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Sacre Investimentos
Economia
03/06/2026
4 min

XP eleva projeção de Selic para 14% no fim de 2026 e dois fatores impactaram na mudança; confira

XP eleva projeção de Selic para 14% no fim de 2026 e dois fatores impactaram na mudança; confira

A XP Investimentos considera que o cenário de inflação global piorou e colocou os bancos centrais em uma “situação difícil”. A partir disso, a XP subiu de 13,75% para 14,00% sua projeção para a taxa Selic terminal de 2026, com expectativa de apenas mais dois cortes de 0,25 ponto percentual, seguidos de uma pausa para avaliação do cenário macroeconômico.

Os exportadores de commodities, como é o caso do Brasil, têm uma melhor posição relativa, mas também sofrem com a pressão inflacionária, avalia o time de macroeconomia liderado pelo economista-chefe da corretora, Caio Megale, em relatório.

Para a XP, os choques globais de oferta na inflação e os estímulos domésticos à atividade são os principais limitantes no ciclo de corte na taxa de juro básico promovido pelo Banco Central (BC).

Diante do prolongamento do conflito no Oriente Médio, além do cenário mais desafiador para os preços de alimentos — que seguem pressionando a inflação —, a corretora elevou as estimativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026, de 5,3% para 5,5%, e em 2027, de 4,0% para 4,2%

Em relação à atividade econômica, a XP manteve a projeção de crescimento de 2,0% para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, devido à solidez do mercado de trabalho e ao amplo conjunto de medidas de estímulo implementado pelo governo.

Já para 2027, a corretora estima um crescimento mais fraco, de 1,2%, para o PIB, uma vez que a política monetária restritiva deve fazer efeito, além da expectativa de um impulso fiscal negativo.

Além disso, a XP manteve, por ora, a estimativa da taxa de câmbio a R$ 5 no fim de 2026, considerando a volatilidade mais à frente com o período eleitoral. “Apesar da maior incerteza política doméstica e da apreciação global do dólar, o real se beneficia das contas externas favoráveis”, afirma.

Fiscal pressionado?

Na avaliação da XP, o forte desempenho da arrecadação deve ser suficiente para garantir o cumprimento da meta de resultado primário neste ano, mas as subvenções de combustíveis impõem riscos.

Considerando a melhora na arrecadação, a XP revisou marginalmente a projeção para o déficit primário em 2026, passando de R$ 55,3 bilhões (0,4% do PIB) para R$ 48,3 bilhões (0,4% do PIB). Ao excluir as despesas fora da meta, a estimativa agora é de superávit primário de R$ 11,0 bilhões (0,1% do PIB).

“O resultado permite ao governo manter a subvenção de diesel e gasolina por pelo menos mais
três meses, o que pode ser insuficiente diante da continuidade da pressão sobre as cotações de petróleo”, afirma o economista da XP Tiago Sbardelotto.

Ainda assim, a pressão sobre despesas permanece, mas não deve ser necessário que o governo realize novos bloqueios, diz.

Ao mesmo tempo, porém, Sbardelotto destaca que a aceleração das despesas financeiras para financiar as medidas de estímulo do governo mais do que compensam a melhora do resultado primário, mantendo a dívida pública em trajetória de alta.

“As medidas de concessão de crédito atingiram R$ 86,6 bilhões nos últimos 12 meses (0,7% do PIB).
Com isso, há aumento imediato da dívida bruta – por causa do aumento da liquidez – e um impacto neutro na dívida líquida, que é afetada ao longo do tempo pelo diferencial de juros”, detalha o economista.

Com isso, a projeção da XP para a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) subiu de 83,2% e 87,7% do PIB para 83,3% e 88,1% do PIB ao final de 2026 e 2027, respectivamente

“O Comitê de Política Monetária pode retomar o ciclo de flexibilização monetária em 2027, caso a política fiscal se torne menos expansionista”, debate a corretora.

Tendência de melhora no setor externo

O déficit em conta corrente teve a estimativa de 2,1% do PIB em 2026 mantida pela XP, após atingir 3% do PIB em 2025. De acordo com a corretora, a melhora da balança comercial, impulsionada pelas exportações de commodities, compensa a piora nas contas de serviços e renda.

Já a projeção para o Investimento Direto no País (IDP) da XP subiu para 2026, de US$ 75,0 bilhões para US$ 85,0 bilhões (3,1% do PIB), e para 2027, de US$ 79,0 bilhões para US$ 80,0 bilhões (2,9% do PIB).

“Acreditamos que a dinâmica positiva do IDP tenha caráter estrutural, na esteira da atratividade do Brasil quanto ao fornecimento de minerais estratégicos e oferta de energia renovável”, afirma a economista da corretora Luíza Pinese.

AutorAnna Scabello
FonteMoney Times
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