YouTube reúne produtoras e canais em SP para mostrar o futuro da creator economy
Novelas, realities, podcasts e projetos esportivos foram apresentados a marcas e investidores na primeira edição do YouTube Fair, acompanhada pela EXAME

RESUMO +
A plataforma de vídeos YouTube realizou nesta terça-feira, 20 de outubro de 2026, em São Paulo, a primeira edição do YouTube Fair para conectar criadores, produtoras, marcas e investidores. Quinze parceiros apresentaram novelas, realities, documentários e outros projetos previstos para 2027, em uma estratégia que busca transformar canais digitais em empresas de entretenimento e novas propriedades intelectuais.
O YouTubequer ir além dos vídeos e transformar criadores de conteúdo em grandes empresas de entretenimento. Para isso, está aproximando canais, produtoras e anunciantes em uma estratégia que busca transformar audiência em novos negócios.
Foi essa a proposta da primeira edição do YouTube Fair, realizada nesta terça-feira, 20, na Community Creators Academy, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo.
O evento reuniu executivos do Google, empresa controladora do YouTube, criadores de conteúdo, empresários, produtoras, agências, marcas e investidores para apresentar projetos que devem ganhar espaço na plataforma em 2027.
Ao todo, 15 parceiros participaram da iniciativa, apresentando apostas que vão de novelas e realities a programas de gastronomia, música e competições esportivas. Em estandes espalhados pelo espaço, os participantes puderam conhecer novos formatos, conversar com produtores e discutir possíveis parcerias comerciais.
A EXAME acompanhou o encontro e conversou com executivas do Googlesobre os próximos passos desse mercado. "O mercado de conteúdo mudou, e o YouTube Fair nasce para reunir os diferentes lados desse ecossistema e estimular novas possibilidades de colaboração", afirma Esly Paiva, líder de branded content no Google.
A proposta representa uma evolução na relação entre a plataforma e seus criadores. Em vez de depender exclusivamente da monetização dos vídeos e de campanhas publicitárias pontuais, grandes canais passaram a desenvolver produções com identidade própria, planejamento comercial e potencial para atrair investimentos recorrentes.
Como o YouTube quer transformar vídeos em negócios
O principal conceito apresentado durante o evento foi o de propriedade intelectual, ou IP, na sigla em inglês.
Na prática, trata-se de transformar uma ideia em um programa ou formato que possa ganhar novas temporadas, atrair patrocinadores, ser licenciado e, eventualmente, gerar diferentes fontes de receita.
É uma lógica próxima à adotada por emissoras de televisão e grandes produtoras de entretenimento.
Entre os projetos apresentados estavam microdramas da Nose, novelas da SOFA DGTL, produções documentais da Califórnia Originals, realities da Sony e uma nova experiência do MasterChef Creators, da Endemol Shine Brasil.
Também participaram iniciativas ligadas à Kings League, TNT Sports, FitDance, Play9, Dia TV, MTV, Final Level e Anonymous Content, responsável pelo Tiny Desk Brasil.
Segundo Esly Paiva, o Google atua como parceiro comercial desses projetos, oferecendo sua estrutura de vendas, inteligência de mídia e ferramentas de mensuração para ampliar o alcance das produções.
Em alguns casos, a companhia também participa do financiamento da produção, em modelos que combinam investimentos publicitários e aportes para viabilizar os conteúdos.
A executiva cita o MasterChef Creators como exemplo de projeto que precisou dessa articulação comercial para chegar ao público.
O movimento acompanha a dimensão financeira alcançada pelo YouTube. Em 2025, a plataforma faturou mais de US$ 40 bilhões com publicidade e registrou receita total de aproximadamente US$ 60 bilhões em todo o mundo, segundo relatório da Warc.
No Brasil, o ecossistema criativo do YouTube contribuiu com mais de R$ 6 bilhões para o PIB em 2025 e sustentou mais de 150 mil empregos diretos e indiretos, segundo estudo da Oxford Economics encomendado pela plataforma.
Quem esteve no YouTube Fair
Entre os participantes estavam alguns dos principais nomes da creator economy brasileira, incluindo representantes do Porta dos Fundos, Aqueles Caras e Podpah.
O Porta dos Fundos contou com a presença de Gregório Duvivier e João Vicente de Castro, atores e sócios do grupo. Já o Podpah levou parte de sua operação ao evento e realizou uma gravação de podcast durante a programação.
Porta dos Fundos e Aqueles caras estão ligados ao ecossistema de negócios da SMPL, empresa fundada por Guilherme Baldacini e Victor Assis, que também é CEO do Grupo Podpah.
Criada em 2026, a SMPL atua como aceleradora de canais digitais. Sua proposta é estruturar as áreas comerciais, financeiras e estratégicas de grandes criadores, permitindo que eles se concentrem na produção de conteúdo.
A companhia pretende movimentar R$ 100 milhões em publicidade no primeiro ano de operação. Um dos exemplos é o póprio canal Aqueles Caras, que acumulou R$ 40 milhões em faturamento nos 366 dias seguintes ao início da parceria e registrou crescimento de 567% na receita em relação ao período anterior.
A presença desses grupos no YouTube Fair ilustra uma transformação mais ampla: criadores que começaram produzindo vídeos para a internet passaram a operar como empresas de mídia, com programação, equipes comerciais e projetos desenvolvidos para grandes anunciantes.
Guilherme Baldacini e Victor Assis, sócios da SMPL: dupla aposta na profissionalização de criadores de conteúdo e na expansão dos negócios digitais. (SMPL/Divulgação)
Para onde caminha a economia dos criadores
Além de apresentar produções, o YouTube Fair trouxe discussões sobre como o comportamento cultural dos brasileiros pode orientar os próximos investimentos em conteúdo.
Lívia Sitta, líder de Strategic Insights no Google, apresentou um trabalho de inteligência de mercado que mapeou dez grandes territórios da cultura brasileira.
A pesquisa analisou conteúdos de diferentes fontes, incluindo produções audiovisuais, publicações acadêmicas e conversas nas redes sociais, para identificar temas e narrativas capazes de mobilizar a atenção do público.
Lívia Sitta, líder de Strategic Insights no Google: cultura orienta novas estratégias de conteúdo. (Guilherme Gonçalves/Exame)
O objetivo é ajudar anunciantes a identificar oportunidades de comunicação e desenvolver projetos conectados aos interesses dos consumidores.
Na avaliação da executiva, as marcas precisam olhar além das datas tradicionais do calendário publicitário e compreender como as pessoas se relacionam com a cultura ao longo de todo o ano.
Durante sua apresentação, Lívia destacou o papel dos criadores na construção dessas conversas e defendeu que as empresas desenvolvam uma relação mais próxima com os produtores de conteúdo.
O Google também vem apostando em formatos capazes de disputar espaço com a televisão tradicional, como novelas, programas de auditório, competições esportivas e grades de programação contínua.
É nesse ambiente que o YouTube pretende ampliar sua presença em 2027: não apenas como uma plataforma de distribuição de vídeos, mas como um espaço em que criadores, marcas e produtoras desenvolvem, financiam e comercializam novas formas de entretenimento.
