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15/07/2026
7 min

World Trade Center terá complexo de R$ 3 bilhões em praia brasileira; veja detalhes

World Trade Center terá complexo de R$ 3 bilhões em praia brasileira; veja detalhes

Um terreno vazio e disputado na Praia Brava, no litoral de Santa Catarina, receberá um dos maiores empreendimentos imobiliários já anunciados para a região. A Construttore Empreendimentos prepara, em parceria com o World Trade Center (WTC), um complexo de uso misto que exigirá, pelo menos, R$ 1,5 bilhão em investimentos, dizem os responsáveis pelo projeto.

O complexo terá 300 mil metros quadrados de área construída e um Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 3 bilhões. A previsão é que o lançamento ocorra em 2027 e que as obras comecem no ano seguinte.

A construção será dividida em etapas e poderá se estender por 15 anos. O desenho definitivo, porém, ainda não está fechado. O empreendimento está na fase de projetos e o processo de licenciamento municipal avançou, mas ainda depende da conclusão das aprovações necessárias para que as obras sejam iniciadas.

“A gente está ainda na fase de projetos. É realmente muito grande. Serão 15 anos de empreendimento em obras”, afirma Daniella Abreu, sócia e presidente do WTC no Sul do Brasil, em Brasília(DF) e em Sinop (MT).

A proposta é reunir, em um mesmo complexo, áreas residenciais, escritórios, hotel, shopping e espaços voltados a eventos, networking e negócios internacionais. Ainda está em estudo se essas operações ficarão concentradas em uma grande torre ou distribuídas entre diferentes edifícios.

O que já está definido é a intenção de construir um prédio principal de maior destaque arquitetônico, cercado por outras estruturas. Daniella garante que o projeto terá uma “torre WTC icônica”. Imagens do projeto ainda não são divulgadas pois os estudos seguem em tramitação na prefeitura.

Da expansão em São Paulo ao projeto em Santa Catarina

A parceria reúne duas empresas com trajetórias distintas. O World Trade Center chegou ao Brasil em 1995, com a inauguração do complexo de São Paulo, que reúne torres comerciais, hotel, shopping e centro de convenções. Segundo Daniella Abreu, sócia e presidente do WTC no Sul do Brasil, Brasília e Sinop, o empreendimento ajudou a transformar a região onde foi construído e se tornou uma referência do mercado imobiliário.

Durante quase duas décadas, São Paulo foi a única operação da marca no país. Nos últimos anos, porém, o WTC acelerou sua expansão por meio da venda de licenças regionais para empresários locais, que desenvolvem tanto os empreendimentos imobiliários quanto os clubes de negócios e iniciativas voltadas ao comércio internacional.

Hoje, a rede possui projetos em cidades como Goiânia, Sinop, Uberlândia, Ribeirão Preto, Brasília, Curitiba, Joinville e Balneário Camboriú, enquanto Porto Alegre voltou aos planos após ter sido adiada pelas enchentes de 2024.

"O WTC cresce no Brasil não só como uma marca para os prédios. O objetivo é trazer o clube de negócios, fomentar os negócios internacionais e fazer com que o país se desenvolva no comércio exterior", afirma Daniella.

A parceira no empreendimento, a Construttore, foi fundada em 2011 e atua principalmente no litoral norte de Santa Catarina, com foco em empreendimentos de alto padrão em Itajaí, Praia Brava e Balneário Camboriú. A união entre as duas empresas busca combinar a experiência da incorporadora no mercado catarinense com a plataforma internacional de negócios do WTC para transformar a Praia Brava em um novo polo corporativo.

Como será o novo complexo World Trade Center em SC

A Praia Brava é conhecida, principalmente, pelos condomínios residenciais de alto padrão e pela valorização dos imóveis. O plano do WTC e da Construttore é aproveitar essa demanda, mas ampliar a presença de atividades comerciais e corporativas na região.

“A Brava hoje é muito residencial, então a gente vai puxar para o comercial, para a área de negócios, para o hotel e para o shopping”, diz Daniella. “Mas vai ter o residencial junto, porque a gente entende que esse conceito de viver, trabalhar e se divertir dentro de um complexo multiuso tem muito valor.”

A distribuição dos 300 mil metros quadrados entre cada uma das operações ainda está sendo calculada. De acordo com a executiva, os estudos consideram a vocação do endereço, o valor do metro quadrado, o retorno esperado e a demanda para cada tipo de imóvel.

