Zelensky se reunirá com Trump em meio à escalada da guerra

O presidente da Ucrânia,Volodimir Zelensky, se encontrará com o líder dos Estados Unidos, Donald Trump, na próxima terça-feira, 28. O diálogo entre aliados ocorre em momento de intensificação da guerra entre Ucrânia e Rússia, que trocaram ataques de longo alcance nesta sexta-feira, 24.
A reunião foi confirmada por um funcionário da Casa Branca à AFP, sob condição de anonimato. O encontro ocorrerá em Washington, no mesmo dia em que está prevista uma cerimônia em homenagem aosenador americano Lindsey Graham, um dos principais defensores do apoio dos Estados Unidos à Ucrânia, morto neste mês aos 71 anos.
Até o momento, Kiev não confirmou oficialmente a agenda de Zelensky nem informou se o presidente ucraniano participará da cerimônia em memória de Graham.
A confirmação da visita acontece dias após Zelensky afirmar que conversou com o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e com Jared Kushner, genro do presidente americano, em uma tentativa de reativar as negociações para encerrar a guerra, que já dura mais de quatro anos.
Escalada militar marca véspera do encontro
O encontro entre Trump e Zelensky ocorre em meio a uma nova escalada do conflito. Nesta sexta-feira, ao menos 21 pessoas morreram em ataques de longo alcance realizados pelos dois países.
Na Ucrânia, 15 pessoas morreram. Dez vítimas foram registradas nos arredores de Kiev após um ataque russo com mísseis contra um evento ligado à indústria de defesa ucraniana. Horas depois, o Exército russo confirmou ter atingido uma "exibição de drones ucranianos e estrangeiros", que, segundo Moscou, reunia fabricantes, comandantes militares e integrantes dos serviços de segurança do país.
Após o bombardeio, o procurador-geral da Ucrânia, Ruslan Kravchenko, abriu uma investigação por suspeita de negligência na organização do evento, enquanto representantes do setor criticaram as medidas de segurança adotadas.
Outras cinco pessoas morreram e nove ficaram feridas após bombas guiadas russas atingirem a cidade de Sloviansk, uma das principais áreas da região de Donetsk ainda controladas por Kiev.
Ucrânia amplia ataques contra território russo
Antes dos bombardeios russos, a Ucrânia lançou uma nova ofensiva de drones e mísseis contra alvos em território russo.
Segundo autoridades russas, um ataque atingiu uma empresa na região de Kirov, deixando seis mortos e 26 feridos. Depósitos da varejista Wildberries, considerada a maior plataforma de comércio eletrônico da Rússia, também foram atacados perto de São Petersburgo e na Crimeia anexada.
O presidente ucraniano afirmou que um dos depósitos fornecia componentes para drones, equipamentos de navegação e suprimentos militares destinados ao Exército russo. Zelensky também declarou que a empresa atingida em Kirov integra a indústria de defesa da Rússia.
O Kremlin, por sua vez, voltou a negar qualquer ligação entre a Wildberries e as Forças Armadas.
Ainda durante a madrugada, o Ministério da Defesa russo informou ter interceptado 571 drones ucranianos em 15 regiões do país e na Crimeia.
Kiev classifica a campanha como uma forma de impor "sanções de longo alcance", afirmando que os ataques buscam reduzir a capacidade militar russa e responder aos bombardeios frequentes contra cidades ucranianas. Apesar disso, os ataques russos continuam, incluindo bombardeios recentes contra o porto de Odessa, que afetaram o transporte marítimo e as exportações agrícolas da Ucrânia.
Com AFP
