Xi Jinping diz que IA não deve ser monopolizada por um único país

O presidente da China, Xi Jinping, afirmou nesta sexta-feira, 17, que a inteligência artificial (IA) não deve ser dominada por um único país e defendeu uma maior cooperação internacional para o desenvolvimento da tecnologia. A declaração foi feita durante a abertura da Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC, na sigla em inglês), realizada em Xangai.
Segundo Xi, o avanço da IA deve ocorrer de forma colaborativa entre as nações. "O desenvolvimento da IA não deve ser uma atuação de um único país, mas sim uma sinfonia de cooperação internacional", afirmou o líder chinês.
O presidente também criticou o uso da segurança nacional como justificativa para limitar o desenvolvimento tecnológico. "Devemos nos opor conjuntamente à interpretação excessiva do conceito de segurança nacional no âmbito da IA ou a colocar a segurança de um país acima da dos demais", declarou.
As declarações ocorrem em um momento em que Estados Unidos e União Europeia impõem restrições à importação de tecnologias chinesas por preocupações relacionadas à segurança. Ao mesmo tempo, disputas envolvendo empresas americanas de inteligência artificial também alimentam debates sobre quem controla o acesso à tecnologia.
O mercado chinês de IA foi estimado em 1,2 trilhão de yuans em 2025 (cerca de R$ 902 bilhões) e a expectativa oficial é de crescimento superior a 30% em 2026.
IA deve permanecer sob controle humano, diz Xi
Durante o discurso, Xi também defendeu a criação de mecanismos internacionais para garantir o uso seguro da inteligência artificial. Segundo ele, é necessário estabelecer leis, sistemas de monitoramento, alerta precoce e resposta a emergências para assegurar que a tecnologia permaneça "sempre sob controle humano".
O presidente chinês afirmou ainda que o desenvolvimento da IA deve adotar uma abordagem "centrada nas pessoas".
A WAIC reúne durante quatro dias mais de mil empresas de tecnologia, pesquisadores, autoridades e executivos do setor. Cerca de 3 mil produtos serão apresentados, incluindo sistemas de semicondutores voltados para IA e um smartphone capaz de executar aplicativos de forma autônoma.
China amplia influência na corrida pela IA
Os modelos chineses de inteligência artificial vêm conquistando espaço no mercado internacional ao oferecer custos menores em comparação com soluções americanas, embora os Estados Unidos ainda mantenham vantagem em áreas como chips avançados, infraestrutura computacional e modelos que exigem maior investimento.
Para Poe Zhao, fundador da publicação especializada Hello China Tech, a China é atualmente o concorrente mais completo dos Estados Unidos na corrida pela inteligência artificial.
Na quinta-feira, 16, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, e representantes de 29 países, entre eles Rússia, Paquistão e Indonésia, assinaram um acordo para criar um grupo intergovernamental voltado à IA.
A futura Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, que terá sede em Xangai, pretende promover consultas entre os países membros para garantir um desenvolvimento considerado "saudável e organizado" da tecnologia.
O evento também reúne líderes internacionais, entre eles osecretário-geral da ONU, António Guterres, além dos primeiros-ministros do Camboja, Hun Manet, e da Tailândia, Anutin Charnvirakul.
Novos modelos e mercado em expansão
A conferência também serve de vitrine para os principais lançamentos da indústria chinesa. Nesta sexta-feira, a startup Moonshot AI, sediada em Pequim, apresentou o modelo multimodal Kimi K3, que, segundo relatos citados durante o evento, pode competir com algumas das principais soluções desenvolvidas nos Estados Unidos.
Outros destaques incluem o modelo M3, da MiniMax, o primeiro telefone equipado com um agente autônomo de IA e a arquitetura de inteligência artificial Atlas 950 SuperNode, desenvolvida pela Huawei para aplicações de aprendizado e raciocínio.
Os chamados agentes de IA — ferramentas capazes de conversar com usuários, controlar softwares e executar tarefas complexas — também aparecem entre as principais apostas da conferência.
Segundo dados oficiais citados durante a WAIC, o consumo diário de tokens, unidade usada para medir a utilização de modelos de inteligência artificial, aumentou mil vezes na China nos últimos dois anos.
Com AFP