O terreno fica próximo ao mar, mas não é de frente para a praia. Antes da negociação, a área estava vazia e disponível para venda. Daniella afirma que se tratava de um dos grandes terrenos ainda existentes na região, onde a disponibilidade de áreas desse porte é cada vez menor.

A aquisição foi concluída recentemente e antecedeu o acordo com o WTC. Segundo Daniella, parte dos recursos deverá vir dos próprios empreendedores e parte de investidores.

A aposta em um novo polo de negócios

Mais do que vender apartamentos ou escritórios, o WTC pretende usar o complexo para atrair empresas e eventos corporativos ao litoral catarinense. O plano é transformar a região, já consolidada como destino turístico e residencial, em um polo permanente de negócios.

Não adianta fazer o prédio e deixar vazio. A gente vai trabalhar todos esses anos para trazer empresas para a região, formar um hub de negócios internacionais e consolidá-la como um destino de negócios”, afirma Daniella. “Não é só um prédio. É um complexo de negócios que aterrissa em Santa Catarina.”

A escolha da Praia Brava foi precedida por estudos de viabilidade econômica. O grupo responsável pelas licenças do WTC no Sul tem origem em Santa Catarina e já atua no mercado regional, o que, segundo a executiva, ajudou na decisão.

As licenças são controladas pela Sensus Group, empresa de Joinville ligada ao empresário Vanderlei Palhano. O grupo possui direitos para desenvolver projetos e clubes de negócios da marca em cidades como Curitiba, Joinville, Balneário Camboriú e Porto Alegre, além de Brasília e Sinop.

O funcionamento da marca combina dois negócios. De um lado, estão os empreendimentos imobiliários que recebem o nome WTC. De outro, há o chamado business club, responsável por eventos, reuniões corporativas, relacionamento entre executivos e conexão de empresas com a rede internacional.

A licença é concedida após a análise de um plano de negócios que precisa justificar a escolha da cidade e demonstrar a viabilidade do projeto. Depois da aprovação, o licenciado pode desenvolver tanto o empreendimento imobiliário quanto as atividades corporativas associadas à marca.

A expansão do WTC pelo Brasil

O World Trade Center está presente em mais de 90 países e, segundo a empresa, possui operações em mais de 300 cidades. A rede atua na promoção de negócios, comércio internacional, eventos corporativos e projetos imobiliários.

No Brasil, sua unidade mais conhecida é o complexo de São Paulo, que reúne escritórios, hotel, centro de convenções e shopping. Fora da capital paulista, a marca inaugurou um hotel em Goiânia e participa de projetos em desenvolvimento em cidades como Sinop (MT), Uberlândia (MG) e Ribeirão Preto (SP).

O grupo também trabalha em empreendimentos em Curitiba (PR), Joinville (SC) e Brasília (DF). Na capital federal, o projeto anunciado possui 120 mil metros quadrados e prevê áreas residenciais e corporativas, hotel e centro de eventos.

Em Porto Alegre, o plano chegou a avançar em um terreno próximo ao aeroporto, mas foi interrompido depois das enchentes de 2024. Daniella afirma que as conversas foram retomadas, embora ainda não haja um novo cronograma.

Cada projeto é dimensionado de acordo com o mercado local. O complexo estudado para Curitiba, por exemplo, deverá ter menos de um quarto do tamanho do empreendimento catarinense.

Na Praia Brava, o tamanho do terreno e o potencial de valorização permitiram elaborar um projeto de maior escala. Ainda assim, a definição arquitetônica dependerá da conclusão dos estudos técnicos e das negociações com investidores.

“Quando a viabilidade econômica é alcançada, o projeto é uma consequência. Para fechar o negócio, a conta tem que parar de pé”, diz Daniella. “E não é uma conta fácil quando existe uma marca internacional que também acarreta um valor.”

O empreendimento catarinense ainda precisará atravessar as etapas de aprovação, lançamento, comercialização e construção. Mesmo com o início das obras previsto para 2028, a conclusão total deverá ocorrer apenas na década de 2040.

Para Daniella, o prazo é compatível com a complexidade da operação. “São cinco anos para aprovar e conseguir fazer uma negociação, mais dez anos para construir”, afirma. “É mover o Titanic. É muito trabalho que demora para dar resultado.”

AutorGuilherme Gonçalves
FonteExame
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