste ano. O custo dos produtos vendidos cresceu 6,8%, acima da receita, e a margem bruta, que mostra quanto sobra das vendas depois dos custos de produção, caiu de 33,6% para 32,9%. As despesas com vendas, gerais e administrativas avançaram 7%, para R$ 1,27 bilhão.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, indicador do desempenho operacional) somou R$ 2,35 bilhões, alta de 3,1%. A margem Ebitda recuou de 22,2% para 21,6%, e a margem líquida passou de 16,1% para 15,3%.

O retorno sobre o capital investido (ROIC), que mede quanto a empresa gera de lucro operacional para cada real aplicado no negócio, subiu 0,8 ponto percentual, para 33,2%.

Brasil cresce pouco e segue em queda no ano

No mercado interno, a receita subiu 1,8%, para R$ 4,07 bilhões. Segundo a empresa, a alta veio dos projetos de ciclo longo, equipamentos feitos sob encomenda e entregues ao longo de meses, como transformadores para os leilões de transmissão e sistemas de automação para papel e celulose.

No trimestre, entrou em operação a ampliação da fábrica de Betim (MG), voltada a transformadores de grande porte.

Os produtos de ciclo curto, vendidos em série e de entrega rápida, sentiram a menor atividade industrial, com clientes adiando investimentos maiores e priorizando a manutenção.

A energia solar seguiu fraca, com menor demanda por geração distribuída (painéis em telhados e pequenos terrenos) e sem novos projetos de geração centralizada (grandes usinas).

No acumulado de nove meses, as vendas no Brasil caem 7,9%. A receita total do período soma R$ 30,47 bilhões, recuo de 0,3%, e o lucro, R$ 4,68 bilhões, queda de 2,2%.

Investimento sobe e caixa diminui

A WEG investiu R$ 905,4 milhões em fábricas e equipamentos no trimestre (o chamado capex), 34,6% a mais que um ano antes. Do total, 60,2% foi para unidades no exterior, com destaque para fábricas de transformadores no México, na Colômbia e nos EUA e para motores de alta tensão na China.

A geração de caixa das operações somou R$ 3,87 bilhões até setembro, queda de 8,6%. Os estoques chegaram a R$ 11,14 bilhões, 11,5% acima de um ano antes, e as contas a receber de clientes, a R$ 8,57 bilhões, alta de 17,3%. Os adiantamentos de clientes, valores pagos antes da entrega dos pedidos, subiram 34,7%, para R$ 5,62 bilhões.

O caixa líquido, que é o dinheiro disponível descontada a dívida, ficou em R$ 2,54 bilhões em setembro, ante R$ 3,44 bilhões um ano antes. Em agosto, a empresa pagou a primeira parcela, de R$ 1,73 bilhão, dos R$ 5,2 bilhões em dividendos extraordinários aprovados em dezembro de 2025. A dívida ficou mais longa, com a parcela de curto prazo caindo de 74% para 51% do total.

Pelo trimestre, a WEG declarou R$ 449,8 milhões em juros sobre capital próprio (JCP), forma de remuneração ao acionista que pode ser deduzida do imposto da empresa, equivalentes a R$ 0,107 por ação. O pagamento será em 10 de março de 2027. A teleconferência sobre os resultados está marcada para esta quinta-feira, 22, às 11h.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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